sábado, fevereiro 07, 2009

E o que fui fazer a Londres?

Com a saída determinada da Europa, não pude deixar de fazer uma espécie de peregrinação ao local no qual Shoghi Effendi, o Guardião da Fé Bahá'í, tem o seu último descanso, ou, melhor dito, local em que se encontra o sagrado sepulcro.

Nos dias que estive por Londres, tive a oportunidade de poder, por três vezes dirigir-me à estação de Arnos Grove e caminhar por uns minutos para o cemitério local, no qual pude estar sob a presença daquele “menino pequeno [que] os guiará”, profetizado por Isaías (11:6), o admirável jovem de 25 anos que impediu toda sectarização e se tornou o ponto de convergência de todos os bahá’ís do mundo, no ano de 1921.

Foi a sua visão pragmática e de longo prazo que lhe permitiu ser o elo de ligação entre o passado histórico desta nova religião de índole universal, nascida em 1844 com os seus mais de 20 mil mártires, e o futuro administrativo que em 1963 teria a primeira eleição da Casa Universal de Justiça, o corpo supremo democraticamente eleito por bahá’ís de todo o mundo.

Foi em períodos como a Cruzada de Dez Anos que a Fé Bahá'í conseguiu desenvolver-se ao ponto de, hoje, ser a segunda religião mais disseminada do mundo. E foram as suas traduções que permitiram que povos de todo o mundo pudessem conhecer a literatura bahá’í, que ensina a necessidade de eliminação de todos os tipos de preconceitos, a abolição de extremos de riqueza e pobreza, a igualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres, para citar alguns. De entre suas traduções destacam-se As Palavras Ocultas e O Livro da Certeza, de Bahá'u'lláh, sendo capaz de manter a doçura poética da língua persa e a complexidade idiomática do árabe, graças também à sua maestria no inglês, tornando-se ímpar tradutor dentro e fora da literatura bahá’í.

Os seus próprios textos são, por si, prova viva de sua capacidade. Escrito por si, está uma obra única de nome A Ordem Mundial de Bahá'u'lláh, um tratado que apenas o futuro da humanidade poderá dar o devido lugar. Nele descreve as dores de parto de uma humanidade decadente e a esperança de um futuro promissor.

Termino com as palavras de encorajamento que jamais esquecerei, desse mesmo livro:

Comparai as instituições em desintegração, as desacreditadas diplomacias, as teorias destruídas, a degradação assustadora, as loucuras e as fúrias, os artifícios, as fraudes e as concessões que caracterizam a sociedade atual, com a firme consolidação, a santa disciplina, a unidade e a coesão, a inabalável convicção, a lealdade incondicional, e a heróica abnegação que constituem o marco desses fiéis defensores e precursores da Idade Áurea da Fé Bahá'í.

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quarta-feira, dezembro 10, 2008

Há 60 anos!

Há exatamente sessenta anos, a Humanidade, cansada de ver o seu próprio sangue derramado, em cada conflito, em cada guerra, farta de ver que existem seres humanos relegados a um segundo plano, consciente de que a sua sobrevivência está em causa, estabelece uma espécie de código de conduta internacional, ao qual veio a designar de Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Contudo, a Declaração não é vinculativa. Nada compele os seus signatários a cumpri-la a não ser o bom senso que dita a dignidade e a justiça é para todos os seres vivos, em iguais circunstâncias.

Afinal de coisas, como dizem os escritos bahá'ís, A mais amada de todas as coisas (...) é a Justiça. Ou, como já diziam os Salmos: Fazei justiça ao aflito e necessitado.
Contudo, Uma pessoa não é apoiante da justiça simplesmente porque fala dela (Dhammapada), é necessário agir!

E hoje cerca de cem blogs, unidos, por vários pontos do mundo demonstraram que podem, apenas o desejem, agir! Agir para que estes sessenta anos não sejam revividos com as suas dissensões e massacres, mas sim revividos com os Direitos Humanos, com uma Humanidade capaz de ver o melhor de si mesma.

Segue-se a lista dos participantes confirmados:
  1. Fênix Ad Eternum
  2. Lino Resende
  3. Leio o meu mundo assim...
  4. Alma Poeta
  5. Reclinada
  6. Doutrina Espirita
  7. "Feliz aquele que transmite o que sabe, e aprende o que ensina"
  8. "Chama da Paz": A luz que nunca se apagará
  9. Blog do joãoáquila
  10. Saia Justa- Ano III
  11. Caminhantes
  12. Pegasus, Cavalo Alado
  13. Arroios
  14. Devaneios & Desatinos
  15. Mirian-crochet
  16. Moralitos EBIC
  17. Flávia, Vivendo em Coma...
  18. Oficina de Palavras.
  19. Fio de Ariadne
  20. Infinito Particular
  21. Educar Já!
  22. Casas Possíveis
  23. Qualiblog
  24. O mundo na Luneta
  25. Viver Melhor
  26. Apenas Nana
  27. Ideia Espírita
  28. blogosfera solidária
  29. Página Russana
  30. Na casa da vovó
  31. Jus Indignatus por Ricardo Rayol
  32. BLOG DO RONALD
  33. By Osc@r Luiz
  34. Entre Mãe e Filha
  35. Luz de Luma, yes party!
  36. Diário de Iza
  37. Pensiere & Parole ano V
  38. Esquinas há muitas - De ver o mar - só a minha...
  39. MOMENTOS DE LUAR
  40. este é o meu local de sonho...
  41. Recordações de um Baú
  42. Das coisas que eu sei
  43. Pasárgada
  44. Chronicle & Tales Unlimited (RED)
  45. Toques de Prazer
  46. TIMOR LOROSAE NAÇAO
  47. PÁGINA UM
  48. De tudo um pouco
  49. feltro, lã, pano e papel
  50. AprendizArte Ateliê
  51. Bem Bolados Projetos
  52. O pulguedo
  53. Ramsés Século XXI
  54. MIVA CROCHET
  55. Maio, 26
  56. Essencialmente Palavras...
  57. O Último Dia de Minha Vida.
  58. O Blog do CanalPsi
  59. aprendemos
  60. Sensata Paranóia
  61. Reflexões e opiniões
  62. Carta de Tarot
  63. SOL POENTE
  64. Só para dizer que tenho um Blog
  65. IPSI LITERIS
  66. Doce de Fel
  67. Dormentes
  68. Marco S/A
  69. Lavanderia Virtual
  70. Tulipas - A dança da vida
  71. Adão Braga - conectado
  72. ZzabeLinha
  73. Bloco de notas
  74. Tudo para Todos sobre Nada
  75. Mexe no Peixe
  76. OPINIÃO LUSÓFONA
  77. associação abril
  78. VERDE QUE TE QUERO VERDE
  79. PÁGINA LUSÓFONA
  80. PORTUGAL DIRETO
  81. No "canto-do-conto": Um punhado de magia...
  82. Conversamos?!...;
  83. Fotografando a Vida
  84. ali-se
  85. O Meu País Azul
  86. Blog do Brasilerô
  87. Caravançarai
  88. Revisitar a Educação
  89. English is Cool
  90. A cor da letra
  91. The pages of my life...
  92. Hoje eu tô de bobeira
  93. Drop Azul Anis S
  94. Acqua
  95. Saúde Alternativa
  96. Portugal, Caramba!
  97. UNIDADE MUNDIAL
  98. Pequenos Pormenores
  99. Ernani Motta
  100. Descobrindo
  101. Retrato em branco e preto
  102. Peciscas
  103. JE VOIS LA VIE EN VERT
  104. A LUZ DO DIA E DA NOITE
  105. A PARTILHA DA ALEGRIA
  106. .Blog
  107. Ideias Soltas
  108. NONA E EU
  109. Consciência Acadêmica
  110. pianomanga
  111. Visão Panorâmica
  112. Dentro da Bota
  113. Quiosque Azul
  114. Lu_Carioc@
  115. Pavulagem da Ro
  116. A vida como a vida quer
  117. MONAMI... 6ª FEIRA
  118. Sindrome de Estocolmo
  119. ius communicatio
  120. Nothingandall
(Atualizado pelas 23.00 de 14 de Dezembro)

