domingo, agosto 03, 2008

Mentiras na verdade

Uma das notícias desta manhã que já começa a estar por todo o lado é a que foi transmitida por um jornal iraniano, o Resalat, citando um certo Sr. Haddad (não aquele que brasileiros conhecem, mas um oficial responsável por assuntos de segurança da corte revolucionária da capital iraniana), de que os sete bahá’ís presos em Maio confessaram o seu crime:

Todos eles confessaram a formação de uma organização ilegal, incluindo (ter ligações) com Israel.

De facto, uma pessoa que lê isso pode achar que afinal de contas, nós os bahá’ís somos espiões do estado de Israel. Mas, o interessante é que apesar disso não ser verdade, a declaração em si não me parece falsa. Vejamos:

1. Sobre a primeira alegação que implica pertencerem a um grupo ilegal, eu iria ainda mais longe, afirmando que os bahá’ís iranianos pertencem a um grupo inconstitucional: ser bahá’í, ter uma religião que, segundo a agência Reuters, acredita na posição divina de “Abraão, Moisés, Buda, Jesus e Maomé” é considerada pela liderança xiita iraniana como “herético”, não estando, portanto legalizada pelo Regime Islâmico Iraniano.

2. A extensão da Comunidade Bahá’í a inúmeros países do mundo também é uma verdade comprovada, uma vez que a sua diversidade inclui uma extensão de 236 países e territórios de todo o mundo, reunindo representantes de não menos que 2.112 raças da Terra.

3. Quanto ao facto de recebermos ordens de Israel, bem, aqui a coisa já muda de figura. Recebemos orientações provindas de Israel, mas não do seu Governo, mas do Centro Mundial Bahá'í que está lá radicado, justamente porque o Governo Iraniano exilou o seu Fundador, Bahá'u'lláh, a Israel, nos primórdios dessa Fé.

Desta forma, sim, todas as alegações são verdadeiras! O que é claramente falso é aquilo que os meios noticiosos iranianos tentam subentender delas: de que somos espiões (hoje de Israel, há uns anos da Rússia) que não tem a mínima lógica. Afinal de contas, se eu fosse espião de Israel, a minha condição financeira era capaz de ser bem melhor!

Mais interessante ainda, é que isso é tornado público dias após a CNN e outras agências reportarem agressões e ataques contra bahá'ís iranianos (casas queimas e pilhadas, entre outras coisas), dois dias depois da Casa de Representantes do Congresso estadunidense aprovar uma resolução a favor da situação dos bahá'ís no Irã e um dia após o jornal estatal Keyhán mencionar relações entre o estado de Israel, o comité Nobel e o Centro Mundial Bahá'í na escolha de Shirin Ebadi para prémio Nobel em 2003. Haja imaginação!

De facto, surpreende-me a capacidade de se tecerem inverdades com base em meias-verdades, ou de se criarem inverdades com base nas mais estranhas imaginações... Supreende-me a capacidade de se verem mentiras na verdade, quanto mais quando no Alcorão se pode ler:

Por que vestes a verdade com a mentira? Por que escondes, intencionalmente, a verdade? (3:71)

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segunda-feira, junho 09, 2008

A esperança vem de onde menos se poderia esperar...

Hoje, o Centro Mundial Bahá'í enviou uma carta aos bahá'ís do Irã, mencionando as prisões em Março da liderança bahá'í iraniana. Outras membros daquela Comunidade Bahá'í também foram presos: a 19 de Maio Cheraghali Ahmadi, Changiz Derakhshanian e Simin Gorji em Mazandarán e, a 24 de Maio, na cidade de Isfahán, Hushmand Talebi e Mehran Ziny acusados de enterrarem, nos últimos 15 anos, em cemitério bahá’í, seus familiares falecidos. Segundo Ali-Reza Jamshidi, Porta Voz do Judiciário, os bahá’ís têm sido presos por participarem de “reuniões ilegais”.

Mas a verdade é que lhe são atribuídas acusações sem base, resultantes de uma perseguição por suas crenças e práticas religiosas. E, numa tentativa de explicar o inexplicável, um dos “pais” da Revolução Islâmica Iraniana, o Sr. Montazeri, diz “porque os Baha’is não têm um Livro divino, sua fé não foi reconhecida como oficial pela Constituição”. O jornal do estado, o Keyhan, insiste em chamar-nos “seita bahá’í fabricada de ímpios, pervertidos”, e o semi-estatal Fars cita um doutor Rasoul Pour-Ahmad que adverte “se mantém-se silêncio sobre a ilegais, nefasta seita Baha’i, nossas mulheres e nação seriam rapidamente colocados sob as botas de Israel, graças aos Baha’is”, uma vez que, continua ele, os bahá’ís estariam a serviço de espionagem sionista.

