quarta-feira, março 12, 2008

I Dia Online de Liberdade de Expressão

62 bloggers presos em todo o mundo: são os números que os Repórteres Sem Fronteira tornaram público hoje, no I Dia Online de Liberdade de Expressão.

Países como Arábia Saudita, Bielorússia, Burma, China, Coreia do Norte, Cuba, Egito, Etiópia, Irã, Síria, Tunísia, Turquemenistã, Uzbequistã, Vietnam e Zimbábue são apenas 15 dos países nos quais os bloggers correm sérios riscos de serem presos e blogs, sites e fóruns de discussão fechados, num total que deve ultrapassar os 2.600 (só em 2007).

Com apoio inicial, mas cancelado de véspera, da UNESCO, a organização do dia afirma que tais atos de censura e legislações que monitorizam a internet
“não é de todo surpreendente, uma vez que estes regimes regularmente caçam os media tradicionais”. Apesar da penetração da Internet ser pequena, ela é o suficiente para provocar "pequenos pesadelos".

Pensadores independentes são presos sistematicamente, em todo o mundo. Acredito que a lista seja muito mais extensa do que a apresentado. Mas pensadores e não só!
Lembro-me de um rapaz espanhol
preso há ano e meio porque algum anónimo deixou um comentário tido como ameaçador a um professor, do marroquino preso por fazer um perfil para o Príncipe e de tantos outros!

Os Relatórios da organização são preocupantes! E, infelizmente, ano após ano, as situações não se resolvem! Foi tornada pública o Manual para Bloggers e Ciber-Dissidentes, que ajuda a dar a volta aos sistemas perniciosos do mundo, com dicas para postagens anónimas para que não sejam descobertos.

No entanto, eu gostaria de poder, algum dia, observar os líderes entendendo que a capacidade de pensamento livre e independente é o que traz honra, prosperidade, independência e liberdade para todos, sendo estes, o primeiro passo para o progresso civilizacional...

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quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Os Idiomas são Importantes!

No Dia Mundial da Língua Materna, abrindo o Ano Internacional dos Idiomas, só posso deixar aqui uma reflexão que me acompanha desde os meus tempos de infância. Tendo sido educado numa religião cujo preceito fundamental é a unicidade de todo o género humano, pondero sobre a questão dos idiomas.

Já referi certa vez, neste mesmo blog, que considero que a aproximação de variações de um mesmo idioma poderia ser o primeiro passo para a unificação dos povos do mundo e a abolição dos preconceitos. Aliás, noutra oportunidade mencionei que a paz universal só poderá ser alcançada com o estabelecimento de determinadas coisas, entre as quais a unidade dos idiomas.

Bahá'u'lláh (1817-1892), o fundador da Fé Bahá'í, durante o seu exílio em território otomano, foi visitado pelo Primeiro-Ministro turco, Kamál Páshá, que lhe relatou o facto de conhecer inúmeros idiomas. Ele respondeu com a seguinte passagem:

"Desperdiçaste tua vida. Convém a ti e aos outros funcionários do governo promover uma reunião e escolher uma dentre as diversas línguas, bem como uma das escritas existentes, ou senão criar uma nova língua e uma nova escrita para serem ensinadas às crianças nas escolas de todo o mundo. Deste modo, as crianças estariam aprendendo apenas duas línguas, uma sua própria língua nativa, e a outra, a língua na qual todos os povos do mundo conversariam. Caso os homens aderissem firmemente àquilo que tem sido mencionado, toda a terra viria a ser vista como um só país, e os povos seriam desobrigados e libertados da necessidade de aprender e ensinar diferentes idiomas."

E, hoje, existindo 6.700 idiomas falados em todo o mundo, 3.350 delas estão em vias de extinção (segundo estudos, a cada duas semanas uma delas deixa de ser praticada), será que eu terei que falar 6.700 idiomas para poder me comunicar com o resto do mundo?
Eu que adoro idiomas, mesmo que soubesse 7 deles, teria o conhecimento de 0,10% dos idiomas do mundo. Serei eu um parco ser humano? Bem, não! Afinal de contas, 96% das línguas são faladas por 4% da população mundial. Mas, mesmo assim, será este o caminho? Despender dinheiros públicos para manter idiomas que já ninguém quer falar? Ou utilizá-los com apoios aonde realmente são necessários? Na educação de países em vias de desenvolvimento ou no apoio às vítimas de conflitos armados? Essas deveriam ser as prioridades do mundo!