Outros blogs asseguram a sua participação:
Conversas de Português; luxuriante; Pequenos Grandes Sentimentos; Chá da tarde & Girassóis; Natureza Poética; fotografa; Um pé na Europa.

E, não se esqueça, para que a sua participação seja considerada,
deve identificar o seu blog ou post através de
link e selo oficial da campanha.

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O direito a ter direito
Para quem os direitos humanos?
Blogs (com a ONU) pelos Direitos Humanos
Direitos Humanos?
Ainda o Dia dos Direitos Humanos...
A Luta de toda a Humanidade! Obrigado a todos!

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sábado, novembro 01, 2008

Persépolis 2 (legendado)

quarta-feira, agosto 13, 2008

A matemática dos jornais...

Os jornais portugueses estão cada vez mais estranhos. Depois de uma das primeiras páginas do jornal Público que até mencionei neste blog, fiquei pasmo, hoje, ao ler o Diário de Notícias.

Ao mencionar, na versão impressa de um artigo, as estatísticas religiosas do Reino Unido, enumera as estatísticas religiosas daquele Reino como sendo:
  • 71,6% da população é cristã;
  • 2,7% muçulmana;
  • 1 % hindus;
  • 0,6% sikhs;
  • 0,5 são judeus;
  • e 0,3 % budistas.

Ainda um grupo de 15,5% de ateus. Perfazendo, um total de (100%-15,5%=)84,5% de "crentes", certo?

Não! O DN explica que "no total, 76,8% da população do Reino Unido têm Fé e seguem algum tipo de credo ou religião". Além de eu não entender o número em si (não! a soma dos listados acima não é exatamente este número!), ponho-me a pensar... Será que no DN não sabem fazer contas, não têm máquinas de calcular ou, então, simplesmente, a totalidade da população inglesa é constituída por 92,3% ao invés dos tradicionais 100% como no resto do mundo (afinal de contas, até as ruas são ao contrário).

Ou, ainda, outra hipótese me surge: será que além dos 92,3% de população, o Reino Unido é constituído por outros 7,7% de impopulação constituída por mortos vivos, alguma classe de viajantes do tempo ou então seres de outros mundos... Qual será?

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domingo, agosto 03, 2008

Mentiras na verdade

Uma das notícias desta manhã que já começa a estar por todo o lado é a que foi transmitida por um jornal iraniano, o Resalat, citando um certo Sr. Haddad (não aquele que brasileiros conhecem, mas um oficial responsável por assuntos de segurança da corte revolucionária da capital iraniana), de que os sete bahá’ís presos em Maio confessaram o seu crime:

Todos eles confessaram a formação de uma organização ilegal, incluindo (ter ligações) com Israel.

De facto, uma pessoa que lê isso pode achar que afinal de contas, nós os bahá’ís somos espiões do estado de Israel. Mas, o interessante é que apesar disso não ser verdade, a declaração em si não me parece falsa. Vejamos:

1. Sobre a primeira alegação que implica pertencerem a um grupo ilegal, eu iria ainda mais longe, afirmando que os bahá’ís iranianos pertencem a um grupo inconstitucional: ser bahá’í, ter uma religião que, segundo a agência Reuters, acredita na posição divina de “Abraão, Moisés, Buda, Jesus e Maomé” é considerada pela liderança xiita iraniana como “herético”, não estando, portanto legalizada pelo Regime Islâmico Iraniano.

2. A extensão da Comunidade Bahá’í a inúmeros países do mundo também é uma verdade comprovada, uma vez que a sua diversidade inclui uma extensão de 236 países e territórios de todo o mundo, reunindo representantes de não menos que 2.112 raças da Terra.

3. Quanto ao facto de recebermos ordens de Israel, bem, aqui a coisa já muda de figura. Recebemos orientações provindas de Israel, mas não do seu Governo, mas do Centro Mundial Bahá'í que está lá radicado, justamente porque o Governo Iraniano exilou o seu Fundador, Bahá'u'lláh, a Israel, nos primórdios dessa Fé.

Desta forma, sim, todas as alegações são verdadeiras! O que é claramente falso é aquilo que os meios noticiosos iranianos tentam subentender delas: de que somos espiões (hoje de Israel, há uns anos da Rússia) que não tem a mínima lógica. Afinal de contas, se eu fosse espião de Israel, a minha condição financeira era capaz de ser bem melhor!

Mais interessante ainda, é que isso é tornado público dias após a CNN e outras agências reportarem agressões e ataques contra bahá'ís iranianos (casas queimas e pilhadas, entre outras coisas), dois dias depois da Casa de Representantes do Congresso estadunidense aprovar uma resolução a favor da situação dos bahá'ís no Irã e um dia após o jornal estatal Keyhán mencionar relações entre o estado de Israel, o comité Nobel e o Centro Mundial Bahá'í na escolha de Shirin Ebadi para prémio Nobel em 2003. Haja imaginação!