As duas falhas dessa última asserção são que:

(1) Fundamenta-se no facto de o Centro Mundial Bahá’í estar na cidade de Haifa (Israel), mas esquecem os seus apologistas que Bahá’u’lláh foi exilado àquela região de Israel pelas monarquias persa e otomana cerca de um século antes de Israel sequer vir a existir, falecendo em 1892 (Israel esteve a comemorar o seu 40º aniversário há alguns dias!).

(2) Se os bahá’ís iranianos não podem aceder ao exército, trabalhar para o estado, ou sequer aceder ao ensino universitário devido às constantes legislações iranianas, de que tipo de espionagem poderiam sequer ser acusados?

Eu proponha outra alternativa ao crime de ser bahá’í.

Na década de 1950, Sheikh Mahmoud Halabi (próximo a Khomeini) fundou, com comerciantes de bazar e alguns clérigos, a Caridosa Sociedade do Mihdí (Anjoman-e Khayryyehye Hujjatiyyah-ye Mahdaviat). Eles eram contra os comunistas e ateus e a sua missão seria a preparação para a vinda do Prometido "Imám Oculto" do Islã, o Mihdí.

Naturalmente que sustendo-se na ideia de que uma de suas figuras centrais, o Báb, seria o já regressado Mihdí, a Fé Bahá’í foi imediatamente vista como prejudicial à agenda desse movimento. Por isso mesmo, o nome alternativa do movimento dos Hujjatiyyah tornou-se “Sociedade Anti-Bahá'í” (Anjuman-e Zidd-e Baha'iyat). O seu propósito tornou-se um só: erradicação dos bahá’ís.

Aqui vai um excerto de um texto publicado no American Thinker pelo americano-iraniano Amil Imani:

(…) Ahmadinejad é um membro dos Hujjatiyyah. Vê-se como o vassalo pessoal do Mahdi-Messias ou Imám Oculto, com quem fantasia tête-à-têtes frequentemente.

Ahmadinejad, um homem movido pela sua religião, tem seu conselheiro espiritual em Ayatollah Mohammad Taghi Mesbah-Yazdi (o defacto líder dos Hojatieh). O conselheiro do Presidente é conhecido por suas visões extremistas sobre o Islã e promove bombismo suicida e ataques a civis no Ocidente. Há só uma visão do Islão para ele. Certa vez disse “… se alguém lhe disser a sua interpretação do Islão, esmurre-lhe a boca”.

Ahmadinejad emerge como completamente são. É completamente previsível, consistente e não mostra nenhuma auto-contradição. Nem sequer pretende que teve um lapso na fala ou desculpa-se por suas declarações ultrajantes. Não é um típico político que pratique a desviante arte de duplo-falar, engano e mudança e posição para adequar sua conveniência imediata.

A Humanidade deve aprender que ignorá-lo por lunático resultará em maior sofrimento, tal como ela fez com Hitler.

Tal atitude teve, como menciona a mensagem do Centro Mundial, o apoio que a imprensa e de outros meios de comunicação em massa têm dado aos crentes oprimidos no Irã, e a advocacia de sua causa por ativistas sociais, e a simpatia manifesta na voz de intelectuais iranianos que evocam sua esperança e gratidão.

Começando a ser comparado ao regime Nazi, e criticado por líderes religiosos, por governos de diversos países, pela União Europeia, pelo Observatório de Direitos Humanos, pela Comissão Internacional de Juristas e pela imprensa internacional, alguns estudiosos iranianos, dentro e fora do país, chegam mesmo a temer que que este possa ser apenas o começo de uma nova e forte campanha contra os bahá’ís e que apenas a voz de livre pensadores fora do país, iranianos e de outras nacionalidades, poderão ascender o nível de debate sobre os bahá’ís e impedir que o genocídio perpetrado há 6 décadas e que o mundo ignorou até que fosse tarde demais possa repetir-se, desta vez, no médio oriente.

