quarta-feira, setembro 12, 2007

Campeão sem acaso

Recebi ontem de manhã, o Boletim Informativo do Alto Comissariado para a Integração e Diálogo Intercultural do Governo Português.

Na capa, como não poderia deixar de ser, vejo, novamente, o Nelson, herói nacional, Évora. Mas, pela primeira vez, de todos os textos que lhe é dedicado no interior de um jornal ou revista, vejo um que apela à excelência humana e ao desejo de contínuo progresso das populações muitas vezes marginalizadas: os imigrantes.

Do editorial da autoria do Alto Comissário, Rui Marques, transcrevo as seguintes passagens:

«Poderia ter sido mais uma história de derrota perante as adversidades. De um outro filho de imigrante que não conseguiu vencer as inúmeras barreiras ao seu redor, terminando em exclusão social, sem horizonte, nem esperança. Mas, desta vez, nasceu um campeão do mundo.

A história feliz de Nelson Évora deve fazer-nos pensar. Vindo para Portugal, com a família, aos cinco anos, só aos 18 teve acesso à cidadania portuguesa. Hoje com 23 anos, tem o 12º ano completo, sonha também com outros “voos” nos estudos em Marketing, para juntar aos saltos que consegue no triplo salto e no salto em comprimento. A sua convicção religiosa – a fé bahá'í – torna-o também militante de “uma só humanidade”. Este é o retrato do nosso herói, no seu extraordinário trajecto de sucesso que o levou à fama mundial. Neste percurso, o mérito é, seguramente, antes de tudo, seu e da sua família. Apesar de todas as contingências negativas que qualquer família imigrante experimenta, conseguiram chegar aqui. Honra lhes é devida. São um exemplo para todos nós.

(…)

Ainda que não seja possível aos nossos filhos – de imigrantes e de portugueses – chegar sempre a ser campeões do mundo e entrar para o livro da fama, muitas vitórias conseguiremos se, portugueses e imigrantes, nos unirmos na construção de um futuro comum, com lugar para todos.»

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2 Comentários:

Anonymous Lino disse...

É muito bom ver que as pessoas se superam, vencem obstáculos e se destacam, mesmo saindo de posições difíceis. Mas seria melhor ainda vê-las chegar a este ponto sendo apoiadas por programas de inclusão, que a maioria dos Governos não têm.

13 setembro, 2007 12:58  
Anonymous Cejunior disse...

Concordo com o Lino, Sam. Aqui no Brasil tivemos vários atletas se destacando apenas por amor ao esporte.
Acho que uma das maneiras para afastar a juventude brasileira das drogas pode estar no esporte. Mas sem apoio...

13 setembro, 2007 21:45  

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