sábado, junho 23, 2007

Behold! Eis o Homem!

Acabo de terminar a minha leitura das 95 páginas da obra Eis o Homem (Behold the Man) de Michael Moorcock (1966). Algumas horas foram o suficiente para ficar perplexo e me rir com aquilo que o próprio autor caracteriza como tentativa de “lidar com o trabalho de analisar e interpretar vários aspectos da existência humana”.

Sem querer ferir susceptibilidades, a obra retrata a história de “o louco, o profeta, Karl Glogauer, o viajante no tempo, o neurótico psiquiatra frustrado, o homem em busca de significado, o masoquista, o suicida, o homem do complexo messiânico” que ao regressar aos primórdios do Cristianismo percebe que Jesus nunca existiu, tendo que assumir para si mesmo a função messiânica que lhe foi quase impingida por João, o revolucionário.

Curando todos aqueles que tinham doenças psicossomáticas (milagre da cura), andando sobre águas rasas (milagre do andar sobre as águas) e ensinando os discípulos a imaginar a comida de modo a evitar a fome (milagre da multiplicação dos pães), este homem (nem sequer cristão, mas um judeu curioso da história messiânica) viu-se obrigado pelo labirinto do tempo a assumir para si a função de Filho do Homem.

Crítico “da era de que as pessoas se agarram aos destroços das suas ortodoxias afundadas como se fossem a salvação, e continuam, de maneira agressiva, as mesmas ideias que as levaram à sua desagradável situação”, “diria que imitar Cristo é o mais importante acto de fé que um cristão pode executar. Ao rejeitar a ignorância e o preconceito a favor da educação e da tolerância, temos hipótese de alcançar o paraíso ou, no mínimo, a nossa própria harmonia moral e espiritual, que decerto será a nossa maior arma contra os efeitos da cupidez humana, contra os poderes do Caos e da Noite Velha…”.

Cansado de decisões erradas de religiões instituídas, o personagem principal rejeita a instituição dogmática sem por em causa a Fé. Cansado do seguidismo cego, o autor parece querer instaurar o pensamento livre e independente nos seus leitores. O que se deseja é transcender o instituído e pensar no que pode ser ciência e o que pode ser fé.

O que faz uma religião ser uma religião? Quem decide o património da sua religião? Quem faz a religião? Qual é a religião do futuro?

Muitos têm tentado responder. Quem sabe a resposta?

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