quarta-feira, maio 21, 2008

O perigo da diversidade (???)

Aqui já falei várias vezes das vantagens da diversidade nas organizações, na Europa, ou nas eleições no EUA. Já falei que da diversidade surge a necessidade de Acordos que permitam melhor interação entre os povos.

Hoje, dia mundial da diversidade, explico porque sou tão a favor da diversidade.

A representação Bahá’í nas Nações Unidas declarou em 1990, no documento Combating Racism (em português, Combatendo o Racismo):

Na visão bahá’í, a unicidade do género humano representa uma interdependência orgânica dentro de uma entidade social corpórea. Isto implica que o bem-estar dos componentes constituintes desse corpo está inextricably interwoven com a do todo. Ademais, a unicidade essencial da raça humana não é restrita à dimensão física; estende-se aos aspectos sociais e espirituais da vida humana. Alentando e desvelando o potencial transcendental do homem, a diversidade cultural pode começar a ser vista como a expressão de sua verdade universal. Somente então as barreiras raciais percebidas poderão ser ultrapassadas.

Durante a minha estadia no Brasil fiz vários amigos, mas gostaria de aproveitar e falar de três deles. Hayden, Renê e Naim. O primeiro com nome anglófono, o segundo nome francês, e o terceiro nome persa. Dois nascidos no Brasil e outro no EUA. Os dois últimos estudam ciências e direito, e o primeiro é professor de inglês. Cada um dotado de um talento único: uma voz brilhante e sem comparação, uma capacidade de escrita doce, e uma astúcia lógica impressionante. Não poderiam ser pessoas mais diferentes, mas são estas as três pessoas com quem mais me dei no Brasil, ainda que por tempos curtos e escassos. Ouvir e sentir a música do Hayden, a escrita do Renê ou o pensamento do Naim faz-me pensar na unidade que se pode encontrar na diversidade humana. Enquanto alguns podem preferir rodear-se de pessoas que lhes são exatamente iguais, clones de pensamentos e gostos de si mesmas, outras tentam ter, entre seus amigos, os mais diversos e distintos de todos, pois entendem a beleza da humanidade na diferença.

Bahá’ís, por natureza, somos (ou tentamos ser) pessoas assim. Provimos de 236 países e territórios de todo o mundo, reunindo representantes de não menos que 2.112 raças, números entre apoiantes de origem cristã de várias denominações, muçulmanos de ambas variantes sunitas e chiita, judeus, hindus, zoroastrianos e budistas. Os livros de literatura bahá'í estão publicados em 802 idiomas. E não poderíamos ter uma Convenção Internacional que corresse melhor!

Mas, sabe-se lá porque, o estado iraniano teme essa diversidade, sente-se ameaçada por ela. Um dia conecta-a a atentados, no outro insulta-a. Um dia chama-lhe espionagem americana, no outro sionista. Um dia tortura crianças em escolas, no outro prende adultos em prisões. Desaparecem seus líderes, seus aderentes são vigiados, seus trabalho retirados, sua educação impedida. É possível entender como é que uma comunidade que, pacificamente, consegue aproximar tantas diferenças seja vista como ameaça tal que seja vítima de perseguições impávidas que nos fazem gelar não a espinha, mas a própria alma?

Como diria Phillipe Copeland:
Ainda aguardo alguém que me explique como é que uma religião que faz com que pessoas de todas as origens trabalhem em conjunto por um mundo melhor possa ser uma coisa má. Que possível ameaça pode apresentar a qualquer um? Porquê seus seguidores merecem assédio, destruição de seus locais sagrados, expulsão de escolas e trabalhos, aprisionamento e mesmo a morte? O que há de tão assustador na Fé Bahá'í?

Alguém, por favor, explique-me o medo à diversidade…






Do outro lado do mundo, no Brasil, a televisão faz uma cobertura sobre a possibilidade de encontrar a beleza da diversidade no lugar mais difícil de imaginá-la: no eixo Israel-Palestina.
Veja o vídeo do Globo Repórter:

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sábado, maio 17, 2008

Acordo Ortográfico (3 de 3) - ser a favor é entender o passado e sentir o futuro

A favor do acordo
Estou feliz com a aprovação do Acordo em Portugal! Bem, na realidade, pelo voto ratificativo que permitirá a Portugal manter a sua posição de catalisador da unidade idiomática portuguesa.

