quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Nizâmî - Laylí e Majnún (4) - A realidade dos amantes

Sou teu, por mais longe que estejas de mim.
Tua pena, quando sofres, me dá pesar a mim.
Não há sopro que vente que não me traga o teu perfume.
Não há pássaro canoro que não pronuncie o teu nome.
Cada recordação que tenha deixado a sua pegada em mim
Permanece eternamente, como se fosse parte de mim.
Nizâmî (1140/6-1203/9).
Trad. de Sam
do espanhol de Jordi Quingles i Fontcubierta (1991).
(feliz dia dos namorados, pessoal
e não se esqueçam de manter a inocência!)

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terça-feira, novembro 28, 2006

Nizâmî - Laylí e Majnún (2)

Enquanto todos os seus amigos em seus livros afanavam,
Eles provavam outros modos de se instruir.
Aprendiam a gramática do amor um nos olhos do outro,
E os olhares eram para eles as notas que sacavam.
Pelo feitiço do amor se livravam da ortografia.
Eles praticavam escrevendo letras cheias de carícias.
Os demais aprendiam a contar; enquanto eles dizer podiam
Que não há nada que conte à excepção da ternura.

Nizâmî (1140/6-1203/9).
Trad. por Sam, a partir do espanhol de
Jordi Quingles i Fontcubierta (1991).

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sexta-feira, novembro 17, 2006

Dowland - A escolha...

Melhor mil vidas morrer
Que viver assim atormentado
Querida, lembra-te que o meu ser
Por tua causa morreu rejubilado.

John Dowland (1563-1626) in
"The Earl of Essex Galliard" -
First Booke of Songes (1597)
Trad. por Sam.

Cantado por Sting in Songs from the Labyrinth, a música de Dowland é dissonantes mas também envolvente. As dez canções presentes nesta recompilação provam-nos que o compositor era detentor duma personalidade singular que questionava, à boa maneira do seu tempo, a vida e a morte. Numa das canções -- Wilt thou unkind thus reave me -- demonstra a jubilosa melancolia de quem é capaz de ver para além do sofrimento dum amor não correspondido; pois amor tão intenso é aquele que permite maior facilidade em se afastar para, como Majnún ou Romeu, buscar a sua Laylí ou Julieta na morte: "a vida irá morrer, a morte manter-se-á viva para te amar", afirma o poeta-cantor.

Nesta condição de lutador, vivo pela morte, Dowland recebeu o título de Orfeu inglês, o personagem mitológico que regressa do mundo dos mortos. É ele o homem que, não merecendo (talvez como ninguém o mereça) o título de maníaco-depressivo, soube ver alegria e tristezas na vida, aprendendo a dar ao mundo e a receber do mundo, para depois poder transformar o sofrimento nalguma realidade com sentido (parafraseando o psiquiatra austríaco Frankl).

Numa das minhas músicas favoritas do álbum Come again, as aliterações e as redundâncias fazem da lírica e da música a mais jubilosa de todas, permitindo ao ouvinte (sabendo ou não inglês) sorrir mediante a descrição da dor, pois o autor sabe que enquanto sofre está perante a amada, a maior fonte de prazer ao seu coração, a bela jóia da sua existência.

Conforme explicou Frankl (1977), esta é a característica dos que reconheceram o seu papel no progresso humano, ao afirmar que "somente a atitude e a volição permitem-lhe dar testemunho de algo do qual só o homem é capaz: de transformar e remodelar o sofrimento a nível humano para converte-lo num serviço". É o que o próprio Sting diz: a música de Dowland vai "nos lembrando que apesar de poder haver tragédia na vida, a vida em si não é trágica".

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terça-feira, agosto 29, 2006

Nizâmî - Laylí e Majnún

Quem sou eu, tão longe de ti e contudo tão cerca?
Um mendigo que canta. Laylí, me ouves?
Livre do trabalho árduo da vida, minha solidão
Minha pena e minha aflição são para mim felicidade.
E, sedento, na corrente da dor me afogo.
Filho do sol, padeço fome pela noite.
Ainda que separadas, nossas duas almas amantes se unem,
Pois a minha é toda tua e a tua é minha.
Dois enigmas somos para o mundo,
Um responde ao fundo lamento do outro.
Mas, se nossa separação nos divide em dois,
Uma luz radiante nos envolve em comum,
Como procedente de outro mundo.
O que lá é um, aqui está separado.
As almas livremente vagam e se comunicam.
Eu viverei para sempre: o temor mortal, a decadência
E a própria Morte deixaram de exercer seu poder.
Compartindo tua vida por toda a eternidade,
Eu viverei se tu permaneces comigo.

Nizâmî (1140/6-1203/9).
Trad. por Sam, a partir do espanhol de
Jordi Quingles i Fontcubierta (1991).

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sexta-feira, junho 23, 2006

Nizâmî - Laylí e Majnún

A aflição e o sofrimento acabrunham a Majnún.
Não obstante, o jardim de Laylí floresce como em primavera.
Como pode seu amor viver alegremente, aplacado,
E sorrir de uma piada, enquanto ele é trespassado por mil setas?
Nizâmî (1140/6-1203/9).
Trad. por Sam, do espanhol de
Jordi Quingles i Fontcubierta (1991).

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