segunda-feira, junho 04, 2007

O Líder Constante

Estava esta semana reflectindo acerca do que está a passar ao meu redor e em relação a uma entrevista que li na Fortune (edição europeia, N.º 9), lembrei-me das palavras de 'Abdu'l-Bahá:

Tende o maior cuidado para que este dia calamitoso não vos diminua as chamas do ardor nem extinga vossas frágeis esperanças. Hoje é o dia para fidelidade e constância. Bem-aventurados aqueles que se mantêm firmes e inabaláveis como a rocha, e enfrentam com bravura o tumulto e a tensão desta hora tempestuosa.

Vivemos numa sociedade na qual as palavras são pronunciadas sem ser pensadas, e os pensamentos reflectidos escasseiam. Como poderemos dizer que “hoje é o dia da constância”? Pois bem, Robert Polet (presidente e CEO do Grupo Gucci) dá um exemplo:

Se um amigo se torna inconsistente, da primeira vez dizes: “Hmm, estranho”. A segunda vez que isso acontece dizes: “Não estou certo se ainda me sinto à vontade com essa pessoa, porque é imprevisível”. Da terceira vez dizes: “eu vou procurar um novo amigo”.

E explica que se o produto, à semelhança desse amigo, age de forma inconsistente e inconstante, o cliente distrai-se e busca novos produtos. 'Abdu'l-Bahá explica também alguns atributos fundamentais para o sucesso num verdadeiro empreendimento, como sendo: a fé, a confiança, a firmeza e a constância. Diz aliás que “quando encontramos verdade, constância, fidelidade e amor, ficamos felizes; mas se deparamos com mentira, infidelidade e impostura, ficamos infelizes”.

Aliás, é mais enfático ao dizer, no contexto dos macrossistemas, que “não havendo condição de paz e tranquilidade (…) a segurança e a confiança desapareceram”! Assim, falar deste tema nunca é redundante: confie em quem conhece e em quem mereça confiança.

E em quem podemos confiar?

Polet explica o que fez para que a empresa não só não fechasse as portas (como alguns oráculos previam) como também aumentasse em 44% os lucros num ano, mostrando as estratégias da confiança:

  • A organização passou de uma liderança de dois, para uma liderança de vinte;
  • Delineou-se um plano de três anos, produto a produto;
  • Foi contratado um director criativo para cada produto;
  • Visitou 168 das suas lojas, mundo afora, falou com 2.500 das 11 mil “pessoas trabalhando na Gucci” (é interessante notar que não utilizou termos como funcionário, servo, trabalhador ou empregado, mas: pessoa!!!);
  • Visitou 100 lojas da concorrência.

Em suma, fez aquilo que qualquer líder deveria ter consciência. Nas suas palavras:

Descobrir a companhia, a cultura, as pessoas, a concorrência, as regras do jogo. Regressei com um bom conhecimento e uma boa visão.

E, afinal, o que é um líder senão alguém que tem conhecimento da realidade actual e uma visão articulada de um futuro? O que é o líder senão uma pessoa em quem se pode confiar e que possui a capacidade aguçada de permitir que a sua equipa consiga ser constante. A pergunta fica no ar, meu caro leitor: o que é o líder… o cabo das tormentas ou o cabo da boa esperança? O porto seguro ou a tempestade impetuosa? O que é líder, é a pergunta que me faço… Quem sabe numa tese de doutoramento eu consiga perceber…

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