quarta-feira, dezembro 31, 2008

É o momento de vermos o que fomos para sabermos o que poderemos ser

Apesar de a data ser apenas simbólica, é interessante reviver o ano que passou e ponderar como será o que virá. E, confesso, 2008 começou de duas formas para mim. A forma pessoal e impessoal.

Na impessoal esteve o meu interesse constante num processo obsoleto que é a política mundial. Não consigo encontrar um sistema em vigor no mundo que me pareça perfeito, não obstante, tentei salientar o que me pareceu interessante:
Todo o resto, acho, aconteceu do lado pessoal. Foi um dos anos, senão o ano, mais emocionante da minha vida, cheio de emoções a cada instante. O motivo principal é simples: fiz a A escolha brasileira! Regressei ao país de minhas origens depois de 16 anos, como explico em Como se fosse ontem quando chega o amanhã?, houve Voltas e Revoltas na Vida e Reencontros do Coração e vi um tucano, e lá comemorei, depois de anos, o ano novo bahá'í, o Naw-Rúz. No Brasil, vi velhos amigos e criei novas amizades, eternas, duradouras, perenes. A minha inspiração se aguçou. Como consequência escrevi longos textos, e continuei a escrever contos durante o ano! Um destes textos é o poema És quem és, sem que eu saiba quem és, escrito nos primeiros dias no Brasil.

Foi em 2008 que fiz questão de lembrar o aniversário de Jean Charles de Menezes ou que a ONU resolveu celebrar o Dia Humanitário Mundial, no dia que é de Sérgio Vieira de Mello. Outra morte me tocou também, a de Heath Leadger, sobretudo pela proximidade etária.

Nas Olimpíadas vi a quem não vejo pessoalmente há um par de anos com uma medalha ao pescoço e no lazer pessoal deliciei-me com o show de Ney Matogrosso. Vi os óscars, pela primeira vez, durante o dia (porque o Brasil não tem tantas horas de diferença com California como Portugal) e achei fabulosa a relação entre a Juventude e os Oscars. Neste ano que termina vi e escrevi sobre alguns filmes e séries:
E foi nesse mesmo ano que surgiu Persépolis 2, sobre a perseguição dos bahá'ís no Irã. Tema ao qual, aliás, dediquei vários textos:
Mas existem outras causas às quais me juntei:
E justamente por causa desta última, escrevi textos, polémicos para alguns círculos, sobre a unidade do idioma português, isto é, sobre o Acordo Ortográfico:
Mas a maior de todas as causas foi pelos Direitos de toda a Humanidade, com participação bastante ativa das mais variadas partes da blogosfera em português.

No entanto, a minha presença não foi tão constante e sistemática como eu poderia desejar, o que levou às minhas reflexões sobre a Fluidez temporal na internet, ou sobre a aldeia chamada Blogosfera, a verdadeira Aldeia Global.

Justamente, os momentos de moratória serviram para tentar aprimorar a minha reflexão em psicologia, graças a influência de Viktor Frankl, que me que me leva sempre a Novos congressos e novas formas de ver a psicologia e, mais recentemente de Irvin Yalom, sobre quem virei a falar.
Muita coisa está por acontecer em 2009 e,s obre isso, poderemos ir falando enquanto ocorrerem. Contudo, considero uma coisa fundamental. Neste período de transição, pararmos e pensarmos sobre tipos de pessoas e as paredes, e vermos o que somos para sabermos o que poderemos ser.

Por isso, espero que sejamos, todos, cada vez mais capacitados a viver os instantes do futuro que começa hoje, dotando a vida de sentido.

Feliz 2009!
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O fim do ciclo é o começo de outro. Feliz 2008!
E assim termina 2006…

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quinta-feira, novembro 27, 2008

Cinco anos, cinco dias e um amigo a menos

Há cinco anos atrás, um amigo caminhava sobre as ondas perdidas do mar espiritual. Caminhava para o Destino final de todos nós; simplesmente acelerou o passo.

Num carro, com amigas, ia Pedro Pinto, a 22 de Novembro de 2003, finalista de um dos cursos do Departamento de Letras Clássicas e Modernas, amigo prestimoso e querido. Raras são as pessoas que, ao longo da vida, fazem amigos e mais amigos a cada sorriso, a cada olhar, em cada brincadeira. E o Pedro era uma dessas raridades!

Detentor de uma sensibilidade inequívoca, capaz de compreender sutilezas que poucos compreenderiam, ao mesmo tempo que mais ingénuo do que poderia ser, Pedro estará hoje no panteão divino, olhando, do mais alto, os seus amigos que deixou para trás, simplesmente, porque a sua missão é, agora, preparar-nos o caminho. Quando lá chegarmos, a Sara, a Luísa, o Paulo, a Catarina, o Marcos, o Nuno e tantos outros, lá estará ele, com as pipocas, temperadas com as mais belas virtudes, prontas para nos deliciarmos ante os filmes de outras vidas, ante o futuro que caminharemos juntos.

E todos os filmes que não produziu em vida, todos os livros que não leu em vida, e todas as paixões que não teve ou que não aproveitou, e todas as aulas que não deu, e toda a espiritualidade que não transmitiu aos demais estarão a ser vividos, hoje, cinco anos e cinco dias depois, e amanhã e depois de amanhã e eternamente, pois o nosso Pedro não foi mais cedo que nós, simplesmente para não mais voltar. Foi, mais cedo sim, mas para nos servir de anjo de guarda até nós lá chegarmos.

Obrigado por seres uma das estrelas que ilumina a nossa negra noite.
Obrigado por nos continuares a sorrir, ainda que não mais estejas entre os vivos.

De 22 de Novembro até sempre, meu amigo!

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Académica do Algarve de Luto
Sting - Quando os anjos tombam
Mensagem de Júbilo

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sábado, novembro 15, 2008

O poder dos grupos sociais

Barack Obama ganhou as eleições estadunidenses por uma sucessão de fatores simultâneos. Pertence ao partido ao qual o atual presidente impopular não pertence, o seu oponente não teve o apoio dos grupos mais conservadores que deram vitória ao seu predecessor, não teve outro candidato a retirar-lhe votos como ocorreu com Gore, teve apoio da comunicação social que filtrou as gafes na sua campanha, e até o seu aspecto físico dava-lhe aquilo que prometia ao público: mudança.

