Bahá'ís presos
Estas forças – de integração e de desintegração – são as que, por um lado, permitem que o Golfo Pérsico melhore as suas relações interreligiosas, ao mesmo tempo que, por outro, comprovam a degradação ao mais triste grau.
Relatórios internacionais e centros de notícia por todo o globo têm passado a notícia do encarceramento de 7 líderes bahá’ís da Comunidade Bahá’í no Irã, pelas autoridades policiais do ministério da informação. Invadiram as casas de 6 deles a 14 de Maio e prenderam-lhes sem constituírem acusação. Fariba Kamalabadi, Jamaloddin Khanjani, Afif Naeimi, Saeid Rezaie, Behrouz Tavakkoli e Vahid Tizfahm juntaram-se a Mahvash Sabet, a sétima membro do intitulado Amigos Bahá’ís do Irã (Yaran’i Bahá’í), que já se encontra presa desde 5 de Março deste ano.
O seu crime é única e exclusivamente serem bahá’ís, o que é considerado um crime de apostasia, conforme relata a CNN. O Departamento de Estado do EUA já se pronunciou sobre o tema, declarando que se trata de “uma clara violação dos compromissos e obrigações do regime iraniano no que respeita às normas de liberdade religiosa”. o ministro de Relações Exteriores do Canadá afirmou "profunda preocupação" e Joseph K. Grieboski, um dos grandes relatores dos Direitos Humanos, lembra que:
A maior recolha e detenções dos líderes bahá’ís nacionais ocorreu no início dos 1980s. Em 1980, todos os 9 membros da liderança bahá’í foram raptados e então desapareceram. Os bahá’ís não têm clero oficial, e desde que suas Assembleias Espirituais foram banidas pela lei após a Revolução Iraniana de 1979, têm contado com a eleição de comités nacional e locais como líderes da fé.
O governo iraniano severamente restringe as vidas e práticas religiosas dos bahá’ís, que são cerca de 300.000 e são a mais ampla minoria religiosa do Irã. Os bahá’ís também sofrem mais discriminação oficial e assédio que os seguidores de qualquer outra fé minoritária. Os bahá’ís são impedidos de servir no governo e exército, e geralmente é-lhes negado a admissão a universidades estatuais.
Escusado será dizer que os bahá’ís de todo o mundo temem que seus irmãos em Fé sejam torturados ou mesmo executados como os oito líderes da Assembleia Nacional dos Bahá'ís do Irã executados em Dezembro de 1981, ou dos mais de 250 executados desde a Revolução Islâmica de 1979. Ou ainda que o número de presos aumente, tendo em conta os milhares de presos desde a Revolução, os 54 jovens presos no ano passado por trabalharem num projeto social com aval da UNICEF, ou que as perseguições piorem para as crianças que são maltratadas em escolas públicas, ou os bahá'ís que são amarrados em árvores para ser queimados com gasolina.

[14 de Maio de 2008: seis líderes bahá'ís de Teerã são presos, levados à prisão de Evin
5 de Março de 2008: proeminente bahá'í de Teerão chamada a Mashhad para interrogatório, ainda detida].
Gostaria de terminar este texto com o pensamento de Wendi Momen sobre o tema, algo que muitos poderão estar a pensar enquanto lêem estas linhas:
Comparado à perda massiva de vida no Burma e na China, comparado ao colapso de toda uma economia no Zimbabué, o aprisionamento dos Bahá’ís no Irã parece irrelevante, certamente indigno de notícia.
Um dos piores traços dos desastres que têm cercado o nosso mundo é que têm sido constituídos pela nossa inabilidade coletiva em agir coletivamente. Ainda estamos divididos por país, raça, religião, cor de pele, classe e sexo. Falhamos em lidar uns com os outros com justiça e humanidade. Pessoas morrem em furacões mas muitos mais morrem porque nossos líderes não confiam em trabalhadores que ajudem e assistam àqueles feridos ou carentes de comida e água. (…) A pessoas marginalizadas, quer
Por isso, pergunto, caro leitor, há algo que nós – bloggers e leitores, bahá’ís, cristãos, muçulmanos e ateus, portugueses, brasileiros e iranianos, nacionais e imigrantes, … Há algo que você que lê o texto ou eu que o escrevo possamos fazer para parar mais essa tragédia?– Estou aberto a ideias.
Afinal de contas:
“Tudo o que é preciso para o triunfo do mal é que homens bons não façam nada”
(Edmund Burke).
“O que me preocupa não é o grito dos maus e sim o silêncio dos bons”
(Martin Luther King).
“Nós mesmos somos o futuro. Nós somos a revolução”
(Beatrice Bruteau).
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