quinta-feira, setembro 27, 2007

Police: melhor do que nunca!

Enquanto, há dois dias atrás, estava meio mundo e a maioria dos meus amigos, ouvindo o Presidente do Irão dizer que não há problemas de liberdade no Irão, que o seu povo é o mais instruído no mundo, que o fenómeno da homossexualidade não existe, que nenhum jornalista é preso indevidamente e que os bahá'ís nem sequer existem, estava eu, a saltar e a berrar noutro lado do mundo...

O concerto que a minha mãe não foi, mas que eu fui
Sting, Copeland e Summers juntaram-se numa tour mundial, levando os seus melhores sucessos de uma época na qual não vivi, num mundo que nem cheguei a conhecer. Separaram-se em 1984, quando eu nem sabia quem era e como era a vida. A minha mãe, em compensação, o meu pai e todos aqueles que viveram a sua juventude nos 70's viveram ao som de um grupo cuja estranha voz do vocalista iam ouvindo aos berros. Os seus pais, suponho, gostavam tanto desse grupo, como eles gostarão do hiphop dos filhos mais novos ou o rock dos mais velhos. A evolução do mundo da música é estranha. Para uns uma coisa é ruído, para outros é melodia pura.
Mas, ao que parece, para todos (ou muitos) The Police são um ícone para todas as gerações. Pessoas mais novas que eu (ainda mais novas, quem diria?!) e outras bem, mas bem mais velhas lá estavam, sentados nas bancadas ou nos relvados aos pulos, cantarolando todas as músicas que lá iam passando:
  • Message in a Bottle
  • Synchronicity II
  • Walking On The Moon
  • Voices Inside My Head / When The World Is Running Down
  • Don't Stand So Close To Me
  • Driven To Tears
  • Hole In My Life / Hit the road Jack
  • Truth Hits Everybody
  • Every Little Thing She Does Is Magic
  • Wrapped Around Your Finger
  • De Do Do Do De Da Da Da
  • Invisible Sun
  • Walking In Your Footsteps
  • Can't Stand Losing You
  • Roxanne
  • King Of Pain
  • So Lonely
  • Every Breath You Take
  • Next To You

O início deslumbrante e imparável com Message, a beleza com que entoaram o hino à infância Invisible Sun, os saltos dados em King, o romantismo do Every Breath foram inesquecíveis. Os dez minutos (não sei se foram mais ou menos: o fluxo temporal alterou-se naquele momento) de Can't Stand Losing You, comprovaram: Sting não é o mesmo quando está com os co-police. Não canta: actua em palco! Não mexe: salta, pula, se diverte e diverte ao público com o seu sotaque britânico-brasileiro ao falar português.
O grupo, por sua vez, era o grupo. Copeland mostrou-se como nunca antes o havia imaginado: tocando instrumentos que eu nem sonharia ver num show dos Police. Summers, imbatível, nas suas cordas de guitarra e Sting com uma voz mais quente que a de outrora, cantava, mas também deixava os outros dois mostrarem quão bom são: não como os CD's que tenho, na qual Sting é o rei e os outros lá estão; aqui o grupo era um constituído por três génios da música!

A organização Muita coisa boa e algumas falhas: transporte do estádio até Lisboa, mas não o reverso. Informações incongruentes: quem vendia dizia que com bilhete bancada poderia ir ao relvado, seguranças diziam que não, outros diziam que só determiandas bancadas davam acesso ao relvado. Transporte desde o Porto para Lisboa, para quem queria ir ao Concerto, mas o pessoal do Sul, nada! Acho que há muita coisa que o processo de reflexão pós-concerto poderá dar novas ideias para os próximos eventos a organizar pela produtora.

O filho... Fiction Plane é um grupo cujo vocalista tem postura de palco, sabe cantar e animar o público. Mas, Fiction Plane é o nome do grupo cujo vocalista é conhecido como o "filho de Sting" e não como Joe Sumner. Filho de Sting, Joe nunca poderá saber se a sua fama é pelo pai, ou por sua competência pessoal; jamais saberá se é conhecido e respeitado por ser quem é ou por ser filho de quem é. Filhos de bons reis, dificilmente são lembrados por outros motivos senão os seus pais: são comparados com eles e, sempre, associados a eles e aos seu legado. Para chegar aonde bem poderia chegar, Joe, não precisava de se associar ao pai, ao concerto do pai, ao nome do pai. Corre o risco de ser mais um dos muitos filhos de génios que nunca conseguiram ultrapassar essa barreira.
Outro aspecto a melhorar: as letras. Isso de calçar o sapato e colocar batôn para ir dançar não é música: a sua voz merece cantar algo melhor (como algumas das músicas que eles até tocaram que eram muito boas)!

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1 Comentários:

Blogger Sara Mello disse...

Oi, Sam!!
Obrigada pela visita. A arte é para todos...
beijo

29 setembro, 2007 21:09  

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