quarta-feira, novembro 19, 2008

Estarão mesmo fora do jogo?

O artigo XII da Declaração Universal dos Direitos Humanos declara:

Todo ser humano tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado.

Ou seja, qualquer ser humano pode circular dentro do seu país em qualquer lugar, sem distinções. O acesso a locais públicos não pode ser barrado, mediante o cumprimento de determinadas condições (ou regras) que estejam estabelecidas. Por exemplo, apresentação de documentação à entrada de um edifício ministerial ou a compra de um ingresso para acessar a um estádio de futebol são motivos válidos. O que não pode ser permitido são discriminações como as citadas no II artigo do mesmo documento:

Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, idioma, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.

Há dias, tive a oportunidade de ver, na cidade de Portimão, o filme iraniano Offside (Fora de Jogo), um filme que justamente retrata a proibição regulamentada de as mulheres iranianas poderem entrar no estádio de futebol e ver um jogo.

Contudo, para além da excelente diretor, Panahi foi capaz de recriar uma simples realidade no argumento da história: as mulheres, à semelhança de outros grupos marginalizados no Irã, são vítimas mas não se fazem de vítima! Poderiam ficar em casa, submissas a um pseudo-machismo estatal, mas optam por sair e tentar a sua sorte e, muitas vezes, conseguindo, entrar e ver o jogo.
Nalguns casos, e estes são os retratados no filme, elas são apanhadas e os soldados que, apenas cumprem regras, mantém-nas presas na parte de trás do estádio. Mas, mesmo assim, elas não desistem! Argumentam, conversam, dialogam, tentam.

Com um humor pouco ou nada refinado, mas muito bom, o autor demonstra que no Irã o regime de opressão está quase só. As mulheres tentam a sua sorte! Os guardas repetem continuamente que apenas cumprem ordens e dão a entender que até poderão discordar delas. Os jovens no estádio e fora dele ajudam, sempre que houve oportunidade, as mulheres. Apenas alguns poucos se aproveitam da situação para ganhar mais lucros com a questão. A cena que o pai de uma amiga das meninas levanta a mão para esbofetear uma das meninas mas que é impedido pelo soldado de mais alto posto é prova evidente de que, cada vez mais, e por mais que se continue tentando, o inevitável está à vista: a igualdade de género é iminente, seja aonde for, até mesmo numa das mais oprimidas das nações!

Veja o trailer e se for um dos leitores que souber persa, veja o filme. E se for dos que não sabe, então faça um esforço para conseguir obter uma versão legendada (apesar de ela deixar muito a desejar), pois o filme vale mesmo a pena!

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2 Comentários:

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Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

18 novembro, 2009 12:10  

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