Apesar de tudo isso, que qualquer outro candidato poderia ter (Hillary Clinton seria uma candidata mulher e Bill Richardson o primeiro hispano-americano), ele tinha algo a mais: uma rede social (aliás, muitas redes sociais).

Obama possui uma aplicação no facebook e um MyBarackObama, aonde se poderiam criar perfis, grupos de apoio, entradas de blog, campanhas de angariação de fundos e muito mais, como qualquer comunidade virtual. Além disso, criou uma mailinglist personalizada, cujos participantes recebiam, a cada novidade, um email ou uma mensagem escrita personalizada e assinada por Barack.

O NYTimes chegou mesmo a compará-lo com a Enciclopédia Livre, chamando-o de Wiki-Candidato. Foi o verdadeiro candidato do século das tecnologias! Mas não só na propaganda, como na participação baixo-cima. O futuro permitirá olhar para a campanha presidencial e ver a participação espontânea de várias pessoas (famosos e anónimos) em suas próprias iniciativas pessoais. Yochai Benkler, especialista, menciona uma nota interessante: a página de Obama primeiro estabelece uma relação com as pessoas e depois pede o donativo, enquanto que as páginas de Clinton e McCain faziam o contrário.

Permitiu a participação de várias pessoas, a criação dos seus próprios espaços, o desenvolvimento de suas ideias. Deu a mudança através da própria possibilidade de participação coletiva. A tal ponto, aliás, que a Scientific American especula a possibilidade de haver na nova Administração a tomar posse em Janeiro próximo uma espécie de representante junto a redes sociais e ao público em geral, de modo a alcançar as bases, pois sim, apesar de haver participação baixo-cima, as grandes decisões serão cima-baixo, o que me leva a uma pergunta simples:

Como poderá chegar a mudança, se o sistema instituído não é mudado?

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Vencer na derrota
Jornalismo Parcial!

Debate vicepresidencial e outras coisas...

Eleições EUA: o último dos tabus

O país da multiculturalidade e da multipossibilidade
A Liderança Servidora...?! Aonde está ela?
Bahá'u'lláh - O governo vive pelo povo

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quarta-feira, agosto 27, 2008

Tipos de pessoas e as paredes...

Ontem tive uma conversa com um dos meus mais antigos amigos e, com base naquilo, pude concluir que existem vários tipos de pessoas.

As pessoas paredes que são imóveis e são de dois tipos: das paredes que ouvem e nada fazem e que só servem para que nelas nos apoiemos e as paredes que de tão ríspidas e desagradáveis nem para encostarmos nelas servem.

Depois há uma panóplia de pessoas: as preguiçosas que se encostam em qualquer uma das paredes, as vítimas da sociedade que se encostam nas paredes ríspidas e reclamam dela, as aproveitadoras que tentam escalar as paredes calmas e de apoio, as medrosas que temem que ambas as paredes lhes caiam em cima, as aventureiras que só querem saltar a parede ríspida e... aquelas, cada vez mais raras, as sagazes:

Dotadas de capacidade de observação ajustada da realidade e capacidade de rápida análise tais pessoas são capazes de discernir, prontamente, uma parede da outra e, por seus dotes de perspicácia, sabem que devem transcender os obstáculos que as paredes ríspidas demonstram ser e descansar sobre o regaço da outra parede.


Qual dessas pessoas você acha ser?

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domingo, junho 08, 2008

Hoje acordei de madrugada e testaram-me a assertividade...

Hoje de madrugada acordei com um barulho infernal que parecia estar vindo do meu próprio quarto. Música bem alta, pessoas gritando com ela, mas a questão é que no meu quarto, tirando eu mesmo, não havia viv'alma presente.

Então, assim que entendi que o som tinha a sua origem no próprio prédio, lá fui eu, prédio adentro, procurando o responsável. À medida que ia subindo a pé, notei que eu não havia sido o único a acordar, apenas o único a sair de casa. Ouvia-se pessoas reclamando (alto e bom som), comentando com outras pessoas, indo fazer as suas necessidades mais primárias, batendo com sabe-se-lá o que no teto, desejando imitar o gato da foto ao lado, mas ninguém tomando a iniciativa de fazer algo.

Lembrei-me, de imediato, das formações em relações interpessoais que dou e há uma pergunta, de um questionário de Arménio Rego que utilizo que fala mesmo desse tema. A pergunta é "Está em casa, com vontade de dormir. Mas o seu vizinho de cima está a fazer muito barulho. Já não é a primeira vez que isto acontece". E encaminha-nos para três possibilidades de futuro:
  1. Bater-lhe à porta e dizer-lhe: «Há quase uma hora que estou a tentar dormir, mas não consigo por causa do barulho que o senhor está a fazer. Será que pode baixar o volume do som? Obrigado». [no meu caso seria ao contrário: "estou tentando voltar a dormir e quase tive um ataque cardiáco"]
  2. Ficava chateado, mas não fazia nada. Pensava para consigo: «Com vizinhos, é melhor não haver conflitos; um dia, com calma, falo-lhe do assunto». [aparentemente, opção de 90% da população do prédio]
  3. Batia-lhe à porta e dizia-lhes: «Ou o senhor deixa de fazer barulho, ou eu chamo a polícia. Não lhe admito isto». [vontade manifesta das reclamações daqueles mesmos vizinhos]
Pelo qual optaria? Sinceramente...
Eu fui pela primeira. A frase foi bem alterada ao ponto de os meus jovens vizinhos ébrios terem até achado que seria boa ideia ter-me em sua festa privada pelas 6:40 da manhã de domingo. Optei voltar para casa e tentar dormir.

Só voltei a pregar no sono três horas depois...
A música se calou, mas a festa continuou! O barulho não parava e, os vizinhos foram desistindo de dormir... E o barulho do prédio foi aumentando. Pus o leitor de Mp4 no ouvido e pus-me a ouvir Sting cantando música vitoriana. Mas o cérebro já estava totalmente funcional: analisava detalhes nunca antes ouvido de cada música, pensava no que teria que fazer durante o dia e até pôs-se com a ideia de escrever este texto aqui...

Bem, moral da história, tendo em conta o estado alterado de consciência dos meus vizinhos, tendo em conta a minha intensidade de sono e tudo o mais que se pudesse pensar (afinal de contas, é domingo!), consegui fazer aquilo que prego nos meus cursos:

A resistência sem zanga, o saber dizer “não” sem agressividade, a insistência sem o massacre, o pedido que não importuna são habilidades que se conseguem desenvolver ao longo da vida. A essa habilidade dá-se o nome de assertividade.