Se não fosse aprovado, a pergunta de Carlos Reis (professor de literatura) estaria ainda ecoando em nossos ouvidos: “Portugal deveria manter-se preso a uma abordagem conservadora da pronúncia, como se fosse o último bastião da identidade portuguesa?. O património é de um povo vasto e espalhado por quatro continentes ou de exclusividade de certos doutos que se recusam em ver o idioma evoluir, da mesma forma que no século XIX dizia-se que a ciência não poderia mais evoluir? Não! A Assembleia da República Portuguesa deu a sua resposta, apesar de todas as polémicas.

José Saramago (único Prémio Nobel de literatura em português) diz que “Temos que superar essa ideia de que somos os donos da linguagem”, pois “Os donos da linguagem são os que a falam, para o bem ou para o mal”.

Afinal de contas, o português é a terceira língua ocidental mais falada, após o inglês e o espanhol. A ocorrência de ter duas ortografias atrapalha a divulgação do idioma e a sua prática em eventos internacionais. Sua unificação, no entanto, facilitará a definição de critérios para exames e certificados para estrangeiros e ser contra ele é não entender Fernando Pessoa, aquele ídolo da literatura portuguesa, tão citado neste aceso debate que poderia dar uma guerra civil se fosse há uns anos atrás, quando, em 1931 escreve sobre o I Acordo (sim houve outro e aqueles que eram/são contra quase nem se lembravam) de 1911 que finalmente entraria em vigor:

Odeio (…) não quem escreve em orthographia simplificada, mas a pagina mal escrita, como pessoa propria, a syntaxe errada, como gente em que se bata, a orthographia sem ipsilon, como o escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.

Sim, porque a orthographia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da translitteração greco-romana veste-m’a do seu vero manto regio, pelo qual é senhora e rainha.

Tão aguardada senhora e rainha a ver quando chegas! Daqui a 6 anos em Portugal? Que assim seja... a aguardaremos.

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sexta-feira, maio 16, 2008

Acordo Ortográfico (2 de 3) - Ser contra é estar na moda ou é saber algo?

Ser contra

A última moda do momento é ser-se contra o Acordo. O que não entendo é porque agora é que é moda e não era moda há uns anos quando foi discutido em sede própria. Pois bem, suponhamos ainda que ninguém tinha reparado no Acordo e que só hoje é que despertamos para a sua aparente ilógica. Mas, valerá a pena a argumentação bacoca que se tem lido nos últimos dias na internet?

Os argumentos que mais tenho lido em defesa de uma certa petição e contra o Acordo seguem, a sublinhado, com os meus comentários em frente.

