domingo, janeiro 21, 2007

Quando o medo se converte em livro

Quando as espadas cintilam, avança!
Quando voam os dardos, segue avante!
Bahá'u'lláh (1817-1892)
in Epístola do Fogo.
Trad. para o português pela Editora Bahá'í do Brasil.
Quando vivemos sob um idioma como o português, onde cada átomo do pensamento tem uma palavra própria, onde cada movimento milimétrico da emoção se assume sob outro termo, pessoas de índole interventiva e livres pensadores se convertem em seres indomáveis e inabaláveis em seus pensamentos.

Vítor é um desses casos. Congruente entre actos e ditos, consciente de suas limitações e capacidades, coerente na escrita, ciente de onde veio e aonde pode ir. O Vítor e eu nos entendemos! Naquilo que muitos chamam de preciosismo, naquela aura de meticulosidade, naquele espírito de análise milimétrica de sentidos e significâncias já não és meu afilhado, Vítor, és meu irmão.

Sabes que júbilo é uma emoção e que festa é uma acção. Sabes que a alegria é um estado passageiro e que a felicidade é o estado derradeiro. E é isso que te torna especial! Falta-te descobrir que todos somos taciturnos, mas a taciturnidade não está no nosso imo. Da mesma forma que o mal é a ausência do bem e que a fome é a ausência de alimentação, a melancolia é a ausência do júbilo e a tristeza é a ausência de felicidade.

Não lamentes se algumas mentes ébrias não compreendem a sobriedade de tuas palavras, nem tampouco esperes que te aceitem ao primeiro intento. É a volição que te ergue sobre os demais, não a mesquinhez ou o egocentrismo. O que te faz único é essa humildade que te domina: reside nela, mas não a deixes dominar-te! A humildade de quem sabe que há outros melhores: habita nela! Foge daquela humildade que te dá a entender que és o pior de todos.

E, se não conseguires deixar a tua marca e os nós do teu tricot forem desfeitos pela efemeridade do tempo, sabe tu, concerteza, que os valores vivenciais, estes sim, sobrepõem os limites do espaço e do tempo e que estas amizades que unem as almas dos homens mantém-se ad aeternum.

Que o teu primeiro livro seja o teu primeiro passo para o renascimento! Que o
Tricot do Tempo seja uma memória no teu horizonte e seja mais um pilar sobre o qual possas estabelecer a tua existência!

Tricoteia meu amigo, tricoteia com o tempo.

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1 Comentários:

Blogger Vítor Sousa disse...

Meu irmão Sam, só hoje me foi permitido aos olhos escorregar sobre estas palavras de lodosas ternuras. Não creio ser merecedor de tamanha distinção, mas rejubilo, em constante festa que a taciturnidade pode ocular, pelo facto de um dia ter vivido para te poder chamar de irmão.
Não consigo escrever mais, ou tudo será opaco. "Palavras embargadas são espelhos que a emoção tornou baços", escrevi a propósito da gratidão. Eufemismos, quando se trata de ti. Um grande abraço, irmão "ad aeternum"

27 janeiro, 2007 14:49  

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