Comunicar de forma assertiva implica simultaneamente o respeito que se tem por si próprio – ao exprimir os gostos, interesses, desejos e direitos – e o respeito que se tem pelos outros, pelos seus gostos, ideias, necessidades e direitos.

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sexta-feira, abril 18, 2008

Diversidade nas Organizações: realidade ou utopia

Unidade na Diversidade… Quantas vezes os leitores deste espaço leram aqui esta expressão? Pois bem, em minhas leituras habituais não paro de reparar como cada vez mais autores diversos utilizam este termo. Fui a já alguns congressos que, tratando da política à psicologia, iam utilizando estas palavras quase como slogan.

E, na semana passada, deparei-me com Eduardo Shinyashiki, aparentemente um especialista brasileiro nas áreas da liderança e no desenvolvimento pessoal, falando, numa entrevista, sobre a importância da diversidade nas organizações. Eu não poderia concordar mais com o que ele afirma:

Não ficar atento às diversidades custa caro para as empresas. Por exemplo, na dificuldade de reter talentos, gerar inovações, reduzir conflitos internos, enfim na dificuldade de evoluir. Se em um time todos jogassem na mesma posição, não haveria jogo. Cada jogador é interligado e interdependente do outro. Para criar o resultado do jogo, se estabelece um equilíbrio, uma cooperação e uma harmonia. A visão é complementar, não excludente. Não é nem simples nem fácil, mas é o caminho: o individuo como base para vencer desafios.

No ano passado tive o prazer de poder acompanhar, durante uma semana, a figura ímpar de Gordon Naylor, aquando da sua visita em Portugal. Em suas palestras e apresentações, ele explicou que havia três tipos de pessoas e, portanto, de relações humanas: aqueles que buscam exercer sua influência sobre alguém, os que querem estar com pessoas iguais a si mesmas e aqueles que procuram a diversidade. A minha experiência pessoal diz-me que este é o maior desafio: procurar pessoas que são diferentes de mim, estabelecer amizades com aqueles que não pensam como eu, não agem como eu, não sentem como eu. É um desafio, e nem sempre funciona: todos sabemos isso!

Mas, também sei que funciona. Eu, pessoa religiosa e sonhadora, tive a oportunidade de poder estar num núcleo de estudantes, nos meus saudosos tempos universitários, no qual tive como vice alguém que se afirma membro de uma esquerda anti-teísta e demasiado até pragmático para o meu gosto. Muitos achavam que não daria certo. Deu certo e hoje ainda somos grandes amigos. O que fez com que esta experiência funcionasse e outras não?

A resposta está nas palavras, não muito originais, de Shinyashiki:

A diversidade pode gerar conflitos quando não é entendida, utilizada positivamente como recurso e dirigida como numa orquestra em que várias pessoas tocam instrumentos diferentes para criar uma harmonia maravilhosa. O ato criativo no começo pode parecer um caos, mas com um claro objetivo comum, treino, força de vontade, persistência e um maestro que lidera, combina e integra as diferentes qualidades para atingir o objetivo comum, se pode chegar a uma obra de arte, quer dizer, empresas bem-sucedidas, objetivos realizados, satisfação dos colaboradores.


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sexta-feira, março 21, 2008

Feliz Naw-Rúz

Hoje, bahá’ís de todo o mundo celebram o início do seu ano novo, o Naw-Rúz. No Hemisfério Sul os dias se encurtam e no Hemisfério Norte os dias se alongam, até ao ponto do equilíbrio entre o dia e a noite, entre as horas de luz e as horas de escuridão.

Estes dias são os dias do Naw-Rúz e, por isso, com a mente pensando e o coração voltado aos vários amigos que vi e revi, que conheci e reencontrei nestes meses de regresso curto ao Brasil, pessoas por quem orei, desejo que se convertam tal velas acesas e incandescentes que possam, nesta república do Novo Continente ascender a luz do amor pela Unidade do Género Humano e da Unicidade de Deus nos corações sendo iluminados e adornados com as virtudes da justiça, bondade, generosidade e veracidade.

Pessoas como Ceres e Washington Araújo, como Tunico Moraes e Susan Eghrari e os seus filhos Naim, Nabil e Kian, Renê Couto, Iradj Roberto Eghrari, Melissa e Qodrat e Adriana e Soghrat, como Carolina e Carlos Moreira, Néia e Alexandre Wahbe, e como Neriangela e Pejman Samoori, seres humanos como muitos outros, com a diferença de que em cada ato de suas vidas é impelido por essa força única de servir e servir a cada novo amigo e a cada ser humano que vai cruzando os seus caminhos.

A cada um de vocês estou grato pela verdadeira amizade e dedicação!

A lista de pessoas que me marcou neste período de um ano é ilimitada, pessoas de todos os estilos e formatos, com quase todas as ideias e ideais imagináveis e espero poder guardar-vos em meu coração durante muitos mais anos.

E, como disse no passado, o meu desejo se estende a todos os membros de todas as religiões, celebrando a Páscoa, o Naw-Rúz, o Ano Novo ou qualquer outra atividade que sirva para unir mais os corações e as realidades uns dos outros em serviço e amor à Humanidade.

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sábado, fevereiro 09, 2008

Obrigado amigos!

Como já não era sem tempo, deveria agradecer aos meus copartícipes da blogosfera Neptuna, Juca, e Andréa Motta.
Há alguns dias (o que na blogosfera seriam muuuuitos dias) eles me ofertaram um presente que é, no mínimo digno de um obrigado público. Acumulei, acumulei e agora vocês terão blogs para visitar durante um bom tempo. Espero que gostem das sugestões.


Para a Neptuna, a Lita, o Olavo e o Bentes (e companhia) compartilham comigo a capacidade de ter um blog que até não é mau...
E, como se trata de uma amiga pessoal, irei celebrar o prémio, passando-o a outros amigos pessoais:
  • Alma Azul, pelo amor e preocupação pela humanidade, como opção pessoal e não como instituição definida;
  • Marcos, por caminhar com pés práticos o caminho artístico;
  • e Renê Couto, pela magnífica escrita da tinta da sinceridade e da generosidade.