  • A questão etimológica: Se do latim passámos ao galaico-português e deste ao português, sem quaisquer problemas, de onde surge esta questão dentro do mesmo idioma? Se a origem da palavra se faz importante, poderemos então defender a utilização de mause ao invés de dizermos rato em Portugal? Ou veículo de duas rodas ao invés de dizermos motocicletas? Pergunto ainda, aonde estão as razões etimológicas para termos presidenta em nossos dicionários?
  • “Se são portugueses e vos resta algum orgulho nacional”: Será que isso me inclui ou por ter adquirido a nacionalidade serei menos português? Será este o argumento daqueles desprendidos que se preocupam pela unidade dos povos? Como diria alguém: sejamos patriotas, mas universais.
  • “Ninguém tem que alterar a sua forma de escrever para que nos entendamos. Nem os portugueses, nem os guineenses, nem os brasileiros!”: De facto, ninguém precisa alterar, até porque Fernão Lopes, Pêro Vaz de Caminho, ou Luís de Camões escreviam como nós e eles nunca teriam deixado mudar a sua escrita…
  • Comparações com espanhóis e hispano-americanos, britânicos e estadunidenses: No primeiro caso eles têm uma Associação de Academias de Língua Espanhola e todas as grandes decisões são tomadas em conjunto (alguém leu, por exemplo, a versão revista de D. Quijote ou de Cien años de soledad, os grandes exemplos literários de unidade idiomática?), e no segundo caso eles nunca fizeram da questão idiomática cerne de grandes discussões, mas nós de língua portuguesa sempre o fizemos, fazendo a primeira comparação um erro de lógica e da segunda uma impossibilidade (os primeiros são exemplares no trabalho e os segundos nem se preocupam com o tema).
  • Em Portugal se altera mais que no Brasil: Ainda que me pareça mais um argumento nada adulto (“se ele pode eu também posso” ou “ele não pode mais que eu” é o a género de argumentos de crianças que discutem pelos mesmos direitos que seus irmãos mais velhos e não de adultos que debatem temas sérios), confesso que em número de palavras trata-se de uma verdade (1,6% do vocabulário em Portugal e 0,45% no Brasil), mas em regras já vimos que é o contrário, que no Brasil haverá mais novas regras que em Portugal.
  • A possibilidade de haver mais que uma grafia poderá levar a confusões: Na realidade a aceitação dessas grafias para palavras como contacto e contato significa que ambas passarão a ser válidas e ninguém poderá ser criticado por usar uma e não a outra.
  • A necessidade de diversidade entre os povos de idiomas lusófonos deixará de ser respeitada: É deveras interessante ler este comentário logo a seguir ao anterior que critica a possibilidade de diversidade…
  • O idioma é mais que a sua ortografia, é a sintaxe, a semântica, a gramática no seu todo; tal mudança não irá aproximar nada: Talvez não, mas poderá ser o primeiro passo. Pergunto-me se já há tanto barulho por ser só ortográfico qual seria se o Acordo estipulasse todas estas mudanças…
Pergunto-me e só perguntas poderei fazer...

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quinta-feira, maio 15, 2008

Acordo Ortográfico (1 de 3) - origens e consequências

É habitual o ser humano temer a mudança, mas ela faz parte da sua natureza. Até mesmo Camões – tão equivocadamente citado na frase “idioma de Camões” (equívoco porque a sua escrita pouco tinha a ver com as formas atuais) – dizia: “Todo o mundo é composto de mudança”.

A necessidade de uma unidade idiomática faz-se fundamental para o progresso da humanidade no estádio de desenvolvimento no qual se encontra. Quem o sabe bem é quem tem um real contacto com outras realidades idiomáticas – e ser tradutor, fazer turismo, ter amigos noutro país não conta: ser imigrante é o desafio do século que está ante nós. Somente aqueles que não tiveram uma experiência fora de suas bolhas podem desconsiderar a necessidade de uma decisão por acordo internacional sobre o tema.

Eu sei um punhado de idiomas e sei escrever, razoavelmente bem, duas variantes do português. Na escola descontavam-me a nota porque escrevia de uma e não de outra forma. Os meus textos são revistos quer no Brasil quer em Portugal, porque não são perfeitamente daqui ou de lá. Eu dou uma olhada na nacionalidade do dono do blog, para saber como construo as frases nos meus comentários. É absurdo que eu tenha que saber duas vezes português, o meu idioma materno!

As mudanças...
...implicariam, para começar que todas as letras do nome dos imigrantes que chegam, dia após dia a Angola, Portugal ou Brasil (são apenas alguns exemplos) constassem do alfabeto. É ridículo continuarmos, numa sociedade global, a recusar que k, w e y não constem dos nossos dicionários.

Outra alteração seria nas palavras compostas. Estas deixariam de ser hifenizadas e passariam a ser aglutinadas. Quantas vezes eu e os meus coleguinhas, os meus amiguinhos que agora andam na escola e aqueles que me precederam devem ter tentado entender algo que seria quase aleatório? Pergunta-se “qual é com hífen e qual é colada?”. Agora, já será mais fácil: será benvinda (e já ninguém vai pensar que poderá ser bem-vinda) e autoestrada (no lugar de auto-estrada). Deixa-se também de ter dúvidas quanto a expressões diversas, como no caso dos dias de sábado e domingo, pois passam a ser uma locução ao invés de uma palavra: fim de semana (e não fim-de-semana).

