terça-feira, abril 29, 2008

A Névoa do Fanatismo

The Mist foi um filme que me perturbou! Do mesmo autor e criador de 1408, Desperation, Dreamcatcher, The Green Mile, Storm of the Century, The Langoliers, The Shawshank Redemption e de The Shining e Carrie que me deixaram sempre aturdido com finais surpreendentes, aqui, não foi o final que me assustou! Incomodou-me e entristeceu-me, sem dúvidas, aquele final estranho e totalmente previsível, mas não me aturdiu!

O que me assustava no filme não eram os monstros estranhos e bizarros que provinham de alguma estranha origem, nem os seus tamanhos, grunhidos e zumbidos, a sua capacidade de matar e despedaçar pessoas! Nada disso me assustou tanto como a torpeza do ser humano, tão bem delineada e ilustrada neste filme.

Para quem não viu o filme, há uma personagem interpretada brilhantemente pela atriz Marcia Gay Harden que me assustou mais que qualquer Freddy, Jason, ou Chucky deste mundo. Uma mulher que ilustrava a religião no mais fanático e triste que ela poderia ser. De algum culto cristão que acreditava que o Senhor Deus teria alguma espécie de ódio e rancor contra a Humanidade, regateando com Ele o seu papel pessoal naquilo que seria a Sua obra.

King sempre se mostrou atento à questão Deus-Humanidade-Demónio, mas nunca mostrou tão bem como o Diabo e a Divindade podem residir nessa Humanidade. Essa mulher, vil e desprezível que mandava em nome desse deus, que matava em nome do seu deus, que estava certa e nunca se equivocava em nome desse mesmo deus tinha um não-sei-que de odiável, algo de detestável ao ponto que as pessoas começavam a crer nela: ela mesma era a voz desse deus feito à imagem e semelhança das idiotices humanas.

Quem me conhece sabe que sou religioso e não abdico dessa minha dimensão espiritual! Mas quem me conhece também sabe que a minha Fé é racional: não posso crer que Deus seja um ser demoníaco ao ponto de desejar a destruição da humanidade e que tenha como Seus porta-vozes pessoas cujo único ímpeto é manter-se numa posição de prepotência.

Creio que com pessoas como aquela (e digo, nunca desprezei tanto um ser humano, como os criadores do filme conseguiram fazer-me desprezar nesta película) são as que nos urgem a repensar a religião, fazendo o propósito de cada um de nós tentar determinar conclusivamente se a religião é a própria base e princípio fundamental da cultura e civilização, ou se, como Voltaire e seus semelhantes supõem, ela frustra todo o progresso, bem-estar e paz sociais.

Sinceramente, não consigo imaginar a religião senão como meio do progresso e desenvolvimento humano. Afinal, dizem as Escrituras da minha religião que “O propósito fundamental que anima a Fé e a Religião de Deus é o de salvaguardar os interesses do gênero humano, promover sua união, e nutrir o espírito de amor e solidariedade entre os homens”. E uma pessoa capaz de odiar e desprezar a todos, criticar até ao ponto de lhes desejar a morte, de insultar e aspirar a sua redenção e de mais ninguém não me parece que consiga entender a citação acima! Ou será que consegue?

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1 Comentários:

Blogger Ricardo Rayol disse...

concordo pena que os líderes não enxergam isso e é cada um puxando a brasa para sua sardinha queimada

29 abril, 2008 16:42  

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