domingo, outubro 12, 2008

Jornalismo parcial!

Jornalismo deveria ser imparcial! É o que eu sempre pensei, o que sempre defendi.
Tenho amigas e amigos jornalistas, professores de jornalismos, estudantes de jornalismo. Eu mesmo estive envolvido com jornalismo universitário e com jornalismo científico e tentei sempre aprimorar o meu trabalho em imparcialidade! A verdade é que é um trabalho árduo e difícil. Muitos chamam-me a atenção para este ou aquele ponto que pode ser melhorado e, ouvindo os conselhos dos amigos, vou tentando caminhar para aquele estado no qual o jornalismo é um espelho polido da realidade!

Mas será que o jornalismo real, sério, prático segue esse caminho? Será que o New York Times e a CNN, os meus dois meios de comunicação prediletos são imparciais, neutros, corretos? A resposta, claramente, é... NÃO!

Recebi há cerca de 24 horas dois alertas na minha caixa de correio eletrónico. A notícia de última sobre a Governadora do Alaska, que estava em investigação antes mesmo de ser conhecida como vicepresidenciável por alegado abuso de autoridade.
O alerta da CNN, que remetia para a notícia, dizia:
A Gov. Sarah Palin abusou de seu poder no estado ao demitir um oficial mas não violou a lei, um painel legislativo do Alaska constatou.
O alerta do NYTimes, também remetindo para uma notícia, dizia:
Um comité legislativo investigando a Gov. Sarah Palin constatou que ela ilegalmente abusou de sua autoridade ao demitir o comissário público de segurança do Alaska.

Achei estranho! Um diz que é ilegal e o outro que não?
Reparem nos textos que apareciam no próprio site àquela hora. Li os textos, e a CNN era clara que ela agiu dentro das suas competências e da legalidade, apesar da situação ser dúbia. O NYT dizia que ela agiu abusivamente.

Pensei um pouco, e lá fui à pesquisa e o que descobri, senão o que eu já imaginava.
Aos menos atentos, relembro, Sarah Palin está na equipa presidenciável republicana.

Richard D. Parsons, chairman do Conselho de Diretores da TimeWarner (proprietária da CNN) é... Republicano!
E Arthur Sulzberger, Jr., chairman do Conselho de Sócios (e filho, e neto dos chairmen anteriores) da NYT Company, é... membro de uma família que é tida como clara apoiante dos democratas (sejam quais forem!) e o próprio jornal está cheio de ideias liberais.

A questão não é se apoio a este ou aquele candidato. Se ajudo-o ou não! Se sou isto ou aquilo. A questão é que o jornalismo não pode brincar com os factos. E apesar de o NYTimes ter vindo a alterar o texto 18 minutos mais tarde, a maior parte só lê o texto que vai à caixa de email e não abre a notícia. E lá, era claro, a mulher agiu ilegalmente! A verdade aqui não é suficiente (ela agiu de forma dúbia! não, aproveita-se até ao máximo e abusa-se a verdade).

Sinceramente, não sou nem pró-McCain/Palin nem anti-Obama/Biden. Nenhuma das duas listas é, na minha perspectiva, boa o suficiente! Mas, já me dão asco as notícias incompletas, falaciosas, tendenciosos.
A imprensa Obama elogia o ser ar fresco de quem não é do sistema e critica o facto de Palin não ser do sistema e ser inexperiente. Criticam os votos pró-guerra McCain e elogiam a posição anti-bélica de Biden quando ele, na verdade, votou a favor da guerra! A filha grávida de Palin é sinal de malfuncionamento familiar, mas ninguém relata a história do irmão de Obama que vive numa favela de Nairobi possa ser o mesmo! McCain esteve envolvido num escândalo político dos anos 80, mas Obama nunca se envolveu com o cartel mafioso!
A imprensa McCain tampouco é santa! Cria mentiras e desvirtua verdades! Chama Obama de terrorista. Critica a diferença de pensamento entre Biden e Obama, mas não repara que Palin não poderia ser mais diferente de McCain.
E a lista continua... nem vale a pena continuar a dizer seja o que for.

No fim, a vitória será de um homem: Obama ou McCain! As consequências? Essas sim, serão vividas por todos!

(se o Pres. Obama fizer asneiras, o NYTimes vai encontrar forma de justificar e se o Pres. McCain fizer algo louvável, quem sabe, o NYTimes vai dizer que foi um conselheiro democrata que o levou a tal...)


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O país da multiculturalidade e da multipossibilidade
Eleições EUA: o último dos tabus
Debate vicepresidencial e outras coisas...

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3 Comentários:

Blogger Femi disse...

infelizmente o jornalismo perdeu aquela função de "informar" para que você tire suas próprias conclusões e está muito mais preocupado em persuadir e convencer, uma espécie de controle de massa.

13 outubro, 2008 00:15  
Blogger Fábio Mayer disse...

Não existe e nunca existiu jornalismo imparcial, basicamente porque ele depende da interpretação de fatos.

O que existe ou não é jornalismo sensato, embora a queda geral da qualidade dos jornalistas no mundo todo esteja extinguindo a informação baseada no bom senso.

13 outubro, 2008 12:28  
Blogger Ricardo Rayol disse...

Se ficar um mês no Brasil verá que aqui é muito bizarro isso.

Pode acompanhar comparando a Folha On line com o Estadão on-line.

21 outubro, 2008 13:48  

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