Uma multidão alvoraçada gritava “Will, Will, Will”...
De longe, lá estava ele, a estrela do momento (deste e de tantos outros), Will Smith saindo de uma ante-estreia europeia em Londres, sorrindo numa foto que ele mesmo estava tirando com uma de suas fãs, enquanto a multidão tentava obter mais uma foto, um autógrafo, um toque, qualquer coisa.
Impressionante como nos entusiasmamos com actores e cantores, mas não bradamos "Saramago, Saramago", "Pamuk, Pamuk" ou "Annan, Annan" se cruzarmos com eles na rua. Vi Saramago na Feira do Livro de Lisboa há um par de anos, e estava sentado em sua cadeira, esperando que algum possível fã se aproximasse e pedisse, talvez, um autógrafo. Quanto a Pamuk, se o visse, possivelmente nem o reconheceria, quanto mais lhe pediria um autógrafo ou uma foto com ele.
Talvez eu esteja enganado, mas acredito que a maturidade da humanidade virá quando tratarmos de igual forma as estrelas (cadentes) do cinema e da música com as outras estrelas e astros que lutam pelo bem-estar da humanidade, através de suas ideias e pensamentos, ou suas atitudes e ações.
Gritando por eles? Não! Montando aparatos de segurança quando eles passarem? Não! Ao invés, quando Will Smith for tão comum como qualquer um de nós e Koffi Annan for tão humano como nós e deixarmos de pensar no panteão celeste e os convidarmos a serem humanos, sem distinções e sem cânticos exagerados da multidão.
Até lá, só me resta, tentar tirar uma foto de Will Smith…
Will Will Will Will Will…
(fotos à esquerda: Hércules, a estrela da antiguidade "clássica").
(foto à direita, da esquerda para a direita: Socrátes, Antistefenes, Crisippos e Epícuro, pensadores da anitguidade "clássica").
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