segunda-feira, agosto 11, 2008

Há uma década: o Eclipse, as Profecias e os tais Monstros

Quem me conheceu há uma década atrás concerteza se recordará de me ver viciado com um certo autor francês (e não era nenhum dos dois Dumas que há muito também aprecio), mas um obscuro médico que pouca gente saberá o seu papel crucial na história medieval francesa.

Herói para muitos contemporâneos seus do Século XVI, Michel foi um dos médicos que ajudou populações necessitadas da França e de Itália a sobreviver a grande Praga na Europa. Mas, não foi assim que se fez conhecido. Em contacto com a Monarquia francesa, escrevendo uma elegia a um dos monarcas, inclusive proclamando o seu regresso (Epístola a Henry II) como salvador da humanidade, Michel de Nostradame veio a ser conhecido com o seu nome latinizado de Nostradamus.

Tornou-se assim o autor mais conhecido do mundo das "profecias", citado pelos maiores e pelos piores, como escusa para justificar qualquer coisa. O seu brilhantismo apenas aproximado à sua humildade na recusa de ser reconhecido como profeta, fazia ver-se como mero servo da igreja (apesar de suas origens judaicas). Aliás, o que explicou a seu filho Cesar, foi que reinterpretava a Bíblia (Velho e Novo Testamentos) em quadras de dez sílabas métricas, conhecidas como as Centúrias. Cada quadra, diz-se, possui um evento e, conforme muitos autores, o que parece ter acontecido é que ele misturou-as, como que num baralho de cartas, para que ninguém pudesse compreender a ordem dos eventos. Seja como for, é-lhe atribuído a previsão da I Guerra Mundial, do auge de Hitler, do poder de Staline, da morte de JFK, da revolução islâmica e uma série de outros eventos que me chamaram a atenção.

Mas o que sempre me chamou a atenção foi a seguinte passagem:

No ano de 1999, no mês sept. virá dos céus um grande rei dos Angolmois.
Marte se regozijará de alegria, antes e depois de sua vinda.

A dita profecia, à semelhança de outras que citavam anos exatos, falhavam em alguns meros pares de anos, uma vez que Nostradamus trabalhou com as translações de planetas (movimentos calculados com maior exatidão décadas depois por Galileu). Assim sendo, um par de anos depois de 1999, no mês sete (setembro ou sétimo) algum rei maléfico (Angolmoi é tido como anagrama de Mongol, portanto de anticristo pelos círculos "especialistas") viria dos céus e a guerra despontaria (Marte se regozijando) mais do que nunca.

Mas o fanatismo exagerado de algumas pessoas não despontou em Julho de 1999, mas meses antes, em Agosto de 1998, há dez anos, no dia 11, interpretando outra passagem:

Quando o eclipse do sol vier, em pleno dia o monstro será visto.
Todos irão ter interpretações distintas.

Preço alto será cobrado.
E ninguém estará preparado.

Já lá vão dez anos, pelo menos dois eclipses vieram, e ninguém viu o tal monstro. Ou falharam no eclipse, ou as interpretações foram mesmo tão distintas que ninguém assume a realidade. Ou Nostradamus enganou-se ou já pagamos um preço alto quando o Sol Espiritual nos quer iluminar, fazendo desvelar o mais monstruoso da humanidade e nós justificamos desigualdade social, aquecimento global, doenças, guerras, falta de sentido, fanatismo, terrorismo, racismo, extremismo e tantas outras coisas com interpretações distintas, com filosofias, economias, política e demagogia.

Talvez Nostradamus não soubesse nada de nada e fosse simplesmente bom poeta e bom médico. Mas, uma coisa é certa: O preço alto está a ser cobrado e, apesar das interpretações diversas, ninguém está preparado!

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