quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Discriminação Racial é lei em Angola

Oito anos depois de aprovado em 2000, pela maioria parlamentar (desde 1975) do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) a criação de novo item nos Bilhetes de Identidade dos cidadãos angolanos, há poucos meses das novas eleições, o tema volta à ribalta.

Mas que novo item é esse? Género sexual? Data de Nascimento? Filiação paternal e maternal? Não! Identificação racial! Os cidadãos do país africano terão que ser identificados como brancos, negros ou mistos.

Segundo o Página Um, «Justino Pinto de Andrade, economista e um dos mais respeitados analistas políticos angolanos, diz que "discriminar através do elemento racial é um erro histórico"». E, de fato, lembra-me a situação dos bahá'ís no Egito ou dos judeus na época da II Guerra Mundial.

Além da questão da discriminação, a lei não prevê o que vai mencionar no caso de imigrantes de países em que não se pode dizer se a pessoa é branca, negra ou mista, como o caso dos chineses que estão quase a obter a nacionalidade, ou como é que irão contabilizar o argumento misto.

Agora, mais do que detalhes técnicos está a questão fundamental: se a Terra, cada vez mais se assume como um só país, e a miscelânea de interculturalidade e interracialidade se fazem o espectro comum de todos os locais do mundo, porque estaremos a estabelecer diferenças? Se, cada vez mais, o objetivo é unir os povos do mundo e, no caso de Angola, criar um país unificado longe dos sectarismos que quase o destruíram há poucos anos, porque devemos buscar mais argumentos de separações?

Afinal de contas, somos mais iguais que desiguais!

Etiquetas: , , ,

terça-feira, dezembro 11, 2007

Maya Angelou - Família Humana

Aqui vai a minha contribuição à blogagem organizada organizada pelo Ricardo Rayol.
Para mim, é muito simples: se a internet não existisse, eu não poderia "publicar" esta tradução de um brilhante poema, ou outras tentativas de traduções.


Eu noto óbvias diferenças
na humana família.
Alguns somos sérios,
outros atraídos pela alegria.

Alguns declaram que suas vidas são vividas,
como verdadeira profundidade,
e outros clamam que realmente viveram
a verdadeira realidade.

A variedade de nossos tons de pele
deixa confundido, admirado, aturdido,
marrom e rosa e bege e púrpura
moreno e azul e lívido

Naveguei pelos sete mares
e parei em todo lugar,
vi as maravilhas do mundo
e ainda nem um homem vulgar.

Conheço dez mil mulheres
que Maria e Mariana são chamadas,
mas não vi quaisquer duas
que fossem realmente igualadas

Espelhos duplos são diferentes
apesar de seus traços motejados,
e amantes pensamentos bem diferentes pensam
enquanto deitados lado a lado.

Amamos e perdemos na China,
sobre as amarras da Inglaterra choramos,
e rimos e lamentamos em Guiné,
e na costa de Espanha prosperamos.

Buscamos sucesso na Finlândia
em Maine nascemos e morremos.
em coisas menores diferimos,
nas maiores nos parecemos.

Eu noto óbvias diferenças
entre cada forma e tipo,
mas somos mais iguais, meus amigos,
que desiguais.

Somos mais iguais, meus amigos,
que desiguais.

Somos mais iguais, meus amigos,
que desiguais.

Maya Angelou.
Trad. por por Sam,
do original inglês Human Family (2004).

Etiquetas: , , , ,