Deixaremos ainda de ter o acento circunflexo nas terceiras pessoas do plural do presente (indicativo e conjuntivo) de verbos ficando creem, deem, leem e veem. Felizes aqueles que aprenderem agora o idioma, pois terão muito menos trabalho que nós!

Até aqui, parece que ambos os países sofrerão em igual medida. Mas com o desaparecimento das consoantes mudas como h, c e p (de acto e palavras afins), os portugueses sentem-se injustiçados. Admito que também não gosto muito de escrever omem ou úmido, mas esse caminho estava por vir (basta vermos as mensagens de telemóvel ou de comunicação por net e reparar a quantidade de h’s que desaparecem para economizar no espaço) e, também, entendo a sua lógica. Não entendo é o argumento da origem das palavras. Diz-se que a palavra provém de uma raiz tal que esta mudança incorreria a uma espécie de desrespeito. Pois bem, os apologistas dessa tese poderiam explicar-me, por favor, as causas que levam a não escrever sePtembro (que significa mês sept ou sétimo mês) ou a razão de aceitarem bem farmácia no lugar do pharmacia?

Já para aqueles que acham que os brasileiros não perdem muito (um dos maiores mitos do Acordo), lembrem-se que eles perdem o trema (quiçá um descendente do umlaut germânico que em Portugal nem se utiliza) – sequestro é a grafia portuguesa e será adotada no Brasil – e os ditongos abertos ei e oi de palavras paroxítonas também deixarão de ter acento – passando a ser assembleia e ideia, como em Portugal.

No final de contas apenas 2 mil das 110 mil palavras do vocabulário português seriam afetadas por este Acordo que permite aos novos aprendizes do idioma nem ponderarem escrever práCtico (que alguns amigos portugueses teimam em escrever mesmo sendo errado aqui: porque esse c não existe e outros existem?). E, mais permitirá, quem sabe, que se foque mais naquelas dificuldades que tenho visto até nalguns professores universitários em distinguirem fala-se de falasse, cuja confusão é quase abstrusa.

Talvez amanhã, dia que o Parlamento português estabelece o seu voto pela aplicação Acordo possa ser um dia memorável, se apenas aqueles que se acham os barões da língua não se levantarem em protestos…

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quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Os Idiomas são Importantes!

No Dia Mundial da Língua Materna, abrindo o Ano Internacional dos Idiomas, só posso deixar aqui uma reflexão que me acompanha desde os meus tempos de infância. Tendo sido educado numa religião cujo preceito fundamental é a unicidade de todo o género humano, pondero sobre a questão dos idiomas.

Já referi certa vez, neste mesmo blog, que considero que a aproximação de variações de um mesmo idioma poderia ser o primeiro passo para a unificação dos povos do mundo e a abolição dos preconceitos. Aliás, noutra oportunidade mencionei que a paz universal só poderá ser alcançada com o estabelecimento de determinadas coisas, entre as quais a unidade dos idiomas.

Bahá'u'lláh (1817-1892), o fundador da Fé Bahá'í, durante o seu exílio em território otomano, foi visitado pelo Primeiro-Ministro turco, Kamál Páshá, que lhe relatou o facto de conhecer inúmeros idiomas. Ele respondeu com a seguinte passagem:

"Desperdiçaste tua vida. Convém a ti e aos outros funcionários do governo promover uma reunião e escolher uma dentre as diversas línguas, bem como uma das escritas existentes, ou senão criar uma nova língua e uma nova escrita para serem ensinadas às crianças nas escolas de todo o mundo. Deste modo, as crianças estariam aprendendo apenas duas línguas, uma sua própria língua nativa, e a outra, a língua na qual todos os povos do mundo conversariam. Caso os homens aderissem firmemente àquilo que tem sido mencionado, toda a terra viria a ser vista como um só país, e os povos seriam desobrigados e libertados da necessidade de aprender e ensinar diferentes idiomas."