De facto, surpreende-me a capacidade de se tecerem inverdades com base em meias-verdades, ou de se criarem inverdades com base nas mais estranhas imaginações... Supreende-me a capacidade de se verem mentiras na verdade, quanto mais quando no Alcorão se pode ler:

Por que vestes a verdade com a mentira? Por que escondes, intencionalmente, a verdade? (3:71)

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sábado, julho 26, 2008

Do sonho à vida

Uma história bonita, extraído de um falecido blog de um muito bom escritor:

Era uma vez um pastor de cabras chamado Jamil.

Jamil pastoreava seu rebanho pelo oásis de Zakath, onde havia um poço de água limpa para si e seus animais, boa forragem e tamareiras que lhe serviam deliciosos frutos . Um local perfeito.

Exatamente ao centro desse oásis havia uma pedra que diziam ter sido o local onde Maomé, o último dos Profetas de Alá, bendito seja seu nome, teve uma visão. Logo, era um local sagrada para seu povo.

Jamil, fervoroso crente nos preceitos do Islã e pastor de cabras, sentia-se confortável instalado ali.

Um dia, durante seu descanso noturno, sonhou. Em seu sonho, um anjo lhe dizia para estudar a pedra de Zakath, pois nela haveria a memória de muitas eras, com as quais poderia ajudar a seu povo todo.
Jamil, ao levantar-se e fazer suas preces, foi contar seu sonho ao mulá dos beduínos que por ali viviam , para que esse lhe orientasse na melhor maneira de agir.

"Foste iluminado - lhe disse o mulá - e deves agir conforme lhe foi ordenado. Estuda e ora, pedindo que se abra tua mente ao Todo Poderoso, bendito seja seu nome."

E assim fez Jamil. Durante anos passou sentado de frente à rocha, suplicando que lhe fossem mostrados mistérios. Dia após dia, tentava se comunicar com a rocha.
E assim, se passaram os decênios de sua vida...
Aos 80 anos de idade, Jamil encontrava-se deitado em sua cama de palha, quando adormeceu e sonhou. Mais uma vez, o mesmo anjo, tão formoso quanto era a tanto tempo atrás, falou com ele:

"Jamil, foste um inútil. dei-te a entender que estudasses a rocha. Dei-te a opção de ser um dos líderes de teu povo. E que fizestes? Passou teus anos sentado, esperando por um milagre que dependia única e exclusivamente de ti. Pois olha!". Dizendo isso, o anjo como que sem qualquer esforço, deslocou a rocha para o lado, deixando aberto um grande fosso. Por esse fosso, descia uma escadaria de puro mármore que dava acesso a um salão grandioso, todo forrado a ouro, a prata e a pedras das mais preciosas. No centro, um pilar de jade. Sobre este um livro todo em ouro, onde se lia nas primeiras linhas :

"Pois a tu que aqui buscais sabedoria, fizeste o bem em agir, enquanto outros tantos esperaram por milagres que nunca lhe serão concedidos".

Jamil morreu naquela mesma noite, da vergonha de sua inércia.

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segunda-feira, junho 09, 2008

A esperança vem de onde menos se poderia esperar...

Hoje, o Centro Mundial Bahá'í enviou uma carta aos bahá'ís do Irã, mencionando as prisões em Março da liderança bahá'í iraniana. Outras membros daquela Comunidade Bahá'í também foram presos: a 19 de Maio Cheraghali Ahmadi, Changiz Derakhshanian e Simin Gorji em Mazandarán e, a 24 de Maio, na cidade de Isfahán, Hushmand Talebi e Mehran Ziny acusados de enterrarem, nos últimos 15 anos, em cemitério bahá’í, seus familiares falecidos. Segundo Ali-Reza Jamshidi, Porta Voz do Judiciário, os bahá’ís têm sido presos por participarem de “reuniões ilegais”.

Mas a verdade é que lhe são atribuídas acusações sem base, resultantes de uma perseguição por suas crenças e práticas religiosas. E, numa tentativa de explicar o inexplicável, um dos “pais” da Revolução Islâmica Iraniana, o Sr. Montazeri, diz “porque os Baha’is não têm um Livro divino, sua fé não foi reconhecida como oficial pela Constituição”. O jornal do estado, o Keyhan, insiste em chamar-nos “seita bahá’í fabricada de ímpios, pervertidos”, e o semi-estatal Fars cita um doutor Rasoul Pour-Ahmad que adverte “se mantém-se silêncio sobre a ilegais, nefasta seita Baha’i, nossas mulheres e nação seriam rapidamente colocados sob as botas de Israel, graças aos Baha’is”, uma vez que, continua ele, os bahá’ís estariam a serviço de espionagem sionista.

As duas falhas dessa última asserção são que:

(1) Fundamenta-se no facto de o Centro Mundial Bahá’í estar na cidade de Haifa (Israel), mas esquecem os seus apologistas que Bahá’u’lláh foi exilado àquela região de Israel pelas monarquias persa e otomana cerca de um século antes de Israel sequer vir a existir, falecendo em 1892 (Israel esteve a comemorar o seu 40º aniversário há alguns dias!).

(2) Se os bahá’ís iranianos não podem aceder ao exército, trabalhar para o estado, ou sequer aceder ao ensino universitário devido às constantes legislações iranianas, de que tipo de espionagem poderiam sequer ser acusados?

Eu proponha outra alternativa ao crime de ser bahá’í.

Na década de 1950, Sheikh Mahmoud Halabi (próximo a Khomeini) fundou, com comerciantes de bazar e alguns clérigos, a Caridosa Sociedade do Mihdí (Anjoman-e Khayryyehye Hujjatiyyah-ye Mahdaviat). Eles eram contra os comunistas e ateus e a sua missão seria a preparação para a vinda do Prometido "Imám Oculto" do Islã, o Mihdí.

Naturalmente que sustendo-se na ideia de que uma de suas figuras centrais, o Báb, seria o já regressado Mihdí, a Fé Bahá’í foi imediatamente vista como prejudicial à agenda desse movimento. Por isso mesmo, o nome alternativa do movimento dos Hujjatiyyah tornou-se “Sociedade Anti-Bahá'í” (Anjuman-e Zidd-e Baha'iyat). O seu propósito tornou-se um só: erradicação dos bahá’ís.

Aqui vai um excerto de um texto publicado no American Thinker pelo americano-iraniano Amil Imani:

(…) Ahmadinejad é um membro dos Hujjatiyyah. Vê-se como o vassalo pessoal do Mahdi-Messias ou Imám Oculto, com quem fantasia tête-à-têtes frequentemente.

