quarta-feira, agosto 01, 2007

Quando tudo o que importa é a política e não as pessoas...

200 mil mortos! 2 milhões de desalojados! 4 anos! 1 direito de veto!
E, ainda havia outro conflito na região que durava 21 anos!!! (uma guerra a Sul do país, na qual o governo islâmico foi retaliado por rebeldes cristãos que se negavam à imposição da lei islâmica na sua região, minoritariamente muçulmana).


No norte do Sudão, em Darfur, os negros africanos, descontentes com o "seu" governo começaram, em 2003, o ataque a locais do governo que, em retaliação, admite ter mobilizado milícias de auto-defesa. Há quem diga que, neste momento, surgiram as milícias Janjaweed cujo único objectivo nos roubos, nas violações e nos extermínios era a expulsão dos negros da região, para a manutenção do domínio árabe. Naturalmente, o governo nega!

Dois anos depois foi assinado um tratado... E, ao que parece, pouco foi feito! As milícias continuam activas e o Sudão negava a possibilidade de deixar entrar forças das Nações Unidas?!?

Finalmente, ontem, parecem ter chegado a um acordo. A China já não utilizou o seu direito a veto (veto? impedir a morte de seres humanos? veto? não consigo digerir essas questões juntas...) e a Unamid (United Nations African Union Mission in Darfur), que custará 2 bilhões por ano e contará com 19.555 militares e 6.432 agentes policiais, terá a sua força completa em 2008?!

Mais, o Governo Sudanês aceitou!

Tudo isso é-me surreal! Já vi quadros de Dali ou de Miró que se percebiam melhor que a política internacional.
Façamos as contas: um grupo armado (seja do governo ou não) comete massacres e temos que sentar a espera de negociações económicas e políticas para salvar seres humanos?

A China, com os seus interesses naquele país, deveria ser a primeira a apoiar uma resolução ao conflito. O governo do Sudão deveria ser o primeiro a implorar ajuda aos seus aliados. O EUA que tão bem sabe entrar em todo lado, talvez devesse ter-se preocupado com o Sudão antes do Iraque.

Não sei! A esse andar, a Organização das Nações Unidas, mais do que manter a paz, consegue ser o órgão internacional que mantem a guerra!!!
Não sei! Não entendo! E tenho medo de entender aonde vamos assim... É como dizem os Legião Urbana: "humanidade desumana".
O quadro diz tudo! Tapemos o leão.

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sexta-feira, julho 20, 2007

Excessos na comunicação

O mullá, um pregador, entrou num determinado recinto para dar um sermão. A sala estava vazia, excepto pela presença de um jovem cavalariço, sentado na primeira fila. O mullá, cogitando se deveria ou não falar, finalmente disse ao cocheiro: “Você é a única pessoa presente aqui. Acha que eu deveria falar, ou não?” O cavalariço respondeu-lhe: “Mestre, eu sou apenas um homem simples e não entendo dessas coisas. Mas, se eu entrasse nos estábulos e visse que todos os cavalos haviam fugido e apenas um restava, mesmo assim eu daria comida para ele.”

O mullá tomou isso muito a sério e começou a pregar. Falou por mais de duas horas. Depois disso, sentiu-se exultante e queria que a plateia confirmasse a grandeza do sermão. Ele perguntou: “Você gostou do sermão?”. O cavalariço respondeu: “Já lhe disse que eu sou um homem simples e não entendo dessas coisas. Entretanto, se eu entrasse nos estábulos e descobrisse que todos os cavalos haviam fugido e excepto um, eu daria de comer a ele, mas não lhe daria toda a ração que eu tivesse”.

Peseschkian (1992). O Mercador e o Papagaio: histórias orientais como ferramenta na psicoterapia.

A fábula do mullá e o cavalariço demonstra os problemas que a comunicação enfrenta: ou dá-se muito pouco, ou dá-se demasiado de uma só vez. E, em ambos os casos, o desenvolvimento humano é desconsiderado.

Muitas vezes observo que, quando estamos a explicar um tema complexo a um adulto, ou a sexualidade a uma criança, quando damos aulas ou estamos em psicoterapia, muitos de nós explicamos para além do que é necessário, para além do que a pessoa está interessada ou, pior, capaz de assimilar.

A comunicação tem muito de comum com os medicamentos. Usadas e aplicadas no momento certo e da forma correcta, pode inclusivamente levar a uma mudança de atitude e comportamento. No entanto, se a mensagem for transmitida de forma errada poderá acarretar consequências perigosas!

E
tudo o que pretendíamos transmitir... mostra-se ineficaz!

Por isso, nada como esperar o outro fazer-nos as perguntas, ao invés de sermos nós a adivinhar por eles...

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