sexta-feira, agosto 03, 2007

Sofrendo e sorrindo

Estive há pouco em conversa com uma amiga, também psicóloga e admiradora de Frankl, e reli os textos que ela escreveu, há já algum tempo nalgum lugar, e lembrei-me que Frankl explica que existem três caminhos para conhecermos o sentido da vida, sendo...

A terceira via para encontrar sentido “aí, onde enfrentamos o destino que nos parece irrevocável”, aí onde parece que já não há saída consegue-se “realizar o mais humano dentro do homem”
(Frankl), transformando uma tragédia em triunfo e o sofrimento em progresso.

O ser humano é, assim, movido pelos valores de atitude, convertendo-se no homo patiens, que lhe permitem não só aceitar àquelas situações onde nada pode fazer, mas também agir dentro do marco dos condicionalismos impostos pela situação. Como diriam Campiche e colegas, o ser humano “talvez não tenha liberdade para estar doente ou são (…), ser burguês ou operário, mas tem liberdade para aceitar estados com resignação ou revoltar-se. O ser humano tem liberdade para reagir”.

Frankl reconhece o papel destes valores para o progresso humano ao afirmar que “Somente a atitude e a volição permitem-lhe dar testemunho de algo que só o homem é capaz: de transformar e remodelar o sofrimento a nível humano para convertê-lo em um serviço”. Mas atenção, o sofrimento não é a única via para o sentido: aquilo que seria a procura ou a vontade de sofrimento é mais um masoquismo despropositado: os valores de atitude não são nem sofrimento desnecessário nem mudança da situação limitante inalterável, são na realidade “experiências trágicas inerentes à vida humana” (Frankl) que permitem mudar a si mesmo, crescer, transcender.

É interessante a forma como 'Abdu'l-Bahá aborda este tema:

A mente e o espírito do homem avançam quando ele é provado pelo sofrimento. Quanto mais lavrado o solo, tanto melhor crescerá a semente, tanto melhor será a colheita. Assim como o arado sulca a terra profundamente, purificando-a dos cardos e das ervas daninhas, assim o sofrimento e a tribulação livram o homem dos frívolos assuntos desta vida terra, até atingir estado de completo desprendimento, quando sua atitude será de felicidade divina. O homem é, por assim dizer, verde; o calor do fogo do sofrimento amadurecê-lo-á. Olhai para os tempos passados e verificareis que os maiores homens sofreram o máximo.

Essas experiências trágicas podem ser três: sofrimento, culpa e transitoriedade. Não é pelo sofrimento (ou dor), pela culpa ou pela transitoriedade da vida (morte) que as pessoas desesperam, mas por não verem sentido nelas, por isso devemos tentar converter “o sofrimento em realização, a culpa em conversão e a morte em estímulo para a ação responsável” (Guberman e Soto), ultrapassando esta tríade trágica.

Sei que nenhuma palavra consola. Mas quem sabe, minha amiga, o sentido ajuda!

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1 Comentários:

Blogger AMMedeiros disse...

"Una infelicidad no es nunca maravillosa. Es un fango helado, un lodo negro, una escara de dolor que nos obliga a hacer una elección: someternos o superarlo. La resiliencia define el resorte de aquellos que, luego de recibir el golpe, pudieron superarlo".
Boris Cyrulnik

Obrigada... Por tudo.

Um beijo e um xi-coração
(Ana e Herói)

03 agosto, 2007 14:41  

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