Ahmadinejad, um homem movido pela sua religião, tem seu conselheiro espiritual em Ayatollah Mohammad Taghi Mesbah-Yazdi (o defacto líder dos Hojatieh). O conselheiro do Presidente é conhecido por suas visões extremistas sobre o Islã e promove bombismo suicida e ataques a civis no Ocidente. Há só uma visão do Islão para ele. Certa vez disse “… se alguém lhe disser a sua interpretação do Islão, esmurre-lhe a boca”.

Ahmadinejad emerge como completamente são. É completamente previsível, consistente e não mostra nenhuma auto-contradição. Nem sequer pretende que teve um lapso na fala ou desculpa-se por suas declarações ultrajantes. Não é um típico político que pratique a desviante arte de duplo-falar, engano e mudança e posição para adequar sua conveniência imediata.

A Humanidade deve aprender que ignorá-lo por lunático resultará em maior sofrimento, tal como ela fez com Hitler.

Tal atitude teve, como menciona a mensagem do Centro Mundial, o apoio que a imprensa e de outros meios de comunicação em massa têm dado aos crentes oprimidos no Irã, e a advocacia de sua causa por ativistas sociais, e a simpatia manifesta na voz de intelectuais iranianos que evocam sua esperança e gratidão.

Começando a ser comparado ao regime Nazi, e criticado por líderes religiosos, por governos de diversos países, pela União Europeia, pelo Observatório de Direitos Humanos, pela Comissão Internacional de Juristas e pela imprensa internacional, alguns estudiosos iranianos, dentro e fora do país, chegam mesmo a temer que que este possa ser apenas o começo de uma nova e forte campanha contra os bahá’ís e que apenas a voz de livre pensadores fora do país, iranianos e de outras nacionalidades, poderão ascender o nível de debate sobre os bahá’ís e impedir que o genocídio perpetrado há 6 décadas e que o mundo ignorou até que fosse tarde demais possa repetir-se, desta vez, no médio oriente.

E, não se poderia esperar uma guia final senão o pedido expresso aos bahá'ís iranianos de evitarem toda divisão e todo conflito, interagirem com todos com polidez e sinceridade, e engajar com seus compatriotas na discussão de ideias e no intercâmbio de pensamentos em matérias sobre as quais estarão ansiosamente preocupados. Acender em seus corações a flama da esperança, fé e certeza de que o glorioso futuro do Irã e o brilhante destino da humanidade que conhecemos certamente virá em breve. Assim, as vítimas da injustiça se convertem na fonte de esperança para todos.

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quinta-feira, maio 22, 2008

Ainda sobre os presos bahá'ís. O governo acha que convence...

Quando há uns dias postei sobre a prisão de 6 bahá'ís no Irã, várias pessoas têm-se perguntando sobre as causas que levam o Governo Iraniano a tratar de tal forma os bahá'ís. Afinal de contas, para além do Zoroastrianismo, a Fé Bahá'í é a única religião verdadeiramente iraniana, uma vez que o seu Fundador nasceu naquele país: os iranianos deveriam defendê-la como uma questão de cultura nacional mais que qualquer outra coisa. Mas, infelizmente, não é assim!

As acusações, conforme indiquei anteriormente, mantém-se. O Irã, através do Porta-Voz do goevrno, o Sr. Elham, afirmou que o bahaísmo é "uma velha e inútil política", continuando que "cada país deve defender sua segurança, e isso nada tem a ver com assuntos ideológicos".

Obviamente a Sr.ª Dugal, representante da Comunidade Bahá'í, sabiamente replicou:

Longe de ser uma ameaça à segurança de estado, a comunidade bahá’í do Irã tem grande amor pelo seu país e está profundamente comprometida com seu desenvolvimento. Evidência está, por exemplo, no facto que a vasta maioria dos bahá’ís continuou no Irã apesar de intensas perseguições, a negação de acesso à educação por seus estudantes (...).

Perguntaríamos se assuntos de segurança de estado e não de ideologia estiveram envolvidos em recentes incidentes tais como a destruição de um cemitério bahá’í e a utilização de bulldozer para partir os ossos de um bahá'í que lá estava enterrado; o assédio de centenas de crianças bahá'ís em idade escolar (...) pelos próprio professores e oficiais escolares (...); ou na publicação de dúzias de artigos difamatórios anti-bahá’ís no Kayhan e outros meios de comunicação patrocinados pelo governo (...).

O que o governo iraniano não pode tolerar é que o povo iraniano respondem menos à propaganda governamental, porque vêem a realidade — que os bahá'ís iranianos amam seu país, são sinceros no desejo de contribuir para o bem-estar, são amantes da paz, e são obedientes ante a lei (...). Consequentemente, há uma crescente simpatia pelos bahá’ís. Crescentemente, pessoas de todos os níveis da sociedade estão vindo em defesa, tanto particular como publicamente, e há um crescente interesse e atração à Fé Bahá’í entre a população.


Leia também:

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quarta-feira, maio 21, 2008

O perigo da diversidade (???)

Aqui já falei várias vezes das vantagens da diversidade nas organizações, na Europa, ou nas eleições no EUA. Já falei que da diversidade surge a necessidade de Acordos que permitam melhor interação entre os povos.

Hoje, dia mundial da diversidade, explico porque sou tão a favor da diversidade.

A representação Bahá’í nas Nações Unidas declarou em 1990, no documento Combating Racism (em português, Combatendo o Racismo):

Na visão bahá’í, a unicidade do género humano representa uma interdependência orgânica dentro de uma entidade social corpórea. Isto implica que o bem-estar dos componentes constituintes desse corpo está inextricably interwoven com a do todo. Ademais, a unicidade essencial da raça humana não é restrita à dimensão física; estende-se aos aspectos sociais e espirituais da vida humana. Alentando e desvelando o potencial transcendental do homem, a diversidade cultural pode começar a ser vista como a expressão de sua verdade universal. Somente então as barreiras raciais percebidas poderão ser ultrapassadas.

