sábado, maio 03, 2008

Dia da Liberdade de Imprensa na Era da Participação...

Li, certa vez, a seguinte reflexão:

Qual é a próxima era? A Era da Participação, na qual uma rede aberta e competitiva abastece as oportunidades para todos – não apenas delieando dados ou mudando trabalho pelo mundo, mas participar, criar valor e independência. Se a Era da Informação foi passiva, a Era da Participação é ativa.

E, hoje, dia da Liberdade de Imprensa, este pensamento vem-me à mente.

Primeiro porque a liberdade de imprensa é um dos bens cruciais para que possamos ter um Quarto Poder estável que nos permita a evolução e a aprendizagem e os chamados Predadores apenas minam esse progresso humano. Aquelas pessoas e instituições que instigam contra a liberdade são muitas vezes presidentes, ministros, chefes de gabinetes, líderes religiosos ou cabeças de grupos armados, e vivem numa estranha era de participação na qual acham que ser predador da liberdade de imprensa é participar; achando que a utilização das garras da censura, da prisão, do sequestro, da tortura e, mesmo, da morte de jornalistas é participar! A lista atual contém 39 predadores (cinco saíram das listas anteriores e dez novos foram incluídos) e, se os meus conhecimentos geográficos não me atraiçoam a distribuição por continente é:

  • 24 na Ásia (6 ex-membros da URSS, 3 países árabes, 6 países do extremo oriente, 2 iranianos, 4 no oriente próximo e 3 na Ásia Central);
  • 9 na África (com líderes de vários países em situação de constante instabilidade);
  • 4 nas Américas (México, Colômbia e Cuba);
  • 2 na Europa (a espanhola ETA e um líder bielorrusso).

A imprensa é vítima de uma violência ultrajante! E, apesar de na Europa, a situação ser mais estável que o resto do mundo, segundo a investigação pelos Repórteres Sem Fronteiras, são feitas ameaças contra jornalistas, tentativas de assassinato, intimidações de famílias… A era da participação de grupos sectários:

  • Na Itália, as ameaças sob formato de cartas anónimas, pneus furados, carros riscados chegam às centenas, acontecendo, cedo ou tarde, àqueles jornalistas que escrevem sobre a máfia, a maior fonte dessas ameaças: a Camorra (Nápoles), a ’ndrangheta (Calábria), a Cosa Nostra (Sicília) e a Sacra Corona Unita (Puglia).
  • Em Espanha a Euskadi Ta Askatasuna (ETA) continua ameaçando-os. As palavras de Gorka Landaburu (Dir. do do Cambio 16), sobre o atentado a que foi vítima (2001) são um bom exemplo: “Fui gravemente ferido por um pacote explosivo. Perdi vários dos meus dedos e a visão do meu olho esquerdo”.
  • Na Irlanda do Norte, as maiores ameaças são daqueles grupos descendentes dos paramilitares protestantes, que desejam manter fortes relações com o governo britânico e alguns dissidentes da Irish Republican Army (IRA) que, não desejando o governo de poder compartilhado entre os Unionistas e os Republicanos, continuam intimidando os jornalistas.

Então, voltando ao início, qual é mesmo o nome da próxima Era? Acho que algumas pessoas não entederam: Era da Participação não é Era da Repressão!

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segunda-feira, abril 14, 2008

Da leitura, da Trindade, e da Religiosidade

Há dias li um livro do falecido antigo e ex-Cónego da Catedral de Dt. Patrick, Dublin (Irlanda) e também Arcediago de Clonfert, George Townshend. Uma figura cuja obra merece ser estudada por todos aqueles que se gostariam de afirmar como doutos nas ciências de análise religiosa.

O livro que li possuía toda uma análise coerente (mesmo que se discorde dele não se pode deixar de confirmar a coerência nos argumentos expostos) de toda uma série de questões religiosas e dogmáticas, sociológicas e sociais, históricas e culturais, desde o tempo de Jesus Cristo; começando, assim, o seu livro com o Capítulo Chamado de Deus aos Cristãos e terminando com O Reino na Terra, logo antes do epílogo.

Sobre o Cristianismo, aquele dos tempos de inicias, ele comenta:

Uma nova qualidade de amor caracteriza agora o Reino, amor este que unia os crentes não só com Deus mas também uns com os outros e até se estendeu aos inimigos e “àqueles que vos odeiam”. (…) O supremo ideal deste amor, segundo mostra o Evangelho de S. João, foi a relação entre Cristo e o Pai e, embora revelada na linguagem simples, em palavras sem adorno, salienta-se como a mais alta expressão do amor divino nas Sagradas Escrituras.

Uma análise minuciosa é feita sobre esta relação entre Jesus, o Filho do Homem, e o Pai, Deus Todo-Misericordioso; e, aqui, uma das coisas que mais me chamou a atenção, na obra, foi essa capacidade de me explicar, finalmente, a questão da Santíssima Trindade. O autor explica sobre a “crença geral de que Jesus Cristo foi encarnação única de Deus” e sobre o facto de “nas próprias palavras de Cristo registradas no Evangelho, entretanto, nada se encontra em apoio de tal crença”, conforme os argumentos que aqui tento sintetizar.

  • Jesus era enfático na distinção entre Ele Próprio e o Pai, dizendo:
    • “do Pai que me enviou” (João, 14:24);
    • “Vou para o Pai” (João, 14:28);
    • “porque o Pai é Maior do que eu” (Idem);
    • “vou ao Pai” (João, 16:16);
    • “eu rogarei ao Pai” (João, 14:16);
    • “nada faço por mim mesmo; mas falo como o Pai me ensinou” (João, 8:28).
  • Também afirmou que ao Pai pertencia o conhecimento desconhecido por Ele, o Filho:
    • “A respeito, porém, deste dia ou desta hora, ninguém sabe quando há de ser, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas só o Pai” (Marcos, 13:32).
  • Ainda, Ele falava de Si mesmo como profeta (Mateus, 13:57).
Para Townshend, faz-se fundamental entender o conceito de Espírito da Verdade e entender que há duas realidades distintas, pois o Próprio Cristo fala de um “ele” e de um “eu”:
  • “Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; (…) Ele me glorificará, porque há-de receber do que é meu” (João, 16:13-14).

O autor continua explicando que, como consequência de más interpretações das Escrituras Sagradas do passado, “os adeptos de todas as religiões do mundo têm inventado para si crenças semelhantes, afirmando ser único e final seu próprio Profeta. Em consequência disto, nenhuma religião reconheceu aquele Profeta de uma religião posterior. Os hindus não acreditam em Buda, nem os budistas, e nem ainda os zoroastrianos, em Cristo. E o resultado dessa crença delusória é que as religiões do mundo têm concorrido para a divisão da humanidade em vez de sua unificação”.

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