E, hoje, existindo 6.700 idiomas falados em todo o mundo, 3.350 delas estão em vias de extinção (segundo estudos, a cada duas semanas uma delas deixa de ser praticada), será que eu terei que falar 6.700 idiomas para poder me comunicar com o resto do mundo?
Eu que adoro idiomas, mesmo que soubesse 7 deles, teria o conhecimento de 0,10% dos idiomas do mundo. Serei eu um parco ser humano? Bem, não! Afinal de contas, 96% das línguas são faladas por 4% da população mundial. Mas, mesmo assim, será este o caminho? Despender dinheiros públicos para manter idiomas que já ninguém quer falar? Ou utilizá-los com apoios aonde realmente são necessários? Na educação de países em vias de desenvolvimento ou no apoio às vítimas de conflitos armados? Essas deveriam ser as prioridades do mundo!

A questão linguística deve levar-nos à alguma manutenção da beleza da diversidade idiomática, mas não a uma luta redundante pelo passado. Deveríamos criar meios de manutenção dos nossos idiomas nativos (quando necessário) e a criação urgente de um novo idioma que nos permitisse comunicar uns com os outros. Afinal de contas, o que é a comunicação senão a arte de pôr algo em comum, de conectar-se aos demais?

O slogan da UNESCO é verdadeiro, mas não poderia ser, ao invés de Os Idiomas são Importantes: um idioma auxiliar universal é importante? Espero que os debates sejam pragmáticas e focados na unidade do género humano, mais do que na manutenção do passado (por mais que eu adore aprender novos idiomas).

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domingo, agosto 26, 2007

A minha pátria é a língua portuguesa

A minha pátria é a língua portuguesa, já dizia um dos heterónimos de Fernando Pessoa. Não dizia ele "português do Brasil" ou "português de Angola", tampouco dizia "português de Trás-os-Montes" ou "português dos Açores", dizia, simplesmente, "português".

Essa é a pátria de 230 milhões de seres humanos por todo o mundo. Bem, na realidade um conjunto de oito (ou mais) pátrias que poderão se unir, não se tratasse de um esforço conjunto.

O Blog da Embaixada de Portugal no Brasil transcreveu, há uns dias, o texto publicado no Jornal O Estado de São Paulo acerca do tema do acordo ortográfico, no qual pode-se ler que "O fim do trema está decretado" e que "A nova ortografia também altera as regras do hífen e incorpora ao alfabeto as letras k, w e y". O acordo deverá vigorar somente a partir de 2008, como resultado da decisão da CPLP de que tal ocorreria apenas "quando três países ratificassem o acordo (...). O Brasil ratificou em 2004. Cabo Verde, em fevereiro de 2006, e São Tomé e Príncipe, em dezembro".

O que me intriga é como é que a decisão de três países (ainda que como resultado de acordo dos oito) possa sobrepor-se aos demais cinco (uma maioria). Portugal, Angola, Guiné-Bissau, Moçambique e o recém-nascido Timor Leste não o ratificaram (nem o ractificaram), mas deveriam participar no processo.

Então, o que será feito? Esperar-se-á uma participação unívoca e focada, um esforço concentrado e conjunto ou apenas uma decisão unilateral de âmbito idiomático? É que, como disse o Presidente da Academia Brasileira de Letras, no mesmo artigo, "Hoje é preciso redigir dois documentos nas entidades internacionais: com a grafia de Portugal e do Brasil. Não faz sentido". Com a aproximação humana, e a globalização da civilização, não seria esse o primeiro passo? O passo para ultrapassar as barreiras idiomáticas que separam as nações para podermos, por fim, ultrapassar as demais barreiras que nos separam mais do que nos aproximam?

Afinal de contas, quando é que veremos a Terra como um só país e, consequentemente, com um só idioma? Demos nós, os da pátria linguística portuguesa, o primeiro passo.

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