Já para o Juca, além do prémio anterior ao blog, este blogger recebe o prémio pela amizade estabelecida, porque, verdade seja dita, o ciberespaço nos permite ir aonde nenhum homem havia ido antes, conhecendo todo o tipo de pessoas, mas aonde só algumas valem a pena. Junto a mim, ganharam este prémio algumas pessoas que merecem referência: o André Wernner, a Dri, a Du, o Fábio Mayer, a Luma, a Odele, e a Ru Correa.
Verdade seja dita, este ano e meio de blogosfera tem-me trazido novos e bons amigos. Por isso, irei mencionar alguns deles:
  • Cejunior, o primeiro blogger que descobri e com quem mantenho contacto ainda depois desse tempo;
  • Josenildo Marques, estudioso ímpar de antropologia;
  • AMMedeiros, companheira de psicologia e de logoterapia;
  • Lino Resende, conhecedor de uma visão de terra como um só país;
  • Alice Valente, com alguns textos e muitas fotos que ilustram a vida humana;
  • Catarina Cavalcante de Jesus, os seus textos e videos tão bem selecionados que comovem quem se deixar tocar;
  • Jonice pela capacidade bilingue, dom de quem ajuda a Terra a ser senhora de um idioma universal;
  • e Carlos Fran, pela idade revolucionária de quem é senhor e servo.


O Juca teve ainda a amabilidade de nomear este blog como um que faz as pessoas pensarem. Por isso, nomeando-me ao lado de outros dos nomes já mencionados, irei fazer o contrário, nomear outros blogs (e nenhum dos mencionados, por mais que me seja difícil), blogs cuja referência ímpar merece a leitura sempre atenta.
  • João Moutinho, pela preocupação com o ambiente, com a religião, com a vida e com uma boa escrita;
  • Vítor Sousa, pela qualidade da literatura citada e criada;
  • JAM, pela preocupação com a saúde mental;
  • David, pelo seu blog cultural que tem ainda muito para nos dar;
  • Samanha Shiraishi, pela visão transcultural da vida;
  • Marcelo Guerra, pela outra visão da saúde;
  • Fábrica de blogs, por um dos melhores noticiosos online de língua portuguesa;
  • Larissa Tietjen, pelo integracionismo de temas diversos com a mesma argúcia;
  • e, a minha descoberta recente (na realidade, ela que me descobriu): Gabriela Zago, pelo blog de tecnologia (e muito mais!).


A Andréa Motta diz que o meu blog, em conjunto com o Pensier e Parole, faz a diferença. Não sabendo bem a diferença que este modesto espaço pode fazer para as pessoas, irei congratular um amigo, cujo blog, conhecido de muitos e desconhecido de outros tantos, faz mesmo a diferença!
Cidadão do mundo, o blog que é a diferença!



O Juca ainda teve a amabilidade de elogiar o meu blog com outras três coisas:












Outra coisa que devo dizer é que, no que concerne a mim, a Neptuna, o Juca, e a Andréa Motta merecem, indubitavelmente, os três últimos selos, pelo carinho que dedicam a este singelo e simples espaço.


Agora toca a visitar estes espaços de referência: uns melhores que os outros! E: boa leitura!
(durante os próximos dez dias é pouco provável que eu poste algo novo, pelo que os meus amigos aqui citados serão companhia mais que suficiente)

PS: a organização dos blogs em lista tem a ver com o tempo que os conheço (do mais antigo ao mais recente, para mim).

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quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Voltas e Revoltas da Vida e Reencontros do Coração

A vida dá muitas voltas, e nessas voltas e revoltas do universo, onde todos vivemos no mesmo país cujo nome é Terra, Earth, Zamin, ou qualquer outro nome, encontramos pessoas que nos marcam, num ou noutro momento de nossas existências.

E como existir é apenas ex-istir, istir para fora, ser para o outro, a minha vida só assume sentido se eu existo com os outros. E nessa vida, nessas voltas de rotação e translação que a vida vai dando, reencontrei duas das pessoas que mais me marcaram a vida.

Primeiro o meu bom e grande amigo Washington, um pensador com blog (e não um blogger pensante), um homem de família, um pai e um marido, que é para mim um amigo e irmão carinhoso, um sábio experiente que vive a vida como quem vive a musicalidade de um ipod ou um sonhador personagem de algum bom dvd perdido nalguma sala de estar. Esse é o meu amigo: um ser humano preocupado com a sua família e com o seu país, com o seu continente e com o seu mundo.

Depois vi a minha doce e querida amiga de infância, uma das minhas cinco companhias de brincadeiras e jogos mais presentes; sem dúvida a amiga mais antiga de minha vida! As voltas e revoltas da vida lhe concederam um marido que a ama, uma filha adorável e ainda um anúncio de outra criança. Regressando depois de tanto tempo às minhas origens, vejo na menina que ficou para trás uma linda e inteligente mulher, mas ainda com muitos desafios pela frente; pois, afinal de contas, Daniela querida, a vida terrena é feita de evoluções e re-evoluções constantes e, espero, desta vez, estar caminhando mais perto de vocês.

Mais amigos estão por visitar, e novos amigos já se adicionam à lista, mas ter o nosso escritor favorito e a nossa mais antiga amiga junto a nós é uma bênção que não quero perder.
Obrigado por serem vocês!

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segunda-feira, dezembro 31, 2007

O fim do ciclo é o começo de outro. Feliz 2008!

Escrevo este texto a menos de 24 horas do fim de um ano que valorizo tanto como o fim de qualquer outro ciclo. Os ciclos que acabam ficam lá, no passado, enquanto que os ciclos que começam são os nossos desafios e sonhos por vir. Esses sim deveriam ser celebrados!

Deixo para trás um 2007 cuja existência agradeço e regozijo. Um ano que me ensinou que um sonho pode tornar-se em pesadelo e que o pior dos pesadelos pode ser um sonho que não percebo.

Foi o ano o ano que fez ser convidado a alguns congressos científicos, como profissional dos modelos sistémico e logoterapêutico a falar de interculturalide, o que me ajudou a escrever artigos científicos e a dar formação na minha apaixonante Logoterapia. Enfim, um ano de aprendizagem profissional.

Foi também em 2007 que fui duas vezes a Roma (três anos depois de ter visitado a taciturna e bela Milão), que me fez conhecer uma das pessoas mais extraordinárias que poderia conhecer – o Sr. Ali Nahkjavani com quem tive a oportunidade de ter maravilhosas e estimulantes conversas. Conheci neste ano a luz e a sombra das pessoas e talvez até a minha própria luz e sombra, os meus limites e as minhas potencialidades. Encontrei, num outro prisma, pessoas cuja marca presente e constante em minha vida têm sido únicas: Peyman, Sahba e Sandra sempre presentes como bons amigos que são. E reencontrei bons amigos de outrora, como por exemplo a Daniela.