E, não se poderia esperar uma guia final senão o pedido expresso aos bahá'ís iranianos de evitarem toda divisão e todo conflito, interagirem com todos com polidez e sinceridade, e engajar com seus compatriotas na discussão de ideias e no intercâmbio de pensamentos em matérias sobre as quais estarão ansiosamente preocupados. Acender em seus corações a flama da esperança, fé e certeza de que o glorioso futuro do Irã e o brilhante destino da humanidade que conhecemos certamente virá em breve. Assim, as vítimas da injustiça se convertem na fonte de esperança para todos.

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sexta-feira, agosto 10, 2007

Cachorro quente, gato frio

Há alguns anos atrás, a música Who let the dogs out (quem deixou os cães de fora) foi um êxito em vários países do mundo. Impressionantemente, não se chamava who let the cats out (quem deixou os gatos de fora)... Isto porque, ao que parece, pensamos mais em cães do que em gatos. Em filmes como o O Passáro Azul, o cão era sempre de confiança e o gato pleno de ciúme e inveja.

O show da Brodway criado e produzido por Andrew Lloyd Webber e o Manda Chuva (Top Cat) de Hannah-Barbera são talvez as exceções à regra. O melhor amigo do SuperBoy era Ktypto, um cão; o Mickey Mouse tinha um cão chamado Pluto e um de seus melhores amigos era o Pateta, um cão; até mesmo o Scooby-Doo era um cão!

Comemos cachorros quentes e Elvis Presley cantou "Hound Dog"e Sting "The hounds of winter". Quantas comidas possuem o nome de um gato, e quantos os filmes dedicados a eles? Pessoalmente não me lembro de muitos.

Isso talvez porque os cães são os nossos melhores amigos!!!

Deborah Wells (da Queen's University) explicou, no British Journal of Health Psychology, que os donos de cães parecem sofrer menos doenças e mesmo menos problemas médicos, tendo menos pressão arterial e níveis de colesterol (porventura devido a caminhadas regulares com os seus companheiros de quatro patas).

Tinha um amigo que poderia dizer que os cães são bons é para chamar a atenção das mulheres. Aliás, de acordo com Wells, "Ser dono de um cão pode também (...) facilitar o desenvolvimento de contactos sociais, que podem incrementar a saúde humana fisiológica e psicológica, numa via mais indireta".

Outros estudos demonstram que a presença de um cão pode ajudar crianças com doenças crónicas a tolerar procedimentos médicos potencialmente dolorosos, sendo capazes de expelir melanomas malignos ou melhorar situações de pouco açúcar na diabete. Em Israel, nação de quatro grandes religiões e precursora de grandes descobertas científicas, foi também sugerido que os animais de estimação poderiam ajudar as pessoas com esquizofrenia a sentirem mais calma e até maior motivação.

Por outras palavras, se quer um animal de estimação: os cães parecem ser a escolha!

Para mais, sugere-se a leitura de Human-Dog Psychology: 5 Weird Studies.

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quarta-feira, julho 25, 2007

Israel e Palestina: irmãos desde sempre!

Parece-me que a imagem abaixo descreve o suficiente as causas de um conflito rídiculo entre dois irmãos: os hebreus e os árabes.


Apesar de ser uma imagem de 1975, ela evidencia o pensamento da ilegalidade da ocupação do território. Os árabes bradam que foram expulsos pelos hebreus que, por sua vez, defendem que os seus territórios foram ocupados pelos gregos, antes de serem ocupados pelos romanos,
antes de serem ocupados pelos bizantinos, antes de serem ocupados pelos árabes, antes de serem ocupados pelos cruzados, antes de serem ocupados pelos turcos, antes de serem ocupados pelos britânicos. Ou seja, só estão a repor o território a quem pertence, ao mesmo tempo que o povo árabes que lá vive defende a sua propriedade.

Tendo em conta que ambos o Islão e os Judeus aceitam o Talmúd como divinamente revelado, poder-se-iam lembrar de que ambos descendem da "semente" do mesmo Abraão. Isaac do qual nasceu a nação hebreia revigorada e Ismael que foi pai da nação islâmica, antepassados de Moisés e de Maomé respectivamente!

No fim de contas, mesmo com argumentos teológico-históricos: o terreno pertence a ambos! Esperemos apenas que Tony Blair e o Quarteto para a Paz consigam lembrar isso a estes dois irmãos divididos...

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