Durante a minha estadia no Brasil fiz vários amigos, mas gostaria de aproveitar e falar de três deles. Hayden, Renê e Naim. O primeiro com nome anglófono, o segundo nome francês, e o terceiro nome persa. Dois nascidos no Brasil e outro no EUA. Os dois últimos estudam ciências e direito, e o primeiro é professor de inglês. Cada um dotado de um talento único: uma voz brilhante e sem comparação, uma capacidade de escrita doce, e uma astúcia lógica impressionante. Não poderiam ser pessoas mais diferentes, mas são estas as três pessoas com quem mais me dei no Brasil, ainda que por tempos curtos e escassos. Ouvir e sentir a música do Hayden, a escrita do Renê ou o pensamento do Naim faz-me pensar na unidade que se pode encontrar na diversidade humana. Enquanto alguns podem preferir rodear-se de pessoas que lhes são exatamente iguais, clones de pensamentos e gostos de si mesmas, outras tentam ter, entre seus amigos, os mais diversos e distintos de todos, pois entendem a beleza da humanidade na diferença.

Bahá’ís, por natureza, somos (ou tentamos ser) pessoas assim. Provimos de 236 países e territórios de todo o mundo, reunindo representantes de não menos que 2.112 raças, números entre apoiantes de origem cristã de várias denominações, muçulmanos de ambas variantes sunitas e chiita, judeus, hindus, zoroastrianos e budistas. Os livros de literatura bahá'í estão publicados em 802 idiomas. E não poderíamos ter uma Convenção Internacional que corresse melhor!

Mas, sabe-se lá porque, o estado iraniano teme essa diversidade, sente-se ameaçada por ela. Um dia conecta-a a atentados, no outro insulta-a. Um dia chama-lhe espionagem americana, no outro sionista. Um dia tortura crianças em escolas, no outro prende adultos em prisões. Desaparecem seus líderes, seus aderentes são vigiados, seus trabalho retirados, sua educação impedida. É possível entender como é que uma comunidade que, pacificamente, consegue aproximar tantas diferenças seja vista como ameaça tal que seja vítima de perseguições impávidas que nos fazem gelar não a espinha, mas a própria alma?

Como diria Phillipe Copeland:
Ainda aguardo alguém que me explique como é que uma religião que faz com que pessoas de todas as origens trabalhem em conjunto por um mundo melhor possa ser uma coisa má. Que possível ameaça pode apresentar a qualquer um? Porquê seus seguidores merecem assédio, destruição de seus locais sagrados, expulsão de escolas e trabalhos, aprisionamento e mesmo a morte? O que há de tão assustador na Fé Bahá'í?

Alguém, por favor, explique-me o medo à diversidade…






Do outro lado do mundo, no Brasil, a televisão faz uma cobertura sobre a possibilidade de encontrar a beleza da diversidade no lugar mais difícil de imaginá-la: no eixo Israel-Palestina.
Veja o vídeo do Globo Repórter:

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terça-feira, maio 20, 2008

Jornais como espelho do mundo e não da propaganda

Washington Araújo afirma que “recebemos ondas e ondas de notícias, muitas delas, apenas pela metade, outras tocando a verdade, os fatos de maneira muito superficial e até tendenciosa”, e isso foi o que aconteceu há menos de pouco tempo, mesmo ao meu lado.

Há cerca de um mês (13 de Abril), sites noticiosos a que subscrevo foram enviando uma informação sobre uma explosão que ocorrera na cidade de Shiráz (Irã). As notícias iam mudando à medida que o tempo ia passando:

  • Ocorreu uma explosão no Irã;
  • Ocorreu uma explosão na cidade iraniana de Shiráz, provocando vítimas;
  • Ocorreu uma explosão em mesquita da cidade iraniana de de Shiráz provocando vítimas letais e número desconhecido de feridos;
  • Ocorreu uma explosão na mesquita na qual se faziam críticas aos grupos wahabistas e bahá’ís, na cidade iraniana de de Shiráz provocando número X de vítimas letais e de feridos.

A notícia ia, assim, como que evoluindo e sempre pedindo àqueles que lá estavam que fossem dando notícias. O número de mortos cresceu de 9 a 12 em poucas horas; os feridos de 56 a mais de 12 dezenas e as insinuações que foram ganhando vida.

O Sr. Enjavinejad, o principal clérigo da mesquita Mártires de Hosseyn e quem discursava aquando da explosão, prontificou-se a dizer que “acreditamos ser possível que os bahaioons tenham mão nisso”. Os noticiosos diversos, mundo afora, sem pensar nem ler, meramente traduziram o texto da Agência Governamental Fars. Da BBC inglesa à brasileira Folha de S. Paulo, podia-se ler que se tratava de um “encontro semanal de sábado sobre os grupos hereges wahabi e bahai”.

A Folha prontificou-se a corrigir o erro, retirando os termos herege e extremista de todas as suas notícias, assumindo o erro, e adicionando algumas novas frases à sua versão anterior: “Após 1979, a fé Bahai foi banida legalmente e seus seguidores não são reconhecidos pela constituição iraniana como minoria religiosa”. Notei ainda a neutralidade da CNN, e o viés de aparente neutralidade da Al-Jazeera, que, logo após falar da explosão durante os tais discursos menciona que “No ano passado, comunidades Bahais no estrangeiro dizem que alguns dos seus membros foram detidos em Shiraz enquanto trabalhavam com comunidades pobres”. Nunca tinha notado que um noticioso escrevesse algo como dizem que, quando se trata de verdades objetivas. 54 jovens bahá’ís foram presos (alguns muçulmanos também, mas liberados imediatamente mediante identificação religiosa), sob crime de propaganda contra o estado, quando estavam, sob a égide de um programa da Unicef, dando aulas de literacia a crianças de bairros carenciados…

Chegou-se mesmo a falar de uma bomba dentro daquelas pastas para computadores e que, minutos antes da explosão, foram vistas pessoas estranhas que lá deixaram um pacote suspeito, abandonando o local de imediato.

Esqueceram-se foi de mencionar que decorria, na mesma mesquita, uma exposição de armas e que, por falta de adequada segurança, a explosão, que foi acidental, ocorreu.

Interessante foi notar, entretanto, que vários sites noticiosos com espaços para comentários iam declarando que era uma explosão, mas originada por questões entre o poder instituído e a oposição iraniana. Havendo mesmo quem dissesse que "Estou ligando de Shiráz. Por agora as forças policiais estão tentando retratar isto como uma acidente, por outro lado estão pretendendo que são eles as vítimas ao mostrar os feridos e mortos. Parece que querem usar isto no momento adequado para seu próprio benefício; significa que pelo que estava sendo dito contra os nossos queridos Baha'is na reunião [na mesquita] querem pôr as culpas nos Baha'is".