Na blogosfera vi a solidariedade de pessoas que participaram de ações coletivas em defesa do ambiente, da paz e dos Direitos Humanos, este último por mim organizado.

Ganhei novos amigos em países como Canadá, México, Uruguai, Áustria, França, Bélgica, Peru, Itália, Argentina e Timor. Mantenho aceso em meu coração o amor por Espanha e pelo Brasil. Vi, de muito longe, um tão esperado primo nascer.

Indignei-me ao ver Ahmadinejad a dizer que a Fé Bahá’í não é uma religião. Indignei-me com o falso moralismo de Puttin vetando a independência do Kosovo, pretensiosamente na defesa da integridade nacional de outros países europeus. Choquei-me com o fato de Chavez não se saber calar. Pasmei-me com a clara competência de Sócrates a gerir a sua presidência temporária, quem sabe a caminho de uma mais longa presidência, da União Europeia. E deliciei-me com o Oscar e o Nobel de Gore.

Mas o passado, que já lá foi, é substituído pelo presente e pelo futuro. A nossa percepção de futuro é o que nos faz sermos humanos.

2008 trará mais um pequeno passo, a unificação do idioma português numa só ortografia (que muito tem por lutar contra os barões que teimam em se manter presos ao passado). A unidade da humanidade está enraizada em nossos espíritos. As nossas dimensões físicas, psíquicas e espirituais vão sendo nutridas, em relações mútuas e sociais, mas a unidade mundial ainda tem um longo percurso pela frente.

Pergunto-me: qual será o papel de cada um de nós nesse processo? Quando é a Humanidade, em uníssono, se levantará em defesa da eliminação dos extremos de riqueza e pobreza, abolirá os preconceitos, instigará à eliminação dos fanatismos religiosos e científicos, e instituirá a educação para as virtudes e os valores?

Volto a deixar a pergunta para quem a quiser ler: “Qual será o meu papel neste processo de desintegração e integração?” A escolha está perante nós: Serei um bastião da crise ou um arauto da vitória?

Essa é a pergunta para 2008, um ano que espero que seja cheio de felicidade plena de sentido para todos nós!

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sábado, outubro 13, 2007

O valor da amizade

Acabo de ver mais um episódio da série Smallville que a televisão portuguesa simplesmente deixou de exibir. À parte do sucesso mundial que esta série tem, por mostrar como é que o Super-Homem vai aprendendo a manejar o seus super-poderes, ela nos ensina a ver o outro lado da adolescência: a adolescência do amor, do respeito, do carinho, a adolescência da lealdade, da confiança -- a adolescência da amizade.

O episódio que vi ontem era aquele que demarcava o final de uma amizade: a de Clark Kent com Lex Luthor. Cansado de ter a Lex sempre testando a sua amizade, cansado de tê-lo ao seu lado como que à espera de ter algo em troca, cansado da necessidade de afirmação de Lex, Clark põe o ponto final, nesta amizade de cinco anos (desde o primeiríssimo momento em que Lex entrou na sua vida, Clark o acolheu quase como um irmão).

Um ponto final que lhe deixará marcas e sequelas futuras. A dor de perder um amigo por ter perdido a sua confiança ou ter que escolher entre o amor de Lana e a amizade de Lex deve lhe ter causado alguma dor. Não acredito que alguém termine uma amizade simplesmente "porque sim", por ter refletido durante um par de segundos e... fim!

É duro constatar que a vida vai avançando assim. Aqueles que, hoje, estão, aparentemente, em estrita amizade; que ontem eram capazes de dar as suas vidas pelo outro; e que amanhã podem evitar-se um ao outro.

E o pior é que a doce fragrância da amizade não desaparece assim da nossa memória. A amizade lá se mantém (pelo menos durante algum tempo), na esperança de que Lex um dia mude ou na de que Clark volte a perdoá-lo.

E, quem sabe, ainda termina como nas revistas, quando Lex dá a sua vida para salvar Clark das mãos do maior inimigo que ele alguma vez poderia ter. Afinal de contas, quem sabe, algum dia poderão voltar a ser irmãos.

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sábado, setembro 22, 2007

Académica do Algarve de Luto

Dizem que com a idade vamos perdendo os amigos, que é o fruto da velhice. Mas, hoje em dia, os mais novos perdemos muitos amigos, graças às nossas estradas!

Carlos Santos foi o segundo presidente eleito da Associação Académica da Universidade do Algarve e o primeiro a falecer. Aquando do telefonema que recebi, ontem, informaram-me que se tratava de um acidente na Auto-Estrada da Via do Infante: não sei se excesso de velocidade, más condições de via, irresponsabilidade de outros condutores, não sei...

Sei, sim, quem era o Carlos Santos que eu conheci. A primeira conversa que tivemos foi na estação de autocarros e, de facto (admito), em parte, surpreendeu-me! Era a altura das eleições, ele era vice-presidente da Associação e candidato a Presidente. Escusado será dizer que ganhou as eleições e cumpriu os seus dois mandatos (Janeiro de 2001 a Janeiro de 2003), comigo, simultaneamente, como amigo e causador de dores de cabeça.

Apesar de discordâncias que tivemos em vários momentos, sempre nutrimos um respeito mútuo e até uma boa relação. Eramos duas pessoas insistentes em nossas perspectivas, não haja dúvidas! Ele consultava com todos, mas a decisão tomada seria levada avante. Ouvia os estudantes, ouvia os vice-presidentes e ouvia a voz da sua consciência. Era como aquele rei que não se importava com o que as pessoas pudessem dizer nas suas costas, porque fazia o que considerava correcto. A voz da sua consciência esteve ao seu lado! Era consciente e consistente.

Tive a honra de poder conceber alguns projectos com ele. O Academismos que ele e a Zaida elaboraram e que com a minha ajuda foi consolidado. Os encontros entre os Núcleos por mim concebido e por ele, em todo momento, apoiado. A Rádio Universitária do Algarve que ele conseguiu viabilizar. O seu ressabio (como ele dizia) contra as injustiças perpetradas contra estudantes era o seu maior atributo: não tolerava professores injustos com alunos, não aceitava governos que dificultavam a vida aos estudantes e detestava ver a classe discente dividida em rivalidades internas, mas esse era o retrato do ambiente no qual havia decidido servir à Instituição.

