sexta-feira, julho 20, 2007

Excessos na comunicação

O mullá, um pregador, entrou num determinado recinto para dar um sermão. A sala estava vazia, excepto pela presença de um jovem cavalariço, sentado na primeira fila. O mullá, cogitando se deveria ou não falar, finalmente disse ao cocheiro: “Você é a única pessoa presente aqui. Acha que eu deveria falar, ou não?” O cavalariço respondeu-lhe: “Mestre, eu sou apenas um homem simples e não entendo dessas coisas. Mas, se eu entrasse nos estábulos e visse que todos os cavalos haviam fugido e apenas um restava, mesmo assim eu daria comida para ele.”

O mullá tomou isso muito a sério e começou a pregar. Falou por mais de duas horas. Depois disso, sentiu-se exultante e queria que a plateia confirmasse a grandeza do sermão. Ele perguntou: “Você gostou do sermão?”. O cavalariço respondeu: “Já lhe disse que eu sou um homem simples e não entendo dessas coisas. Entretanto, se eu entrasse nos estábulos e descobrisse que todos os cavalos haviam fugido e excepto um, eu daria de comer a ele, mas não lhe daria toda a ração que eu tivesse.

Peseschkian (1992). O Mercador e o Papagaio: histórias orientais como ferramenta na psicoterapia.

A fábula do mullá e o cavalariço demonstra os problemas que a comunicação enfrenta: ou dá-se muito pouco, ou dá-se demasiado de uma só vez. E, em ambos os casos, o desenvolvimento humano é desconsiderado.

Muitas vezes observo que, quando estamos a explicar um tema complexo a um adulto, ou a sexualidade a uma criança, quando damos aulas ou estamos em psicoterapia, muitos de nós explicamos para além do que é necessário, para além do que a pessoa está interessada ou, pior, capaz de assimilar.

A comunicação tem muito de comum com os medicamentos. Usadas e aplicadas no momento certo e da forma correcta, pode inclusivamente levar a uma mudança de atitude e comportamento. No entanto, se a mensagem for transmitida de forma errada poderá acarretar consequências perigosas!

E
tudo o que pretendíamos transmitir... mostra-se ineficaz!

Por isso, nada como esperar o outro fazer-nos as perguntas, ao invés de sermos nós a adivinhar por eles...

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1 Comentários:

Blogger Veco84 disse...

Muito bom o post ;)

20 julho, 2007 18:23  

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