A explosão no Irã foi um incidente, a explosão em Shiráz não foi um ataque bomba, e, finalmente, o Irã excluiu a possibilidade de ataque terrorista na explosão em Shiráz foram os títulos das notícias da própria agéncia Fars que, antes, evitava mencionar essa possibilidade. E os bahá’ís, segundo os noticiários que continuavam a falar deles, deixaram de ser violentos terroristas e passaram a ser “buscadores de prazer e com coração de galinha quem nem se atrevem a se identificar, quanto mais conspirar um ataque terrorista”.

E não é que não se decidem? Agora que 6 líderes informais da Comunidade Bahá'í iraniana foram presos, alguns noticiosos querem fazer crer que eles estariam envolvidos nas explosões. Por outro lado, alega-se que há um grupo de terroristas do EUA que foram já presos, e, por um outro lado ainda, Canadá e Israel são acusados de responsabilidade...

Mas, afinal, em quais das histórias aqui linkadas devemos crer?
Em qual dos relatores, autores, jornalistas, políticos e comentadores se deve acreditar?

Seja como for, nada disso importa! Os seis líderes informais da Comunidade Bahá'í iraniana estão encarcerados em Evin e o estado iraniano deve ter consciência que, da mesma forma que a investigação científica sugere, mensagens negativas indicando risco são consideradas mais confiáveis que as positivas, que os eleitores pesam mais a informação negativa que a positiva sobre os candidatos e que o viés negativo possui papel mais forte na modelação da opinião pública. Assim sendo, o que se pretende, sobretudo, é manchar a imagem da Comunidade Bahá'í do Irã, o que não é de me espantar pois quando amigos muçulmanos saem do Irã e me conhecem, aqui em Portugal, me comentam: “Vocês bahá’ís não são nada como nós pensávamos!”. Pois é, porque nós acreditamos que

A religião deve unir todos os corações e fazer com que as guerras e disputas desapareçam da face da terra, dar origem à espiritualidade e trazer vida e luz a cada coração. Se a religião torna-se causa de aversão, ódio e divisão, melhor seria deixá-la, e tirar-se de tal religião constituiria ato verdadeiramente religioso. Pois é claro que o propósito de um remédio é curar; mas se o remédio agrava a doença, é melhor deixá-lo de lado. Qualquer religião que não seja fonte do amor e da unidade, não é verdadeira religião.

('Abdu'l-Bahá, Palestras em Paris)

A afirmação daqueles meus amigos demonstra o quanto o entendimento depende da determinação e forma como a notícia é mediada pela comunicação social, e nem "posso imaginar porquê tão forte Bahai-fobia existe na sociedade iraniana".

Se, uma vez mais, como diria Araújo, “a imprensa deve ser vista como um espelho dotado de visão e fala. Ou seja, a busca da verdade, a busca do outro lado da notícia, a sinceridade na apuração das notícias ainda são os grandes pilares de um jornalismo saudável”, eu teria que concordar com ele e dizer que… é mesmo tempo de polir o espelho!


Fotos e vídeos da explosão estão ainda disponíveis pela rede.

Atualizado pelas 20h:
Como que, forçados pela pressão internacional, o Governo iraniano, através de seu Porta-Voz Golham Husayn Elham, declara, ante jornalistas iranianos e estrangeiros, sobre a prisão destes 6 bahá'ís que "movimentos organizados foram orquestrados contra a soberania nacional" "com estrangeiros, em especial com sionistas", terminando por afirmar que "confundir questões de segurança nacional com assuntos religiosos, que sequer penso que seja religioso, é um erro".
Quem leu este texto na íntegra e conhece o historial da situação, não pode, senão, pensar que se trata de uma declaração infundamentada com o único propósito de se justificar o injustificável.

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segunda-feira, maio 19, 2008

Bahá'ís presos

Anualmente, o Corpo Supremo Bahá’í emite uma mensagem a todos os crentes pelo mundo. Este ano, nessa Mensagem, pode-se ler que conscientes das forças de integração e desintegração que operam na sociedade atual pode-se ver o fracasso dos sistemas do mundo. A humanidade sofre pelas forças da opressão, sejam elas originadas nas profundezas do preconceito religioso ou sobre o materialismo desenfreado.

Estas forças – de integração e de desintegração – são as que, por um lado, permitem que o Golfo Pérsico melhore as suas relações interreligiosas, ao mesmo tempo que, por outro, comprovam a degradação ao mais triste grau.

Relatórios internacionais e centros de notícia por todo o globo têm passado a notícia do encarceramento de 7 líderes bahá’ís da Comunidade Bahá’í no Irã, pelas autoridades policiais do ministério da informação. Invadiram as casas de 6 deles a 14 de Maio e prenderam-lhes sem constituírem acusação. Fariba Kamalabadi, Jamaloddin Khanjani, Afif Naeimi, Saeid Rezaie, Behrouz Tavakkoli e Vahid Tizfahm juntaram-se a Mahvash Sabet, a sétima membro do intitulado Amigos Bahá’ís do Irã (Yaran’i Bahá’í), que já se encontra presa desde 5 de Março deste ano.

O seu crime é única e exclusivamente serem bahá’ís, o que é considerado um crime de apostasia, conforme relata a CNN. O Departamento de Estado do EUA já se pronunciou sobre o tema, declarando que se trata de “uma clara violação dos compromissos e obrigações do regime iraniano no que respeita às normas de liberdade religiosa”. o ministro de Relações Exteriores do Canadá afirmou "profunda preocupação" e Joseph K. Grieboski, um dos grandes relatores dos Direitos Humanos, lembra que:

A maior recolha e detenções dos líderes bahá’ís nacionais ocorreu no início dos 1980s. Em 1980, todos os 9 membros da liderança bahá’í foram raptados e então desapareceram. Os bahá’ís não têm clero oficial, e desde que suas Assembleias Espirituais foram banidas pela lei após a Revolução Iraniana de 1979, têm contado com a eleição de comités nacional e locais como líderes da fé.

O governo iraniano severamente restringe as vidas e práticas religiosas dos bahá’ís, que são cerca de 300.000 e são a mais ampla minoria religiosa do Irã. Os bahá’ís também sofrem mais discriminação oficial e assédio que os seguidores de qualquer outra fé minoritária. Os bahá’ís são impedidos de servir no governo e exército, e geralmente é-lhes negado a admissão a universidades estatuais.

Escusado será dizer que os bahá’ís de todo o mundo temem que seus irmãos em Fé sejam torturados ou mesmo executados como os oito líderes da Assembleia Nacional dos Bahá'ís do Irã executados em Dezembro de 1981, ou dos mais de 250 executados desde a Revolução Islâmica de 1979. Ou ainda que o número de presos aumente, tendo em conta os milhares de presos desde a Revolução, os 54 jovens presos no ano passado por trabalharem num projeto social com aval da UNICEF, ou que as perseguições piorem para as crianças que são maltratadas em escolas públicas, ou os bahá'ís que são amarrados em árvores para ser queimados com gasolina.