Acabou o curso, começou a trabalhar e, alguns, de longe, como eu, aguardavam a sua ascensão no seu partido, quem sabe, daqui a dez anos, para líder de uma bancada parlamentar aonde, em nossos ecrãs, longe, diríamos: "vimo-lo a brincar aos políticos, e, hoje, já não brinca, é um político sério".

Mas, infelizmente, as estradas portuguesas ceifaram mais uma vida! Mais um amigo perdido nas estradas do Algarve, mais um jovem promissor português que desaparece, sem jamais ter deixado a sua verdadeira marca no panorama nacional. Foi-se o Carlos, fica-se a sua memória, na Universidade do Algarve e nos amigos que deixou.


Actualizações (24/09):
Hoje a missa de corpo presente em Faro será feita na Igreja da Misericórdia, pelas 12h. O funeral será realizado pelas 11 da manhã de terça, na Capela de S. Brás, Quinta do Gato, Santa Joana, em Aveiro e a Universidade do Algarve disponibiliza transporte para lá.

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quinta-feira, setembro 20, 2007

Vais conseguir!

- Não consigo. - Como é que ele ia explicar, de uma maneira que ela percebesse, que, quando tentava alcançar e apoderar-se da vida que vibrava em torno dele, ela lhe escapava dos dedos, deixando nada mais do que um fóssil na folha de papel? - Não consigo agarrar a poesia das árvores - disse.

- Não te preocupes - disse ela. - Um dia vais conseguir.


Katherine Paterson (1977)
Trad. de Rita Simões (2007)
do original inglês.

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sexta-feira, agosto 10, 2007

Cachorro quente, gato frio

Há alguns anos atrás, a música Who let the dogs out (quem deixou os cães de fora) foi um êxito em vários países do mundo. Impressionantemente, não se chamava who let the cats out (quem deixou os gatos de fora)... Isto porque, ao que parece, pensamos mais em cães do que em gatos. Em filmes como o O Passáro Azul, o cão era sempre de confiança e o gato pleno de ciúme e inveja.

O show da Brodway criado e produzido por Andrew Lloyd Webber e o Manda Chuva (Top Cat) de Hannah-Barbera são talvez as exceções à regra. O melhor amigo do SuperBoy era Ktypto, um cão; o Mickey Mouse tinha um cão chamado Pluto e um de seus melhores amigos era o Pateta, um cão; até mesmo o Scooby-Doo era um cão!

Comemos cachorros quentes e Elvis Presley cantou "Hound Dog"e Sting "The hounds of winter". Quantas comidas possuem o nome de um gato, e quantos os filmes dedicados a eles? Pessoalmente não me lembro de muitos.

Isso talvez porque os cães são os nossos melhores amigos!!!

Deborah Wells (da Queen's University) explicou, no British Journal of Health Psychology, que os donos de cães parecem sofrer menos doenças e mesmo menos problemas médicos, tendo menos pressão arterial e níveis de colesterol (porventura devido a caminhadas regulares com os seus companheiros de quatro patas).

Tinha um amigo que poderia dizer que os cães são bons é para chamar a atenção das mulheres. Aliás, de acordo com Wells, "Ser dono de um cão pode também (...) facilitar o desenvolvimento de contactos sociais, que podem incrementar a saúde humana fisiológica e psicológica, numa via mais indireta".

Outros estudos demonstram que a presença de um cão pode ajudar crianças com doenças crónicas a tolerar procedimentos médicos potencialmente dolorosos, sendo capazes de expelir melanomas malignos ou melhorar situações de pouco açúcar na diabete. Em Israel, nação de quatro grandes religiões e precursora de grandes descobertas científicas, foi também sugerido que os animais de estimação poderiam ajudar as pessoas com esquizofrenia a sentirem mais calma e até maior motivação.

Por outras palavras, se quer um animal de estimação: os cães parecem ser a escolha!

Para mais, sugere-se a leitura de Human-Dog Psychology: 5 Weird Studies.

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sexta-feira, agosto 03, 2007

Sofrendo e sorrindo

Estive há pouco em conversa com uma amiga, também psicóloga e admiradora de Frankl, e reli os textos que ela escreveu, há já algum tempo nalgum lugar, e lembrei-me que Frankl explica que existem três caminhos para conhecermos o sentido da vida, sendo...

A terceira via para encontrar sentido “aí, onde enfrentamos o destino que nos parece irrevocável”, aí onde parece que já não há saída consegue-se “realizar o mais humano dentro do homem”
(Frankl), transformando uma tragédia em triunfo e o sofrimento em progresso.

O ser humano é, assim, movido pelos valores de atitude, convertendo-se no homo patiens, que lhe permitem não só aceitar àquelas situações onde nada pode fazer, mas também agir dentro do marco dos condicionalismos impostos pela situação. Como diriam Campiche e colegas, o ser humano “talvez não tenha liberdade para estar doente ou são (…), ser burguês ou operário, mas tem liberdade para aceitar estados com resignação ou revoltar-se. O ser humano tem liberdade para reagir”.

Frankl reconhece o papel destes valores para o progresso humano ao afirmar que “Somente a atitude e a volição permitem-lhe dar testemunho de algo que só o homem é capaz: de transformar e remodelar o sofrimento a nível humano para convertê-lo em um serviço”. Mas atenção, o sofrimento não é a única via para o sentido: aquilo que seria a procura ou a vontade de sofrimento é mais um masoquismo despropositado: os valores de atitude não são nem sofrimento desnecessário nem mudança da situação limitante inalterável, são na realidade “experiências trágicas inerentes à vida humana” (Frankl) que permitem mudar a si mesmo, crescer, transcender.

É interessante a forma como 'Abdu'l-Bahá aborda este tema:

A mente e o espírito do homem avançam quando ele é provado pelo sofrimento. Quanto mais lavrado o solo, tanto melhor crescerá a semente, tanto melhor será a colheita. Assim como o arado sulca a terra profundamente, purificando-a dos cardos e das ervas daninhas, assim o sofrimento e a tribulação livram o homem dos frívolos assuntos desta vida terra, até atingir estado de completo desprendimento, quando sua atitude será de felicidade divina. O homem é, por assim dizer, verde; o calor do fogo do sofrimento amadurecê-lo-á. Olhai para os tempos passados e verificareis que os maiores homens sofreram o máximo.

