quarta-feira, janeiro 02, 2008

O país da multiculturalidade e da multipossibilidade

Começa daqui a dois dias a grande corrida presidencial, no país em que talvez todos os cidadãos do mundo devessem votar: o Estados Unidos da América.

Sim “o” Estados Unidos, singular, porque é um só país. Há uns anos ninguém dizia “os Estados Unidos do Brasil” e hoje ninguém diz “os Estados Unidos do México”… Trata-se de uma única nação cujo sistema político, ímpar, pode ser o sistema político a ser adaptado numa possível federação Terra: cada membro do coletivo tem o seu peso, conforme a sua influência geo-economico-política. Um ser humano é um ser humano, mas um estado não pode ser comparado a outro, uma região não tem as mesmas especificidades que outra e, por isso, não se pode esperar que todas essas regiões sejam tratadas da mesma forma. O que a legislação eleitoral americana diz é simples: tratemos igual o que é igual, mas também sejamos justos e tratemos diferente o que é diferente.

E, é nessa diferença que encontramos um leque único de candidatos. Só nesta aceitação da diferença é que se poderia assentar a panóplia de candidatos às primárias, com a sua diversidade cultural, política e religiosa. Nesta corrida, (quase) tudo será possível!

Vejamos cada um dos lados.

  • John Edwards (54 anos) – O primeiro a anunciar intenção de candidatura é um democrata que sai do meio das terras do sul republicanos: é um pouco como ser cristão quando toda a família é judia. É assim, o senhor de uma imagem de progressista furioso.
  • Hillary Clinton (60 anos) – Ex-primeira dama traída pelo marido. Ex-primeira-dama extremamente popular. Esposa de um dos mais populares presidentes estadunidenses. Actual senadora extremamente popular, com suas intervenções no campo da saúde e da segurança social. Afinal, o que é que ela tem de especial? Tem tudo para ganhar, não tem? Até consegue ser a primeira mulher (logo à seguir à Geena Davies) a ter hipóteses de se imaginar na Casa Branca! (Com Bill Clinton na ala leste da Casa Branca a fazer de Primeiro-Cavalheiro).
  • Barack Obama (46 anos) – Inexperiente senador júnior que deu nas vistas quando Kerry/Edwards tentavam a vitória há cerca de 4 anos. Deu nas vistas, pelos mesmos motivos que dá nas vistas hoje: é negro mas não é descendente de escravos; é estadunidense filho de imigrante; e tem que correr para a campanha no senado a cada dois anos para garantir-se como o único negro lá e não tem qualquer forte experiência nacional, mas tem o carisma e o magnetismo de JFK. Um senador negro, ou melhor, um afro-americano à luta pela presidência (David Palmer ao menos era um conhecido congressista!).
  • Outros menos conhecidos são: Bill Richardson que poderia ser o primeiro hispano-americano a assumir a presidência, o que poderia ser uma vantagem para as negociações com os latino-americanos cada vez mais ressabiados (porque não repescá-lo para a vice-presidência?) e o primeiro a dizer que algo cheira mal quando se fala em Roswell; Dennis Kucinich o primeiro a assumir publicamente que teve contactos visuais com OVNIS (o que ainda por cima parece ter ocorrido na casa de Shirley MacLaine); Joe Biden seria o primeiro com implantes capilares e Chris Dodd o primeiro a dizer que os seus cabelos brancos provam que é o homem para o cargo (eu tenho um fio branco, seria apto a ser seu vice?); e há um Mike Gravel que poderia ser o primeiro presidente do EUA que se reformou no mesmo ano que eu nasci (não é a toa que nunca tinha ouvido falar dele: saiu da política em 1981 e agora quer ser Presidente! pode até ser o homem para o cargo, mas será que tem alguma hipótese popular?).

Do outro lado, o número de competidores aptos ao lugar são mais de três e por isso, organizo-os por idades.

  • Ron Paul (72 anos) – Membro da aeronáutica, batista, e médico ginecologista, portanto seria o primeiro presidente do EUA a dar a luz a mais de 4.000 crianças.
  • John McCain (71 anos) – Senhor de outra geração, seria o primeiro (e último talvez) prisioneiro de guerra do Vietname a chegar ao posto. É respeitado por todos, mas não tem tanto dinheiro que os demais; tem a maior carreira política e por isso talvez o menos adaptado aos tempos que correm (ou talvez o mais sábio, dependendo da perspectiva) e, como republicano típico (talvez o único qualquer coisa típico nessa corrida presidencial) apoiante acérrimo da guerra no Iraque (escusado será explicar essa desvantagem).
  • Fred Thompson (65 anos) – Tentativa de replay de Ronald Reagan, seria o ator, digo, o presidente mais alto da história da Casa Branca, com 1,98 metros. A sua vantagem está na altura e na voz robusta, mas a aparência sem um bom guionista não chega!
  • Rudy Giuliani (63 anos) – O super Mayor do 11 de Setembro que perde, por isso, o apoio dos bombeiros e policiais (mas será que a culpa foi dele ou dos que causaram a queda dos prédios?), sendo um conservador casado três vezes, moderno, progressista, mas preocupado com a segurança e o primeiro descendente de italianos com reais chances de chegar ao cimo da política estadunidense.
  • Mitt Romney (60 anos) – Não bebe cafeína (como poderá manter-se acordado para as grandes decisões?) pois seria o primeiro presidente do EUA a ser mórmon. A dificuldade de ser presidente do país e seguir os valores de sua fé são vistos nas aparentes mudanças de posição em temas polémicos (aborto, entre outros), mas consegue ser o que tem mais dinheiro e uma das melhores imagens desse período da campanha (não fosse o primeiro a ter aderido ao facebook!).
  • Duncan Hunter (59 anos) – faz jus ao seu nome: hunting down (caçando) os imigrantes ilegais (algumas de suas propostas são boas, mas isso de ser o hunter não é lá muito bom...).
  • Alan Keyes (57 anos) – é negro e republicano, o que, à primeira (à segunda e terceira vista) pode ser um problema na hora de ganhar votos, mas é inédito, como os demais!
  • Mike Huckabee (52 anos) – Consegue dividir o apoio da igreja Batista (tipicamente afro-americana) a Obama por um simples fato: é um ex-pastor batista. Moderado, bem-humorado e desconhecido.

Mas, depois disso, poderá alguém dizer que algum desses candidatos pode ser considerado clássico? Talvez Edwards ou McCain, mas e será que esses darão nas vistas por e com alguma vitória?

Vejamos o que os próximos meses têm para nos contar.

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