[14 de Maio de 2008: seis líderes bahá'ís de Teerã são presos, levados à prisão de Evin
5 de Março de 2008: proeminente bahá'í de Teerão chamada a Mashhad para interrogatório, ainda detida].

Gostaria de terminar este texto com o pensamento de Wendi Momen sobre o tema, algo que muitos poderão estar a pensar enquanto lêem estas linhas:

Comparado à perda massiva de vida no Burma e na China, comparado ao colapso de toda uma economia no Zimbabué, o aprisionamento dos Bahá’ís no Irã parece irrelevante, certamente indigno de notícia.

Um dos piores traços dos desastres que têm cercado o nosso mundo é que têm sido constituídos pela nossa inabilidade coletiva em agir coletivamente. Ainda estamos divididos por país, raça, religião, cor de pele, classe e sexo. Falhamos em lidar uns com os outros com justiça e humanidade. Pessoas morrem em furacões mas muitos mais morrem porque nossos líderes não confiam em trabalhadores que ajudem e assistam àqueles feridos ou carentes de comida e água. (…) A pessoas marginalizadas, quer em Nova Orleães, Burma, China, Manchester ou Irã, é permitido sofrer porque nós não sairemos para agir juntos e trabalhar em unidade para eliminar ódio, ignorância, pobreza, rancor e preconceito. Podemos conquistar o racismo, empoderar mulheres a avançar, viver mais gentilmente, permitir boa governação para prosperar, trabalhar uns com os outros ao invés de uns contra os outros – mas não o fazemos. Estamos preocupados, estamos frustrados, enviamos dinheiro, oramos – mas não nos unimos e usamos o nosso poder coletivo para lidar com estes assuntos.

Por isso, pergunto, caro leitor, há algo que nós – bloggers e leitores, bahá’ís, cristãos, muçulmanos e ateus, portugueses, brasileiros e iranianos, nacionais e imigrantes, … Há algo que você que lê o texto ou eu que o escrevo possamos fazer para parar mais essa tragédia?– Estou aberto a ideias.

[os 7 bahá'ís presos este ano, em foto oficial]

Afinal de contas:

Tudo o que é preciso para o triunfo do mal é que homens bons não façam nada
(Edmund Burke).

O que me preocupa não é o grito dos maus e sim o silêncio dos bons
(Martin Luther King).

Nós mesmos somos o futuro. Nós somos a revolução
(Beatrice Bruteau).

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quarta-feira, abril 30, 2008

Outra forma de fazer eleições... as eleições Bahá'ís

Hoje foram anunciados os resultados para a eleição do corpo máximo governante da Comunidade Bahá'í de todo o planeta. É interessante notar como a blogosfera está atenta ao tema. Bahá'ís de vários países têm feito diversos comentários sobre a forma como essas eleições são levadas a cabo e, sem dúvida, falando-se nas eleições presidenciais do Brasil para 2010 as primárias estadunidenses deste ano ou mesmo as partidárias do segundo maior partido português para daqui umas semanas, me perdoem, não posso deixar de tentar fazer uma análise.

Para começar, o processo eleitoral não possui candidaturas, plataformas, campanhas:

A diferença fundamental entre os sistemas de candidatura e o sistema bahá’í é que, no primeiro, indivíduos, ou aqueles que os nomeiam, decidem que devem ser posicionados em posições de autoridade e colocam-se em frente para ser votados. No sistema bahá'í é a massa do eleitorado que toma a decisão. Se um indivíduo ostensivamente se posiciona sob o olho público com o evidente propósito de levar as pessoas a votarem nele, os membros do eleitorado consideram isso presunção e sentem-se afrontados por isso; aprendem a distinguir entre alguém que é bem conhecido como resultado desintencional de serviço público ativo e alguém que faz uma exibição de si mesmo meramente para atrair votos (a Casa Universal de Justiça, a 16 de Novembro de 1988, conforme citado).

Conforme a notícia oficial, numa cerimónia que combina “dignidade espiritual com diversidade global”, bahá’ís de 153 países elegeram os nove membros que constituem a Casa Universal de Justiça. Os delegados desta X Convenção Internacional (que decorre a cada 5 anos, desde 1963, ano de estabelecimento da Casa) são membros das Assembleias Espirituais Nacionais de todo o mundo que, por sua vez, foram eleitos por delegados escolhidos nas raízes locais de seus países o que, pode-se dizer, faz com que todos os bahá’ís adultos do mundo participem virtualmente desta eleição.

As eleições que começaram ontem refletem um processo único que enfatiza qualificações e não promessas, inclusão e não dinheiro e outras barreiras. Com um processo que exclui qualquer intento de partidarização, todas as formas de campanha são evitadas e nenhuma nomeação é feita, o que, os bahá’ís acreditam, acaba por proteger contra a divisão e a facciosidade. Como diria uma das delegadas pelo Canadá: “Como um resultado [disso], não há oportunidade para indivíduos encorajarem outros a votarem neles, quer magnificando suas próprias qualidades ou descobrindo falhas noutros candidatos. Subjacente a todo este processo está a confiança na oração e no esforço dos delegados em se manter informados das atividades da Comunidade Bahá’í mundo afora”.

O processo acaba por ser similar em todas as eleições bahá’ís, pois os seus Textos Sagrados enfatizam que se deve votar em pessoas de devoção abnegada, mente bem-treinada, reconhecida habilidade e experiência madura.

Imagine o que seria ao invés de eleger uma só pessoa para assumir a liderança, eleger um corpo de pessoas com estas virtudes para servir o bem comum? Naturalmente, algum leitor pode pensar que será impossível manejar uma eleição sem partidos, campanhas ou nomeações, mas o que acontece é que o sistema político-partidário acaba, assim, mais que unir, separar aos povos. O que seria se não tivéssemos a dicotomia entre um governo e uma oposição [que por definição “se opõe”], mas, em seu lugar, um conjunto de pessoas unidas a trabalhar pelo bem comum?

[A imagem mostra uma das delegadas votando e as 95 rosas enviadas pelos bahá’ís do Irã, aonde os seus cerca de 300 mil membros enfrentam perseguição e a sua administração foi banida pelo estado]

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terça-feira, abril 29, 2008

A Névoa do Fanatismo

The Mist foi um filme que me perturbou! Do mesmo autor e criador de 1408, Desperation, Dreamcatcher, The Green Mile, Storm of the Century, The Langoliers, The Shawshank Redemption e de The Shining e Carrie que me deixaram sempre aturdido com finais surpreendentes, aqui, não foi o final que me assustou! Incomodou-me e entristeceu-me, sem dúvidas, aquele final estranho e totalmente previsível, mas não me aturdiu!