Essas experiências trágicas podem ser três: sofrimento, culpa e transitoriedade. Não é pelo sofrimento (ou dor), pela culpa ou pela transitoriedade da vida (morte) que as pessoas desesperam, mas por não verem sentido nelas, por isso devemos tentar converter “o sofrimento em realização, a culpa em conversão e a morte em estímulo para a ação responsável” (Guberman e Soto), ultrapassando esta tríade trágica.

Sei que nenhuma palavra consola. Mas quem sabe, minha amiga, o sentido ajuda!

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segunda-feira, junho 18, 2007

Uma ponte para a Vida

Vi Terabithia, lá estive, lá sorri e lá chorei. Estive em Terabithia, onde os sonhos se convertiam em realidade. Sonhei com Terabithia, onde a magia não tem idade. Tive essa sorte, pois o filme já está disponível nalguns mercados no formato de DVD e noutros ainda segue nos cartazes de cinema.
Aproveitei o feriado de quarta-feira e fui ao cinema. A única sessão do dia, logo cedo! Não ia perder a última oportunidade de ver um filme que coadunava a magia da infância com a seriedade da adultez.

Lá fui. Cheguei ao Shopping, comprei o ticket e vi a matinée.


O filme não era nada do que eu esperava. Não vi dragões mágicos, não vi varinhas de condão, nem fadas cintilantes. Vi uma menina e um menino: Jesse, o único filho (rapaz entre três irmãs: dois desastres, mais velhas, e um anjo, mais nova) de uma família com escassas condições financeiras, maltratado por dois colegas patéticos e que não vê o amor que o pai (brilhante actuação!) lhe expressava (porque não sabia bem como expressar!); e Leslie, a menina dos olhos de ouro dos pais (escritores-natos) e dos professores.

Leslie chega e, aos poucos, demonstra ao espectador que o amor surge da amizade. Jess retribui com dificuldade. Mas não pensem que o filme é uma história de amor ao bom estilo romântico. É muito mais!

Leslie é imaginativa nas palavras, Jess é exímio nas imagens. Juntos, os dois criam um mundo de fantasias nos quais eles dominam, um mundo chamado Terabithia, no qual não há limites.

Mas a fantasia, algum dia acaba. O espectador choca-se. As crianças choram e algumas saem da sala. Algo muda naquele mundo perfeito e romantizado. Alguém percebe que as oportunidades não podem ser deixadas para trás. Alguém percebe que o sonho limita a vida. A comédia se converte em drama para se converter, depois, em vida real. O espectador-mirim aprende o que é a culpa, aprende o que é a vida, aprende o que é crescer. O espectador-adulto sabe o que é a culpa e por isso percebe o que é a responsabilidade, sabe o que é a vida por isso alegra-se de nela estar, e sabe o que é crescer por isso adora a nostalgia da infância.

É em Terabithia que se ergue uma ponte onde a adultez e a infância se encontram. É lá que o onírico e o desperto se fundem. É lá que percebemos que é possível andar o caminho espiritual com pés práticos.

Ergamos uma ponte à Terabithia!


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quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Finalmente vi!

A Teia de Carlota, aquela obra-prima dos desenhos animados da década de setenta que o Brasil exibia, sacralmente, duas vezes por ano... Finalmente vi o filme que, desde os meus cinco anos de existência, queria ver!

Ainda lembro de ter descoberto aquela aranha antes de conhecer o SpiderMan (outro ícone aracnídeo). Aranha pequena, insignificante e, talvez até, nojenta aos olhos de muitos. Uma aranha que simbolizava aquilo que tememos nos outros, aquelas aparências que nos assustam e com as quais evitamos contacto só por nos acharmos superiores…

Aquele cavalo que relinchava ao mirar aquela aranha que lhe parecia asquerosa, aquelas ovelhas que não a queriam conhecer e aquele ganso que nem sabia o que dizia…

Se não fosse o pequeno Wilbur, com toda a sua inocência de criança que não sabe das “regras” que os adultos estipulam, que não diferencia o social do real, o correcto normativo com o correcto emotivo.

Wilbur era um porco (ou um leitão?) que, cedo ou tarde, seria comido se não fosse o esforço unido dos vários animais do celeiro. Wilbur é a alma infantil que é vociferantemente devorada pela adultez seca que nos rodeia na sociedade. Wilbur é aquela essência perdida que só encontramos se nos unirmos e agirmos em prol de algo.

As vacas imóveis que não se moviam por nada porque ainda tenho três estômagos vazios, pensando em si mesmas ao invés de pensarem nos demais. As ovelhas que só sabiam imitar e fazer o que um líder fazia. O rato que coleccionava a tudo e não assumia responsabilidades. O ganso que abria a boca sem se dar conta que estaria a magoar àqueles que mais amava. A gansa, sábia que apressava em corrigir, em palavras, as asneiras dos demais sem tampouco se dignar a agir muito, pois a sua família era a prioridade. Esse é o retrato da nossa sociedade: cavalos que só olham para as aparências, um conjunto de ovelhas seguidistas, uns ratos covardes e ingratos, uns gansos que falam sem pensar, umas vacas que pensam em si mesmas, e umas gansas que pensam na sua família.

Até que nos surjam na vida uns porcos lamacentos com a pureza interior e umas aranhas, pequenas, simples, modestas e sábias, capazes de converter as cinzas do desespero em fogo heróico, capazes de unir um conjunto de seres que só viviam juntos e transformá-los em amigos, camaradas, unidos por um bem comum, unidos com um objectivo comum, capazes de lutar, determinados e incansáveis, onde nem a morte os poderia separar.

Apesar de ser um desenho animado que vi pela primeira vez há décadas, apesar ser baseado num livro para crianças, de ser uma película para pequenos humanos a partir dos quatro anos de vida, a Teia de Carlota é uma lição de amizade, uma lição de vida e, acima de tudo, uma lição verdadeira de amor verdadeiro.

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terça-feira, janeiro 23, 2007

Rumi - Divan Shamsi Tabrizi

Escuta a flauta e como ela conta um conto, lamentando a separação:

Dizendo, “desde que me cortaram do canavial, meu lamento fez lamentar o homem e a mulher.

Quero um peito que chore pela separação, para que nele verta a dor do desejo-amor.