A questão linguística deve levar-nos à alguma manutenção da beleza da diversidade idiomática, mas não a uma luta redundante pelo passado. Deveríamos criar meios de manutenção dos nossos idiomas nativos (quando necessário) e a criação urgente de um novo idioma que nos permitisse comunicar uns com os outros. Afinal de contas, o que é a comunicação senão a arte de pôr algo em comum, de conectar-se aos demais?

O slogan da UNESCO é verdadeiro, mas não poderia ser, ao invés de Os Idiomas são Importantes: um idioma auxiliar universal é importante? Espero que os debates sejam pragmáticas e focados na unidade do género humano, mais do que na manutenção do passado (por mais que eu adore aprender novos idiomas).

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sexta-feira, setembro 14, 2007

Congresso Internacional: Rumi 800 anos

No domingo passado, começou, no Tajiquistão, como resultado da coperação entre a Academia de Ciências da República do Tajiquistão, a Plataforma do Diálogo da Eurásia e o Instituições Educacionais Selale, o Congresso comemorativo dos 800 anos do nascimento de Rumi, o sufi persa cujo pensamento, se estudado, poderia caracterizar o conhecimento espiritual e filosófico do mundo.

Com cerca de 100 académicos de 27 países como a Turquia, a Rússia, o Irão, o Azerbaijão, o Egipto e a Índia, mas também com a presença do Estados Unidos da América, da Áustria, Alemanha, França e Japão o evento, se devidamente publicitado, poderia ter marcado, globalmente, um debate sobre a eliminação dos preconceitos, da falta de informação e da ignorância através dos princípios de tolerância e amor por todas as religiões e civilizações, preceitos ensinados por Rumi no Século XIII.

Da cerimónia de abertura, com Imamali Rahman, Presidente da República daquele país, até à declaração final dois dias depois, abordou-se a necessidade de toda a humanidade beneficiar das ideias de Rumi, para o estabelecimento de um verdadeiro diálogo inter-cultural e o estabelecimento da paz mundial.

Sendo um membro da Fé Islâmica, o sufismo é perseguido por alguns movimentos (governamentais e não só) de países islâmicos. O seu pensamento, é, contudo, tido como um dos mais proeminentes dos séculos que nos precedem, ao ponto de Bahá'u'lláh, o fundador da religião Bahá'í dedicar uma epístola (Tablet of Salman) a um verso de sua obra, bem como citar o seu pensamento em diversas passagens das Suas próprias obras.

A título de exemplo, segue-se um dos mais belos dísticos de Rumis, citados nas escrituras sagradas bahá'ís (a única religião que o cita em sua literatura sagrada):

Tu, Irmão, és teu pensamento apenas,
O resto é somente músculo e osso.

Se apenas estivessemos atentos que a nossa verdadeira realidade é a nossa realidade interior e não a aparência exterior...

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quarta-feira, agosto 15, 2007

Educação, um direito de todos: indubitavelmente!

Nem tudo está mau no mundo, no que concerne à educação.

O Relatório da UNESCO para 2007 (Education for All Global Monitoring Report) relata as boas medidas de alguns governos para a maior inclusão de estudantes. Citarei os casos:

  • Como consequência da abolição das taxas a pagar para a escola primária, o Burundi conseguiu que mais 500 mil crianças ingressassem o ensino.
  • Na Suazilândia, o governo dispôs 7,5 milhões de dólares a crianças orfãs e carenciadas, para poderem ingressar e continuar no ensino primário e secundário.
  • A Bolsa Família, no Brasil, providenciou o apoio financeiro suficiente para que 5 milhões de crianças pudessem, entre outras coisas, entrar na escola.
  • Como medida de inclusão sexual, 10% das meninas com resultados excelentes em ciência, matemática e tecnologia e 33% das que provém de fracas condições financeiras são apoiadas pela Girls’ Scholarship Trust Fund da Gâmbia. Mais de 16 mil são as beneficiadas.
  • O Uruguai criou medidas de inclusão de crianças com e sem discapacidade, num total de 39 mil beneficiadas.

Digam-me: há ou não há esperança? Os passos são pequenos, gatinhamos talvez, mas algum dia (espero!) lá chegaremos.

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