O que me assustava no filme não eram os monstros estranhos e bizarros que provinham de alguma estranha origem, nem os seus tamanhos, grunhidos e zumbidos, a sua capacidade de matar e despedaçar pessoas! Nada disso me assustou tanto como a torpeza do ser humano, tão bem delineada e ilustrada neste filme.

Para quem não viu o filme, há uma personagem interpretada brilhantemente pela atriz Marcia Gay Harden que me assustou mais que qualquer Freddy, Jason, ou Chucky deste mundo. Uma mulher que ilustrava a religião no mais fanático e triste que ela poderia ser. De algum culto cristão que acreditava que o Senhor Deus teria alguma espécie de ódio e rancor contra a Humanidade, regateando com Ele o seu papel pessoal naquilo que seria a Sua obra.

King sempre se mostrou atento à questão Deus-Humanidade-Demónio, mas nunca mostrou tão bem como o Diabo e a Divindade podem residir nessa Humanidade. Essa mulher, vil e desprezível que mandava em nome desse deus, que matava em nome do seu deus, que estava certa e nunca se equivocava em nome desse mesmo deus tinha um não-sei-que de odiável, algo de detestável ao ponto que as pessoas começavam a crer nela: ela mesma era a voz desse deus feito à imagem e semelhança das idiotices humanas.

Quem me conhece sabe que sou religioso e não abdico dessa minha dimensão espiritual! Mas quem me conhece também sabe que a minha Fé é racional: não posso crer que Deus seja um ser demoníaco ao ponto de desejar a destruição da humanidade e que tenha como Seus porta-vozes pessoas cujo único ímpeto é manter-se numa posição de prepotência.

Creio que com pessoas como aquela (e digo, nunca desprezei tanto um ser humano, como os criadores do filme conseguiram fazer-me desprezar nesta película) são as que nos urgem a repensar a religião, fazendo o propósito de cada um de nós tentar determinar conclusivamente se a religião é a própria base e princípio fundamental da cultura e civilização, ou se, como Voltaire e seus semelhantes supõem, ela frustra todo o progresso, bem-estar e paz sociais.

Sinceramente, não consigo imaginar a religião senão como meio do progresso e desenvolvimento humano. Afinal, dizem as Escrituras da minha religião que “O propósito fundamental que anima a Fé e a Religião de Deus é o de salvaguardar os interesses do gênero humano, promover sua união, e nutrir o espírito de amor e solidariedade entre os homens”. E uma pessoa capaz de odiar e desprezar a todos, criticar até ao ponto de lhes desejar a morte, de insultar e aspirar a sua redenção e de mais ninguém não me parece que consiga entender a citação acima! Ou será que consegue?

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segunda-feira, abril 14, 2008

Da leitura, da Trindade, e da Religiosidade

Há dias li um livro do falecido antigo e ex-Cónego da Catedral de Dt. Patrick, Dublin (Irlanda) e também Arcediago de Clonfert, George Townshend. Uma figura cuja obra merece ser estudada por todos aqueles que se gostariam de afirmar como doutos nas ciências de análise religiosa.

O livro que li possuía toda uma análise coerente (mesmo que se discorde dele não se pode deixar de confirmar a coerência nos argumentos expostos) de toda uma série de questões religiosas e dogmáticas, sociológicas e sociais, históricas e culturais, desde o tempo de Jesus Cristo; começando, assim, o seu livro com o Capítulo Chamado de Deus aos Cristãos e terminando com O Reino na Terra, logo antes do epílogo.

Sobre o Cristianismo, aquele dos tempos de inicias, ele comenta:

Uma nova qualidade de amor caracteriza agora o Reino, amor este que unia os crentes não só com Deus mas também uns com os outros e até se estendeu aos inimigos e “àqueles que vos odeiam”. (…) O supremo ideal deste amor, segundo mostra o Evangelho de S. João, foi a relação entre Cristo e o Pai e, embora revelada na linguagem simples, em palavras sem adorno, salienta-se como a mais alta expressão do amor divino nas Sagradas Escrituras.

Uma análise minuciosa é feita sobre esta relação entre Jesus, o Filho do Homem, e o Pai, Deus Todo-Misericordioso; e, aqui, uma das coisas que mais me chamou a atenção, na obra, foi essa capacidade de me explicar, finalmente, a questão da Santíssima Trindade. O autor explica sobre a “crença geral de que Jesus Cristo foi encarnação única de Deus” e sobre o facto de “nas próprias palavras de Cristo registradas no Evangelho, entretanto, nada se encontra em apoio de tal crença”, conforme os argumentos que aqui tento sintetizar.

  • Jesus era enfático na distinção entre Ele Próprio e o Pai, dizendo:
    • do Pai que me enviou” (João, 14:24);
    • Vou para o Pai” (João, 14:28);
    • porque o Pai é Maior do que eu” (Idem);
    • vou ao Pai” (João, 16:16);
    • eu rogarei ao Pai” (João, 14:16);
    • nada faço por mim mesmo; mas falo como o Pai me ensinou” (João, 8:28).
  • Também afirmou que ao Pai pertencia o conhecimento desconhecido por Ele, o Filho:
    • A respeito, porém, deste dia ou desta hora, ninguém sabe quando há de ser, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas só o Pai” (Marcos, 13:32).
  • Ainda, Ele falava de Si mesmo como profeta (Mateus, 13:57).
Para Townshend, faz-se fundamental entender o conceito de Espírito da Verdade e entender que há duas realidades distintas, pois o Próprio Cristo fala de um “ele” e de um “eu”:
  • Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; (…) Ele me glorificará, porque há-de receber do que é meu” (João, 16:13-14).

O autor continua explicando que, como consequência de más interpretações das Escrituras Sagradas do passado, “os adeptos de todas as religiões do mundo têm inventado para si crenças semelhantes, afirmando ser único e final seu próprio Profeta. Em consequência disto, nenhuma religião reconheceu aquele Profeta de uma religião posterior. Os hindus não acreditam em Buda, nem os budistas, e nem ainda os zoroastrianos, em Cristo. E o resultado dessa crença delusória é que as religiões do mundo têm concorrido para a divisão da humanidade em vez de sua unificação”.

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