Tudo o que se afasta da origem deseja volver no tempo para quando com ela era uno.

Em toda companhia atesto minhas lamentações. Me associo com os que entristecidos e com os rejubilantes.

Jalálu’d-Dín-i-Rumí (1207-1273) in Mathnavi (livro 5).
Trad. por Sam, a partir do inglês de
R. A. Nicholson, Selected Poems from the Divan Shamsi Tabrizi.

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quinta-feira, janeiro 11, 2007

O renascimento do Fênix

O meu amigo Carlos Emerson Jr., um intervencionista convicto, certa vez perguntou-me “o que vão fazer com Fênix quando ela renascer?”.

A pergunta é boa: é pensada e serena, da mesma forma que ele gosta de agir. É também resumida. O único problema é que é difícil explicar o renascimento dum ser que se queima e que renasce a partir das suas próprias cinzas, um ser que é o mesmo que sempre foi – na sua imutabilidade que lhe preserva a identidade – e que a cada renascimento consegue mudar para melhor – na sua elasticidade de organismo vivo que se sabe adaptar às exigências e necessidades da sociedade na qual renasce.

Shoghi Effendi, politólogo por Oxford e Guardião da Fé Bahá'í, afirmou sob o título O Fogo de uma Tribulação Severa algo que se pode aplicar aos cidadãos da doce Feníxia:

Nada a não ser uma provação flamejante, da qual a humanidade emergirá, purificada e preparada, conseguirá implantar aquele senso de responsabilidade que os líderes de uma era recém-nascida deverão erguer sobre seus ombros.

Vivemos todos, sem nos apercebermos, nessa nova era, onde a crise é sucedida por vitória, onde só as coisas são refeitas só depois de estragadas, onde o Fênix só se recria depois de se destruir.

Os valores humanos só renascem quando pisados em todo o lado! A vida só será vivida quando soubermos o que ela é...

A Feníxia se converte assim no local onde os valores da ciência e da religião se convergem e onde os sinais de extremismo de falsas religiosidades ou pseudo-ciências se desvanecem. Os cidadãos de Feníxia vivem num mundo onde tais dicotomias seriam artificiais e onde, mais uma vez, Shoghi Effendi (desta vez em A Idade Áurea…) afirmaria que a postura não seria “eclética na apresentação de sua verdades, nem arrogante na afirmação de seus postulados. Seus ensinamentos gira[ria]m em torno do princípio fundamental de que a verdade religiosa não é absoluta, mas relativa, que a Revelação Divina é progressiva, não final”.

Um fênix, um verdadeiro Fênix, quando renasce de suas cinzas dá o primeiro e derradeiro passo para a compreensão de que as várias visões são “idênticas em seus objetivos, complementares em suas funções, contínuas em seus propósitos, indispensáveis em seu valor para a humanidade”.

Pois esta é a saga de Feníxia: a caminhada na senda da compreensão e do progresso físico, mental e espiritual!

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quarta-feira, janeiro 03, 2007

Há quinze anos guardando amigos e guardando cidadania...

Amigo é coisa para se guardar
Debaixo de 7 chaves,
Dentro do coração,
assim falava a canção que na América ouvi,
mas quem cantava chorou ao ver o seu amigo partir,
mas quem ficou, no pensamento voou,
o seu canto que o outro lembrou
E quem voou no pensamento ficou,
uma lembrança que o outro cantou.
Amigo é coisa para se guardar
No lado esquerdo do peito, dentro do coração
mesmo que o tempo e a distância digam não,
mesmo esquecendo a canção.
O que importa é ouvir a voz que vem do coração.
Seja o que vier,
venha o que vier
Qualquer dia amigo eu volto pra te encontrar
Qualquer dia amigo, a gente vai se encontrar

"Canção da América"
cantado por Os Paralamas do Sucesso
e composto por Milton Nascimento.

Faz hoje 15 anos que deixei a América, o continente do "novo mundo" na dúvida sobre o retorno, na saudade estampada no sonho do regresso. Quinze anos que se multiplicam por séculos quando penso nos amigos deixados para trás, na infância perdida, na diversão de ser um cidadão-mirim. Quinze anos divididos em meros segundos investidos na minha adolescência e juventude, no meu presente e na minha profissão.

Se ainda por lá como seria? Cada decisão da vida nos leva à decisão seguinte, numa nova oportunidade de encontrar sentido, de ganhar autonomia, de nos tornarmos mais plenos enquanto seres humano. Não teria os amigos que tenho hoje (teria outros), não trabalharia onde quero trabalhar (noutra profissão poderia estar), talvez até tivesse passado no vestibular há pouco tempo (e não com dois diplomas na mão...). Mas, ainda assim seria eu!

Hoje, apesar das dificuldades que qualquer estrangeiro sente, sinto-me cidadão não de Portugal mas da Europa. Aqui encontrei um continente que se assume como entidade orgânica à procura de sentido, sem saber como crescer, sem saber como integrar tantas diferenças, sem saber como fazer... A Europa de hoje tenta desprender-se daquela Europa que oscila entre o conservadorismo e o excesso de liberalismo: é a Europa da renovação cultural e social; é a Europa da integração; é a Europa da União!

Da Europa absorvo as bases do conhecimento ocidental, da Europa retiro a pluralidade linguística, com a Europa encontro o futuro da unidade na diversidade. Mas também lá, nas Américas encontrei o sonho idealitário do progresso e da expansão, encontrámos a inovação, a capacidade de refletir e criar o novo; lá também temos o pluralismo e o integracionismo funcional e real, e não o teórico e o regulamentado.

Por isso, ao mesmo tempo que me sinto cidadão europeu, sinto-me também cidadão americano (e até, de certa forma cidadão asiático). Aprendemos meia-dúzia de línguas numa vida, passamos por uma dezena de países do mundo, conhecemos pessoas de meia centena de países por ano e, certamente, não somos os mesmos que eramos mediante as decisões anteriores, ou quinze anos antes!


A humanidade caminha, a passos largos (mas também firmes), para aquela posição na qual concerteza, não mais nos vangloriaremos por sermos cidadãos deste ou daquele país, deste ou daquele continente, aceitaremos que cada um de nós exerce o seu papel neste jardim que só é belo por ser multicolorido, neste jardim que é um só país chamado Terra!

Quinze anos depois, obrigado aos meus amigos que me levam a ser um cidadão em plenitude, um cidadão da Terra!

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